Ciclovias – Experiência de Campinas pode valer para BH.

As ciclovias seguem causando polêmica e transtornos desnecessários. Já se passaram 6 anos, desde que as primeiras foram implantadas na Savassi, com festa e com desfile do Prefeito e seus assessores, todos paramentados e sorridentes. Mas a ideia da BH Trans de tentar mudar a cultura, parece não ter dado certo. As ciclovias continuam vazias e atrapalhando o transito em uma cidade onde a frota de veículos não para de crescer. Os poucos ciclistas que são vistos pedalando pela cidade, inclusive este humilde cidadão que escreve, o faz aos domingos, quando as ruas estão tranquilas, sem carros, com menor risco de acidente e sem poluição.

 

O problema é que para alguns, a prática da bicicleta deixou de ser uma atividade prazerosa e saudável e passou a ser motivo de auto afirmação. O projeto das ciclovias, que está contido do PLAMOB, prevê 380 km de pistas, mas não avalia se a tentativa de mudar a cultura está sendo aceita pela população. Na prática, 6 anos se passaram e  a ideia não emplacou. E ao que tudo indica, não vai emplacar por razoes diversas: cultura, clima, topografia, poluição, falta de espaço adequado, riscos de acidentes, comodismo e um rosários de causas que fazem a maioria da população ser contra elas. Não é só aqui que o modelo falhou. Campinas entendeu o que BH ainda resiste.

 

Lá, a pratica da bicicleta funciona bem nos finais de semana. Sem concorrer com os carros, as bicicletas ganham as ruas em faixas demarcadas horizontalmente e com informações de que no domingo, quem deseja sair de carro precisa ficar atento, pois as vias são preferenciais para as bicicletas. Os bicicletários funcionam bem e onde é possível a pratica do ciclismo durante a semana, elas não concorrem com outros meios de transporte. É cada macaco no seu galho em nome da civilidade e do bom senso.

 

Não há disputa por espaço durante a semana, sobretudo em vias saturadas. Ate por que, pedalar no meio da fumaça e do transito é um contra censo para a saúde. Enquanto os governantes daqui não dão o braço a torcer e os poucos defensores cegos das magrelas não acordam, em BH motoristas e ciclistas seguem disputando espaço em uma guerra em que todos perdem. Vaidades a parte, são poucos os que arriscam a vida encima de uma magrela no trânsito caótico da Capital. Basta ver que elas estão a maior parte do tempo às moscas ou servindo aos motoqueiros mais abusados, colocando em riscos pedestres inocentes.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Mobilidade e Assuntos Urbanos

Presidente do CEPU ACMinas

31 9953 7945

CRA MG 0094 94

 

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