“12 mortos no primeiro dia” – pag 2 – EM de 29.03.2013.

Repare como as repórteres Paula Sarapu e Valquíria Lopes fizeram a introdução da matéria intitulada "12 mortos no primeiro dia" página 2 do EM de 29 de março sexta feira da paixão: "A combinação de imprudência, alta velocidade e chuva não poupou vidas nas estradas mineiras na saída para o feriado da semana santa". Análise superficial, mas reveladora. Elas poderiam ter relatado o fato sem emitir opinião, mas preferiram tirar conclusões, baseadas no senso comum de que mortes em rodovias federais de pista simples devem ser debitadas na conta dos defuntos que não podem mais se defender.

 

É a mesma ladainha da PRF e dos que se dizem "especialistas" no tema. Não seria muito justo dizer que mais 12 mortes poderiam ter sido evitadas se a BR 040 e todas que foram palco de colisões frontais (100% dos acidentes com mortes) fossem duplicadas com pistas independentes? Ao dizer que foi a imprudência, a matéria deixa de relatar fatos e faz julgamento. Reduz e mantém o tema na superficialidade de sempre, já que as autoras não estavam presentes na hora do acidente e ouviram relatos de quem também não estava, leia-se Polícia Rodoviária Federal e seu discurso ensaiado de sempre.

 

Mas o pior é que esse tipo de abordagem tira do governo federal a responsabilidade que lhe cabe que é a de oferecer rodovias seguras que protejam os prudentes, dos imprudentes, uma vez que estes últimos jamais deixarão de existir. E não é por acaso que essas rodovias (BR 040, BR 381, BR 116, BR 262, entre outras que cortam o Estado de Minas Gerais e ainda estão com pistas simples, depois de 60 anos que foram construídas), continuam no ranking das que mais matam no Brasil. Quem deveria cobrar com conhecimento de causa, usando a razão e o bom senso, acaba, sem querer, contribuindo para que o tema permaneça estacionado.

 

O que não se explica é o fato de São Paulo possuir uma frota de 22 milhões de veículos e ter 8 vezes menos acidentes com mortes do que Minas Gerais que tem apenas 8 milhões. Talvez tenha faltado as duas excelentes repórteres o conhecimento e significado de Lógica do Pensamento Científico, (Silogismo Categórico) tão necessário para quem lida com as palavras no ofício de escrever. As observações tem caráter construtivo e o desejo de que das próximas vezes, elas retratem o outro lado da moeda, dando a “César, o que é de César”e contribuindo para um entendimento mais profundo das causas de mortes em rodovias, sobretudo as federais.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Transito e Transporte

Presidente da ONG SOS Rodovias Federais.

CRA MG 0094 94

31 9953 7945

 

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