Donald Trump, assim como Alexandre Kalil não ganharam eleições por acaso.

Assim como o 11/9, com os ataques terroristas, o 9/11 deixou o mundo estarrecido, agora com a vitória de Donald Trump para a presidência dos EUA. Especulações a parte, sobre os efeitos deste possível desastre, que assusta "gregos e troianas", vamos ao que interessa: ouve-se de tudo, só não se fala do essencial, o que permitiu que Trump, assim como Alexandre Kalil, em BH City, chegassem ao poder pela porta da frente, através do voto popular. (sinceramente torço para que ambos consigam fazer bons governos, independente do que pareçam ser).

Refiro me a democracia (governo do povo) e ao seu modelo eleitoral que dá direito a "qualquer um", o que não deveria ser para "qualquer um": refiro-me ao exercício do poder. Portanto, não é a vitória de Trump e de Kalil, nem tampouco a de Dilmas e Calheiros, espalhados pelos Brasil que deveriam ser alvo de reflexões, eles são meros instrumentos, mas o modelo democrático de governo que delega ao povo uma tarefa para a qual ele vem demonstrando, inequivocamente, não estar habilitado.

Exercer cidadania através do voto sem ser cúmplice e responsável deveria ser motivo de reflexão daqueles que possuem um mínimo de discernimento. No Brasil, a maioria da população que vota não tem a consciência crítica necessária para fazer escolhas responsáveis. Basta ver o que virou a prática política, marcada por escandalosos casos de corrupção e má gestão da coisa publica.

Isso ocorre por razões diversas que passam por falta de educação e até por debilidade mental para compreender a realidade. "Tito, filho do Imperador Vespaziano (69 d.C)" que o diga, ao ouvir de seu pai a celebre frase: "…onde o povo prefere pousar seu clunis: numa privada, num banco de escola ou num estádio?"… Não é difícil perceber que as democracias, com exceções honrosas dão sinais de saturação, sobretudo onde a ignorância, o pão e o circo são moedas de troca e passaporte para oportunistas alcançarem o poder, através de um funil de boca invertida. Grosso na entrada, e estreito na saída. O modelo eleitoral aqui e lá, faliram.

O dinheiro, a fama, o carisma dos populistas e até a religião são usados para abrir as portas da política para indivíduos desqualificados. Mesmo que o candidato não tenha vocação ou talentos para a boa política, a democracia permite a ele ocupar lugar onde jamais ele deveria passar perto. Mas até quando a democracia será usada para legitimar no poder indivíduos mal intencionados dando a eles oportunidades que eles não deveriam ter?

Não quero dizer com isso que as ditaduras devam ser o caminho alternativo, longe disso. Embora a maior democracia do mundo tenha deixado Donald Trump chegar a Presidência, contrariando a lógica de que o comando de um país deve ser confiado a cidadãos comprovadamente qualificados. Contudo não fica dúvidas de que o modelo precisa urgentemente de mudanças, sobretudo no quesito eleitoral que permite a qualquer um o que embora possa, não é recomendável para qualquer um.

José Aparecido Ribeiro

Licenciado em Filosofia 
Consultor em Assuntos Urbanos
Belo Horizonte – MG 
CRA MG 08.0094/D

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.