BH sem mar nem bar. É 8 ou 80!

Ninguém é contra Leis que tiram de circulação cidadãos que abusam da liberdade e colocam vidas inocentes em riscos, especialmente os assassinos do transito. Mas a mesma Lei que foi criada para neutralizar as exceções, não troca a régua para medir a regra. A Lei seca veio com um propósito, mas esta alcançando outro. Mais do que coibir os que abusam no transito ela está mudando os hábitos de toda uma sociedade e transformando a noite da Capital. O bar mais do que uma atividade econômica e cultural,  é uma marca registrada, um produto turístico, cujo o objetivo e efeito ultrapassam a lógica econômica na cidade que tem o bar como tradição.

 

No bar os encontramos, confraternizamos, trocamos ideias, fazemos negócios, amigos, afogamos mágoas, amamos, discutimos e nos realizamos como cidadãos. O bar para o cidadão belo-horizontino é como a  “Ágora Grega”, local onde tudo pode ser discutido. Do futebol, passando pela política, sexo, comportamento, conversamos sobre o cotidiano, rimos e choramos. Nele a vida das pessoas e da cidade é contada, fazendo história, as pessoais e as coletivas. Não é por acaso que BH é considerada a capital do bar. Aqui não tem mar, mas tem bar e nele a democracia é plena, acessível para todos, pelo menos na sensação e na teoria.

 

Com o objetivo de fazer cumprir a Lei, calçado com o discurso da moral, o “xerife” da cidade e sub secretario de defesa social, que também é um amante do bom vinho está conseguindo mudar a cara da noite. Para os radicais que defendem a tolerância zero, hà motivos de sobra para comemorações, pois a noite está acabando. O bares estão vazios e o medo da blitz tomou conta do inconsciente coletivo do boêmio e até dos que saiam para o shopinho de fim de expediente. Fato é que a noite está morrendo, e em curso está uma quebradeira sem precedentes de bares e restaurantes. Sobram Leis contra o bar e faltam incentivos que lhes permitam a existência.

 

São poucos os estabelecimentos que estão conseguindo sobreviver sem redução de quadro de funcionários. Os poucos clientes que se animam a sair, usam o taxi, quando ele é encontrado. Mas não são todos que querem deixar o carro em casa. Até por que namorar de taxi não pertence a cultura de BH. O carro bonito e caro não é para ficar na garagem, mas para ser exibido. Isso sim, é da cultura belo-horizontina. Com efeito, ao colocar todos no mesmo balaio, a Lei Seca tem feito bandidos do transito e motoristas  pensarem duas vezes antes de sair. A consequência é que BH além de não ter mar, deixará em breve de  ter  bar. Viva a falta de bom senso e a vaidade!

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Mobilidade e Assuntos Urbanos

Presidente do CEPU ACMinas

CRA MG 0094 94

31 9953 7945

 

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