A CIDADE QUE MAIS PRECISA DE VIADUTOS, DEIXA OS QUE TEM CAIR.

Belo Horizonte é a cidade que mais precisa de viadutos no Brasil, e onde a topografia esta convidando para que eles sejam construídos em beneficio de um transito com maior fluidez. É uma das Capitais brasileiras com traçado ortogonal (muitos cruzamentos) e excesso de sinais de transito, provocando engarrafamentos crônicos, que só podem ser eliminados com obras de arte (viadutos, tuneis, trincheiras, elevados, passarelas). Porém, existe uma tese local, defendida por representantes da PBH e por engenheiros contratados para confirma-la, de que viadutos não resolvem o problema do trânsito, pois transferem os engarrafamentos de um funil (gargalo) para o outro. Locais onde o transito trava e que precisam de obras, não aceitam mais puxadinhos e nem soluções medíocres. São mais de 150…

 

A tese é importada de cidades europeias milenares e mais um dos equívocos que tem atrasado o desenvolvimento da cidade, desafiando a paciência e a saúde de milhões de motoristas que não pretendem trocar o conforto do transporte individual pelo precário transporte coletivo, que em BH é concentrado em carrocerias de ônibus insalubres, concorrendo com carros onde não há mais espaço. Ironicamente alguns viadutos que foram construídos na atual gestão, os poucos de muitos que são necessários e urgentes, estão condenados, pois suas estruturas correm risco de desabar encima de cabeças alheias, como aconteceu em plena Copa do Mundo, desmoralizado a engenharia e a política publica que patina e não avança no quesito mobilidade urbana. Os mesmos teóricos e gestores que não apresentam resultados seguem com o aval do Alcaide, intocáveis.

 

O trânsito piora a cada dia e o discurso não muda, continuam achando que BRT e ciclovias irão desmotivar o uso do automóvel. Com efeito, a queda do Viaduto Batalha dos Guararapes e os erros inadmissíveis nos outros cinco projetos ao longo da Avenida Pedro I é algo inimaginável e inacreditável para a engenharia em 2015. Mas em BH consegue ser tratado como “coisas que acontecem” e fica tudo por isso mesmo. Aqui filho feio não tem pai. Ninguém e punido, o Prefeito continua Prefeito, o secretário muda de secretaria e a vida segue, como se nada tivesse acontecido, sem nenhum “terror”. Prejuízo apenas para as famílias das vítimas daqueles que perderam seus entes, e para a população que segue passiva e acomodada, enfrentando engarrafamentos com buzinas e agressões mutuas, como se o problema fosse do excesso de veículos e não do passivo de obras de 40 anos, fruto da cegueira de gestores públicos incompetentes e omissos.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos

ONG SOS Mobilidade Urbana

CRA-MG/ 08.0094/D

31-9953-7945

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