Distanciamento social nos shoppings populares de BH é por centímetros

Na manhã da última quinta feira (24), véspera de natal estive no centro de Belo Horizonte para acompanhar a situação do comércio no dia que tradicionalmente é conhecido como o de maior faturamento para quem é pequeno empresário. O cenário era de lojas vazias e um clima de desolação para comerciantes que por décadas faturaram nas vésperas do natal.

Aproveitei a viagem e mesmo debaixo de uma chuva que castigou a região por duas horas sem trégua, estiquei até o baixo centro na região dos shoppings populares e lá, ao contrário do hiper-centro, presenciei outra realidade: shoppings entupidos e milhares de eleitores do prefeito Alexandre Kalil se esbaldando nas compras de produtos xing lings.

Regras de distanciamento social não existem nos shoppings populares de BH

As regras impostas para o distanciamento no Shopping Oiapoque, por exemplo, não são as mesmas daquelas verificadas nos grandes shoppings da cidade, em bares e restaurantes, sobretudo os da zona sul. Tampouco a fiscalização deu as caras, pois nas quatro horas que circulei pelos shoppings da região não vi um único fiscal da PBH, e nem a Guarda Municipal. O distanciamento, que na cidade inteira é por metros, no Oiapoque eu testemunhei, é por centímetros.

Pela lógica da ciência do prefeito de Belo Horizonte, respaldada pelos doutores canhotos da UFMG o vírus chinês não ataca no baixo centro e nem dentro dos ônibus lotados. Ao contrário, está presente abundantemente em mesas de bares, restaurantes que, segundo teoria do Comitê de Combate ao Covid, mesmo sem comprovação, são os responsáveis pelo aumento de infecções e estrangulamento do sistema de saúde que nunca trabalhou folgado, mas que agora precisa de margem de manobra.

Outro detalhe que chama atenção nos espaços de comércio destinados às classes menos favorecidas, eleitorado do prefeito ditador, são chineses sentados por detrás dos balcões com seus portugueses precários, mas faturando alto. Pergunta que não pode deixar de ser feita: Será que estão recolhendo impostos e recebendo fiscalização que garanta a procedência dos produtos que comercializam, a exemplo do que acontece com o comércio formal?

Estudo mostra que bares não representam risco para população

Estudo feito em Nova York com dezenas de milhares de casos mostra que a contaminação por Covid-19 em bares e restaurantes somados equivale a menos de 1,5% do total. Enquanto isso, 75% das contaminações ocorreram em exposições nos “private social gatherings” (encontros sociais privados, em casas, viagens com amigos, e em centros de compras populares ou transporte público).

A conclusão? É mais seguro para a sociedade manter seus bares e restaurantes abertos, garantindo que os encontros sejam mediados por máscaras, limite de pessoas, dezenas de protocolos e profissionalismo do que fechá-los e ter estes mesmos encontros acontecendo nas casas, ou em centros de compra populares sem protocolo algum, como presenciei no shoppings populares que visitei na manhã de 24 de dezembro.

Com base neste estudo, recentemente divulgado,  políticos nos EUA já estão inclusive revendo protocolos para evitar mais restrições a estas atividades.  A Abrasel vem tentando mostrar que não há razoabilidade na proibição da venda de bebidas alcoólicas nos bares e restaurantes da cidade, mas o judiciário mineiro, aparentemente dividido, vem demonstrando que está longe da realidade e alheio aos fatos.

José Aparecido Ribeiro é Jornalista em Belo Horizonte

Contato: jaribeirobh@gmail.com – WhatsApp: 31-99953-7945 – www.zeaparecido.com.br

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