A madrugada mais longa da história de BH.

A madrugada de quinta feira 25 de julho de 2013 entra para a história como a mais longa que BH já vivenciou. Em êxtase e euforia extrema, a torcida atleticana esqueceu o principio da razoabilidade e em nome do título impediu que milhões de cidadãos atleticanos, cruzeirenses, americanos e até os que acham o futebol algo inútil e insano, como eu, dormissem o sono sagrado que a natureza exige de todos.
Teve foguetório até o raia do dia, tiros de arma de fogo, rajadas de metralhadoras e toda sorte de barulhos que pudessem infernizar a vida dos que gostam e daqueles que não gostam de futebol, mesmo que esses últimos sejam uma minoria.
Em nome do futebol, vale tudo. Tudo mesmo. Vale desrespeitar o descanso necessário de idosos, enfermos, crianças e até dos bichos. Os irracionais. Mesmo que irracionais aqui não sejam eles, mas nós humanos sem limites.
Imagine se os passaros que dormem na escuridao falassem, se cachorros ao invés de latirem ou chorarem de medo dos foguetes, tivesse opinião sobre o que aconteceu na mais longa noite da história da Capital?
Mas como diz um amigo jornalista conhecido na cidade, é só hoje. Amanhã tudo volta ao normal, e esquecemos a noite perdida em nome de algo cujo objetivo ninguém conseguem bem explicar. Precisa-se tanto desta paixão? O que há por trás deste desespero por um título e pelo grito de galoooo?
Nem mesmos os beneficiários deste espetáculo devem saber de onde e por que essa loucura desmedida arrebata tanta gente de todas as idades, classes e níveis sociais. Era assim também no Coliseu Romano em tempos remotos.
Ninguém é contra uma festa para comemorar um título, mas a festa não deveria transformar a vida de inocentes, especialmente os que precisam de descanso em um pesadelo que não lhes permitam escolha ou reclamação.
A sono para os que estão enfermos e os que precisam trabalhar no dia seguinte é sagrado, inviolável. Ou pelo menos era. Sempre ouvi dizer que existe a Lei do silêncio e que o mal uso da propriedade é crime. Vejo que a lei não vale mais para dias de jogos do Atlético.
Se não estou ficando velho ou maluco, as pessoas perderam a noção de limites, desconhecem o principio de civilidade e em nome do futebol e de suas paixões desmedidas, afetam a vida e a saùde alheia sem qualquer conseqüência.
Fico imaginando essa energia toda canalizada para algo útil em nome da coletividade, algo como um movimento para renovação total da política e substituição de todos os políticos cínicos.
Enquanto isso, os que amanheceram como zumbis e tiveram um dia de trabalho longo ao som das buzinas, que esperem a próxima noite para terem direito ao sossego. Por hora, o essencial é a vitoria do galo e os gritos atravessados que vararam a noite.
Afinal, onde pão e o circo são abundantes, o resto é secundário, perde o valor. E viva o Brasil do futebol e da insensatez!

José Aparecido Ribeiro
Filósofo e Consultor em assuntos Urbanos.
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