As Rádios, os Radialistas e o trânsito de BH.

A maioria das pessoas ouvem rádio quando estão dirigindo. Além da música, o rádio é fonte importantíssima de informações. Em cidades de trânsito caótico como BH, os locutores acabam virando companheiros, eles nos trazem informações e a sensação de que estão atentos aos problemas da cidade. Costumam falar o que gostaríamos, mas não podemos. A maioria das rádios de BH dedicam tempo, energia e recursos humanos ao assunto trânsito, algumas usam até helicópteros para dizer onde o trânsito está parado. Contudo, estão fazendo isso com pouca criatividade e as vezes, sem perceber, com a melhor das intenções, até prejudicial. Explico:

 

É comum ouvir de locutores que o trânsito esta parado aqui ou acolá por causa do excesso de veículos. Olhando superficialmente, eles tem razão. Porém se sairmos da superficialidade e aprofundarmos um pouco mais, será possível perceber que o problema não é o excesso de veículos, mas a ausência de infra estrutura em locais cuja a rotina é de caos, diuturnamente. Os engarrafamentos acontecem sempre nos mesmos horários e nos mesmos locais. A título de exemplo, é comum ouvir que o trânsito está completamente parado na Av. Getulio Vargas entre Av. Contorno e Av. Afonso Pena, em virtude do grande volume de tráfego. 

 

O correto seria dizer: Em virtude da falta de uma trincheira, capaz de evitar engarrafamentos no cruzamento de três vias importantes daquela região o trânsito está parado na Av. Getulio Vargas entre Av. Contorno e Av. Afonso Pena. O fato é que o volume de carros aumenta e as soluções de engenharia simplesmente desapareceram. Os sinais não são mais suficientes para organizar a demanda e não há presença física de agentes treinados capazes de intervir no transito. O resultado é filas, poluição e estresse. É URGENTE, a necessidade de intervenções físicas em mais de 150 pontos da cidade. Preterir isso é irresponsabilidade, omissão e prevaricação, pois a tendência é que a frota cresça na medida que não há perspectivas de melhoria do transporte público.

 

Ao ouvir nossos simpáticos locutores afirmando que o problema é do excesso de veículos e não da ausência do poder público gerindo ou construindo infra estrutura, as rádios acabam prestando um desserviço para a cidade, pois deixam os governantes e os agentes públicos com o sentimento do dever cumprido. Onde o trânsito não anda, todos mundo sabe, são os mesmos gargalos de todos os dias. Com efeito, as informações além de repetitivas, acabam sendo inúteis. O que pode ser feito para melhorar e eliminar gargalos crônicos é que deveria ser a contribuição das rádios para a população. Com respeito e apreço aos radialistas de BH, convido eles para uma reflexão.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos

Presidente do Conselho de Política Urbana da ACMinas

CRA MG 08.0094/D

31-9953-7945

 

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