BH EM DIAS DE JOGOS DE FUTEBOL VIRA A CASA DA MAE JOANA

A cada jogo de futebol em que algum time de Belo Horizonte vence, a cidade inteira perde. Perde o direito ao sossego sagrado e necessário para o descanso. Milhões de pessoas são obrigadas a passar a noite ouvindo buzinas, gritos insensatos, bombas, cornetas e toda sorte de ruídos capazes de enlouquecer crianças, idosos enfermos, recém nascidos que precisam de silêncio, animais, pássaros e os doentes internados em leitos hospitalares espalhados pela cidade. Ninguém escapa do desespero dos inconsequentes que acham que podem tudo em uma cidade sem governo, onde não há regras para nada, a não ser a da sanha arrecadatoria.

 

Vejo campanhas contra a violência nos estádios, jogadores falando de Deus incessantemente, imprensa mobilizando aparatos gigantescos para cobrir o esporte que é a paixão nacional, mas não vejo ninguém colocar limites para a turma do barulho. Tem até emissora de TV. capaz de ditar horário de jogo para depois da novela, e transformar as madrugadas de quarta para quinta em um festival de aberrações. Vale tudo pela paixão nacional, só não vale o direito daqueles que, como eu, estão tomando antipatia do futebol por tudo que ele representa negativamente para o Brasil.

 

Mata-se por causa do time do coração, mas permite-se que bilhões de reais sejam desviados da saúde, do transporte, da moradia digna e da educação, sem que os mesmos inconsequentes sejam capazes de abrir a boca. É necessário urgentemente campanhas que informem aos animais alienados que frequentam estádios que as pessoas precisam dormir por que trabalham no dia seguinte. É preciso que emissoras com o poder de mudar horário de jogos, por causa de interesses comerciais, tenham a sensatez de fazer campanhas para que ao sair dos estádios, os imbecis que dão a vida pelo futebol, façam isso de forma minimamente ordeira.

 

É preciso urgente, que torcedores que transformam seus carros em arma, sejam punidos por uso indevido da buzina após as partidas de futebol. É inadiável, regras para aquisição de fogos e artifícios que tem efeito de bombas terroristas capazes de atormentar uma cidade inteira que precisa descansar e não tem a quem recorrer. Não é possível que Belo Horizonte não tenha governantes e homens decentes capazes de colocar ordem nesta CASA DE MÃE JOANA. Ninguém aguenta mais tanta omissão, tanta desorientação por causa do futebol, tamanho silencio diante do absurdo e da desordem.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos

Presidente do Conselho de Política Urbana da ACMinas

CRA MG 08.00094/D

31-9953 7945

 

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