Prefeito Kalil manda recado para quem deseja sossego durante o carnaval de 2020

Do alto de sua conhecida falta de modéstia o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil veio a público dizer mais uma vez que os incomodados com o carnaval se querem sossego ano que vem, que mudem de BH. Ele declarou no Twitter em alto e bom som: “Agradeço aos que entenderam o carnaval como uma festa pacífica e ordeira (na medida do possível), e a todos aqueles que sofreram o incomodo da invasão de multidões de foliões em nossas ruas”.

O arremate veio com a seguinte frase. “PS: Ano que vem será maior ainda…”. Vamos separar a oração e contextualizar o alcaide que não foi visto em público durante o carnaval, de certo por que estava no seu sítio, gozando do merecido descanso. O prefeito agradece aos que entenderam o carnaval de BH uma festa “ordeira e pacífica”, é mole?  Foi ordeira e pacifica para quem ficou dentro de casa encarcerado. E não foram poucas, mas muitas pessoas que não tiveram alternativa.

A imprensa, especialmente a “chapa branca”, cuja folha e rendimentos hoje dependem de anúncios da PBH, tentou botar panos quentes, relativizou e mostrou só parte do rescaldo. Assassinatos, estupros, vandalismo, facadas, tiros, desordem no trânsito e na vida de quem deseja apenas ter o direito de ir e vir preservado. Teve radialista ironizando e mandando os “velhotes” como eu, alugar um sitio. A “autoridade” do rádio mora em um sítio nas imediações de BH, e não teve seu sossego perturbado. Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço…

A ordem é estufar o peito e gritar aos quatro cantos que BH agora tem o maior carnaval do mundo, ainda que no dia a dia aqui também se registre o pior trânsito do Brasil. Neste festival de incoerências, alienação e aparências, de “felicidade” passageira, o direito do outro foi chutado, com o aval do prefeito. O outro, neste caso é a população da zona sul que teve as portas de casa  invadida e transformadas em mictório, repositório de garrafas, preservativos e foliões bêbados, quando não, cadáveres.

O prefeito reconhece que o carnaval da forma como foi organizado, incomodou muitas pessoas, em especial aqueles que não deveriam: idosos, enfermos, crianças e pessoas que não são adeptas da desordem, do barulho e da insensatez coletiva. Reconhece mas manda recado: “No que depender dele, 2020 será ainda maior”. Ninguém é contra os que buscam felicidade pulando desvairadamente, isto porque o carnaval existe há séculos, e nunca houve desavenças, havia sim respeito pelo sossego alheio, até recentemente.

Existem meios de agradar foliões e visitantes, sem desagradar à população. Um governante democrata, adulto e sensato, legisla usando sua autoridade para promover a harmonia e não para botar mais lenha em uma fogueira que acende e sugere alerta. O que se busca é organização, distribuição dos blocos carnavalescos em locais que causam menos impactos. A cidade possui uma das maiores arenas multiuso do país, (Mineirão) e ele passa a maior parte do tempo fechado. Por que não usá-lo para o desfile de blocos durante o carnaval?

José Aparecido Ribeiro

Jornalista – jaribeirobh@gmail.com – WhatsApp 31-99953-7945

 

6 thoughts on “Prefeito Kalil manda recado para quem deseja sossego durante o carnaval de 2020

  1. Uma questão importante quando se pensa no Carnaval de BH é: quanto custou para o poder público e quanto este arrecadou com a festa?

    Habituamos com o discurso de que o Carnaval é bom para a cidade porque traz dinamismo econômico (leia-se: traz dinheiro), aumenta a arrecadação de impostos e aquece o mercado! Será mesmo? Estamos falando de quanto, afinal?

    Muitos defendem o Carnaval de BH em cima desses argumentos, mas nunca vi os números. Não recordo de ver a Prefeitura ou qualquer um da imprensa informar quanto gastou e quanto arrecadou com a festa. E penso que se gastou muito! imagine o pagamento de horas-extras para funcionários da Belotur, Bhtrans, Guarda Municipal, SLU e outros funcionários que trabalharam diretamente nas festividades ou em função dela; imagine quanto a Prefeitura gastou com contratação de sinalização, de banheiros químicos, empenho de viaturas e veículos de apoio, etc; imagine quanto o governo estadual gastou com o policiamento e o corpo de bombeiros; imagine quanto foi gasto com serviços de emergência e urgência de plantão; e por aí vai.

