Artigo de Paulo Medeiros Krause – Um libelo sobre o trânsito de BH. Jornal Estado de Minas de 4/11.

Paulo Medeiros Krause, procurador do Banco Central conseguiu sintetizar o que todo cidadão belo-horizontino, mais atento, gostaria de falar sobre o transito da capital em seu brilhante artigo “descaminhos do transito de BH”, domingo 4/11. Irretocável é a palavra mais apropriada para este libelo. Todas as pontuações são pertinentes e cirúrgicas, salta aos olhos até de quem não é especialista no assunto. O trânsito deixou de ser um assunto para “expert” viciados e arrogantes, que não conseguem apresentar soluções, e passou a ser um problema de saúde publica.

 

Quem deveria agir e apresentar soluções, comprovadamente não dá conta do recado, só não vê quem não quer. No lugar das atitudes, sobram desculpas pouco convincentes e tentativas medíocres de remediar o que não se empurra com soluções paliativas. O que está ruim vai piorar e não é de hoje que isso vem sendo dito. A cidade é tratada em partes e na maioria das vezes pela via dos puxadinhos. O que está pronto não se mexe e o que não dá errado, permanece. O exemplos de tentativas mal sucedidos que viraram fiascos são fartos: Av. Nossa Senhora do Carmo e suas pistas exclusivas para ônibus em um local inapropriado para segregação de vias; Praça Raul Soares com os seus quebra molas onde eles jamais poderiam existir; um capricho desnecessário que tem custado caro para quem passa por ali. Cruzamentos de BR 356 com Av. Raja Gabaglia, com seu afunilamento que gera engarrafamentos por todos os lados até o viaduto da mutuca.

 

Trevo do Belvedere em frente o Aglomerado Morro do Papagaio, um exemplo de puxadinho medíocre e ineficaz, que gera engarrafamentos no Sion, Belvedere e até no BH Shopping. Av. Catalão com Rua Conceição do Mato Dentro, e seus engarrafamentos gigantes por dentro do bairro Ouro Preto. Praçinha São Vicente, dividindo uma cidade inteira ao meio; Cruzamento de Av. Raja Gabaglia com Av. Barão Homem de Melo, que dispensa comentários e por ai vai. Não faltam exemplos, são mais de 150 gargalos que exigem obras e inteligência operacional enquanto elas não chegam. Inexplicavelmente, tudo segue como se nada estivesse acontecendo. A título de informação, a Av. Amazonas tem 35 sinais, a Av. Antonio Carlos e Pedro I, juntas tem 38 sinais e a Av. Cristiano Machado, que é uma via expressa, ainda tem 12 sinais. A maioria, sem sincronia, incompreensivelmente exercendo a tarefa de viadutos, trincheiras e elevados.

 

Enquanto isso o Prefeito segue acreditando que BRT vai resolver o problema de Belo Horizonte, depositando todas as suas fichas na expertise dos técnicos da BH Trans, alheio ao caos que a cidade que ele governa está vivendo. Quem viver verá o que nos espera para os próximos anos.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Transito e Mobilidade

Presidente do Conselho Empresarial de Política Urbana da ACMinas

ONG SOS Mobilidade Urbana – CRA MG 0094/94

31-9953-7945

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