Desafios que BH não pode mais adiar…

Belo Horizonte tem grandes desafios no que diz respeito ao transito. O número de veículos aumenta e as ruas continuam as mesmas desenhadas por Aarão Reis. Além do volume de carros, os transtornos aumentam com as obras em andamento. Não há planos de emergência capazes de minimizar o problema. Aliás, eles não existem, não fazem parte da cultura dos gestores municipais. Embora importantes, as obras anunciadas não são suficientes para resolver o problema da mobilidade e representam menos de 10% do que a cidade realmente necessita. Nossa sociedade esta se acostumando a pensar pequeno e via de regra tapamos o sol com a peneira quando o assunto é o transito e suas conseqüências na qualidade de vida. Preterir as mais de 150 obras que a cidade terá que fazer só vai agravar o problema, que já é considerado por especialistas como o maior desafio do século. A PBH anuncia a implantação do BRT, mas ele está longe de ser a solução, uma vez que não tem apelos para transformar motoristas de carros e motos em passageiros do transporte coletivo. A cidade precisa de muito mais e o tempo está passando. O deadloock traffic (termo utilizado para dar significado a colapsos em sistemas de computadores) já é uma realidade nas ruas de BH.

 

Ninguém tem duvidas de que algo precisa ser feito urgente para dar fluidez ao transito caótico, especialmente nos horários de pico. Mas como tudo que diz respeito a obras e intervenções depende de dinheiro e decisões políticas, o cenário fica desanimador. Isso por que os nossos políticos navegam na superficialidade do problema. Discute-se os "sexos dos anjos" e o problema é transferido para quem é vítima, o povo que usa carro. Faltam fóruns permanentes de debate e o discurso que prevalece é o daqueles que são contra as mudanças e querem uma cidade estática. Esquecem que a cidade é um organismo vivo em permanente transformação. Toda mudança gera desconforto e costuma desagradar parcelas da sociedade. Contudo, não existem, a curto prazo, outras alternativas capazes de solucionar o problema. Deslocar por BH entre 7H da manhã e 20H virou um martírio com conseqüências no próprio corpo… Com efeito, para agravar, nossos políticos dedicam energia aos seus projetos particulares e esquecem o sentido da palavra política, aquela que vem de "Polis", espaço de convivência onde vivemos e precisamos de organização para nossa realização como indivíduos.

 

É no espaço da cidade que o individualismo precisa dar lugar ao coletivo para que a convivência possa ser positiva e não uma disputa em que todos perdem. A pratica tem nos mostrado que estamos perdendo para o transito e o nível de satisfação de quem vive na cidade está caindo. BH perdeu o trem da história, não desenvolveu no mesmo compasso da economia, cujo as bases estão alicerçadas na indústria automobilística. No Brasil e nos países em desenvolvimento o carro é símbolo de prosperidade, liberdade e emancipação. Isso ocorreu no EUA no inicio do século passado, mas lá, a infra estrutura chegou antes para receber o carro. Da forma como estamos assistindo em BH o carro está nos impondo conseqüências desastrosas na qualidade de vida, isto por que a cidade não foi preparada para receber esta quantidade de veículos. As obras capazes de fazer frente às demandas que crescem a cada dia e que deveriam ter sido feitas há 30 anos atrás, continuam sendo postergadas e custarão caro, terão que ser feitas, querendo ou não os defensores do modelo Europeu de Mobilidade Urbana que sugere o uso do coletivo, mas não o oferece com qualidade capaz de receber a adesão de quem usa carro.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos e Transito

Presidente da ONG SOS Mobilidade Urbana

CRA MG 0094 94

31 9953 7945

 

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