    Agora, imagine quanto a Prefeitura arrecadou em impostos. Imagine, porque não sabemos. Afinal, como a Prefeitura arrecada impostos? Quais são eles? A Prefeitura tem a sua disposição o IPTU, o ITBI, ISSQN, parte do IPVA, parte do ICMS. Estes são os principais. Somente os três primeiros são exclusivamente municipais. Somente o ISSQN é recolhido diretamente pelo município sobre a prestação de serviços, conforme a legislação. Somente o ISSQN pode advir receita de prestação de serviços no Carnaval. Os demais não estão relacionados com o Carnaval (indiretamente, tem o ICMS, mas o estado, sabidamente, não tem repassado a parte dos municípios, não é?).

    Então, voltemos à pergunta: com o que se arrecada com o ISSQN, eventuais taxas, parte do ICMS, a Prefeitura paga as contas do que gastou no Carnaval? Será que não estão sendo utilizados recursos oriundos de outros tributos, como o IPTU, para bancar a festa? Enfim, quem realmente ganha com o Carnaval? Dica: não vale responder ambulantes (não recolhem impostos, em sua maioria; sejamos honestos), rede hoteleira (essa sim, mas quanto mesmo reverte em impostos?), comércio (todo ele? claro que não, né! ou você acha que lojas de cama, mesa e banho faturam mais nessa época?), de alimentos e bebidas (faturam muito, com certeza! mas, sendo MEI pagam valor fixo de ISSQN por mês, certo?)!

    Se a iniciativa privada faturou muito, quanto ela repassou, via impostos, para o poder público que realmente gastou muito? Pense a respeito!

  2. Não passei o Carnaval em Belo Horizonte,coisa que faço a 15 anos!!Mas não posso deixar de me lembrar de há frase que meu pai me ensinou desde pequena:”O seu limite vai até onde começa o meu”
    Esta frase é a base de uma verdadeira sociedade!
    Para um bom entendedor um pingo é letra!!

  3. “Velhote”?!! Se apreciar e exercer, a civilidade, o respeito ao próximo, o direito de ir e vir, a ordem, o respeito, os bons modos….ser coerente, me custar o “título” de ser uma mulher ultrapassada, com pensamentos e desejos de uma pessoa mais vivida ( velhota ), eu aceito e ainda me vanglorio com tal…
    Triste, revoltante a fala de quem nos governa. Falta educação, aquela que vem de berço, sabe?ll E sobra deboche….e ainda recebe aplausos, absurdo!
    Se ao menos, citasse a receite gerada, para tentar acalmar os ânimos de grande parte da população, não adepta à baderna, que se tornou o carnaval de BH…mas não o propósito é mesmo desafiar, ” colocar lenha na fogueira” , como bem citado por você.
    Fico pensando…como exigir uma mudança radical, se não estamos preparados para lutar por um futuro melhor? Parece estar impregnado na nossa cultura, no nosso DNA que temos que sofrer calados, sendo massacrados…Para que as mudanças ocorram, requer coragem, luta, amor próprio, e à nação… tem que haver patriotismo. Precisamos também ter um olhar para o bem comum.
    Mas o que vemos, é cada um defendendo o ponto de vista que lhe convém. Por exemplo: como uma pessoa em sã consciência, tem a coragem de ir contra quem diz que o trânsito de BH é caótico?!!!…o mais provável é que tenha interesse que tudo continue como está, ou que venha a piorar, como qualquer leigo pode prever, uma vez que não está sendo adotada nenhuma ação de
    planejamento de mobilidade urbana.
    E assim seguimos José Aparecido, como “velhotes”, cansados de tamanha incompetência, e exaustos de transitar por BH.

  4. Engraçado você afirmar que Belo Horizonte tem o pior trânsito do Brasil. É mera opinião, certamente. Porque há pesquisas que não corroboram isso. Olha essa publicada no site da BBC Brasil: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-47477810
    A reportagem trás prós e contras sobre a questão da mobilidade. Algo que uma imprensa séria faz: mostra os lados, sem tomar partido. Assim, abre o espaço necessário para o leitor elaborar seu senso crítico.

  5. Não só o mineirão; poderia ser um carnaval multi espaços. Usar, concomitantemente, o mineirão, o independência, a gameleira, o expominas, o mega space, entre outros…

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