Debate de candidatos ao governo de Minas = 4 colegiais brincando no pátio do grupo escolar.

O debate na televisão da ultima quarta feira dia 30 de setembro entre os candidatos ao governo de Minas revelou entre outras coisas o abismo existente entre as verdadeiras demandas do povo e o Estado que habita a cabeça dos candidatos e seus assessores, incluindo os marqueteiros políticos de sempre, pouco ou nada criativos. Gravitando entre o tema saúde, educação e segurança de forma superficial, eles demonstraram o quanto ainda são colegiais para governar os mais de 23 milhões de cidadãos mineiros. Teve de tudo, menos o que realmente interessa para o povo. Não faltaram cenas pitorescas em que as palavras saúde e educação foram confundidas por mais de uma vez. Teve discurso e cobranças inflamadas, acusações mutuas e deboches explícitos. Numa mostra de desrespeito aos que ainda pensam e possuem um mínimo de discernimento. Sobrou amadorismo e faltou vocação para a boa política.

 

Temas atuais como mobilidade urbana que afeta a maioria das cidades com mais de 80 mil habitantes, se quer foi debatido. Minas enfrenta a maior seca de sua história com riscos iminentes de desabastecimento até para as necessidades básicas e nenhum candidato lembrou disso. A energia gerada pelas duas principais hidroelétricas, Furnas e Três Maria, e que estão com seus níveis de armazenamento de água abaixo do recomendável colocando em risco a economia e a segurança do Estado, também ficou fora das discussões. Correndo um atrás do outro como em um pátio de um colégio na hora do recreio, todos os 4 candidatos deram um espetáculo de desconhecimento e amadorismo. Se a culpa é dos marqueteiros, como lembrou um dos candidatos acusado de ser mentiroso, eles deveriam rever seus conceitos e melhorar o nível, pois nem todos os eleitores são incautos como eles acreditam.

 

Teve os que dizem que irão ouvir a população e só depois apresentarão um plano de governo. Hora, um candidato a governador que não sabe quais são as principais demandas do estado não pode governá-lo. Houve quem passasse o tempo todo dizendo que está tudo maravilhoso e que dará apenas continuidade ao que vem sendo feito nos últimos anos, como se bastasse ser amigo do “Rei” para os votos aparecerem nas urnas por osmose. Acusações a parte, palavras trocadas e uma dose de veio artístico, teve os que acreditam que governar um estado é a mesma coisas que governar um município. E houve até quem propusesse o desarmamento e desmilitarização da PM, no momento em que a população encontra-se acuada como nunca antes na historia deste país. Sequestros relâmpagos, assaltos e crimes de todas as ordens, viraram coisas corriqueiras. Já nem causam mais espanto. Ou seja, todos mais perdidos do que cegos em tiroteio.

 

Uma demonstração inequívoca de que o modelo eleitoral está falido, ao permitir a qualquer um o que não deveria jamais ser para qualquer um. Das limitações do corpo pela idade, até as propostas que são inconstitucionais ou pouco razoáveis, um candidato a um cargo da importância que tem o de governador de um estado deveriam ser homens altamente qualificados, conhecedores de suas responsabilidades antes mesmo de se pré-disporem ao crivo do voto. Assim como em uma corporação exige-se pré-requisitos mínimos para o exercício do cargo de CEO ou Diretor, deveria tê-los também para o de governador. Enquanto a democracia permitir este samba do crioulo doido nas eleições, é pouco provável que alguma coisa melhore neste país. No salve-se quem puder, vale tudo quando tudo, jamais poderia valer. 5 de outubro está chegando e mais uma vez vamos assistir os mesmo atores mudando de novela. Conclui-se que a Reforma Política é para ontem.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos

Belo Horizonte – MG

CRA MG 08.00094/D

31-9953-7945

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