É proibido ficar doente durante feriados e finais de semana em BH… O que será da nossa cidade na Copa do Mundo?

Dizem que Belo  Horizonte é uma Metrópole equipada e preparada para receber pessoas de todas as partes do mundo. A afirmativa é de governantes, de parcela da imprensa e da população que acredita em tudo que político fala. A realidade revela que não é bem assim. Com a permissão de um amigo que autorizou citar seu nome, seu cargo e seu drama pessoal, é possível perceber que a cidade, ao contrário do que dizem, ainda tem traços de uma Província. Na noite de quinta feira, dia 05/04 da semana santa, este amigo levou sua esposa ao Hospital Felício Rocho para um atendimento de emergência em virtude de fortes dores abdominais. Após algumas horas de espera, o médico desconfiou de uma anomalia no abdômen e pediu que se fizesse um exame de ultra-som. Com o exame, fora constatado um cálculo na vesícula biliar. No entanto,  naquele momento, não havia leitos vagos no hospital para que ela pudesse ser internada, o que obrigou a família a esperar no pronto atendimento. Até aí, tudo bem, a população está acostumada a ouvir isso diuturnamente, tanto na rede privada quanto na rede publica hospitalar, e já não causa mais espanto. Porém, o médico pediu um exame de ressonância magnética para traçar um diagnóstico mais preciso e combater a enfermidade com mais rapidez e confiabilidade. E aqui começa o drama do amigo e de sua família. Pasmem, mas ao procurar o serviço de ressonância magnética, do hospital na madrugada de quinta para sexta-feira (feriado prolongado), foi informado que este serviço não funcionaria em feriados e finais de semana, isso por que é terceirizado. Somente estaria disponível a partir de segunda- feira. Sem alternativas, o Sr. Paulo Boechat, que é Presidente do Conselho Curador do Belo Horizonte Convention e Visitors Bureau, responsável pela captação de eventos para Belo Horizonte, foi obrigado a esperar até segunda feira para realizar o exame de sua esposa. Com a espera do exame da ressônancia, o quadro se agravou, ocasionando uma pancreatite. Os resultados mostraram que a situação exigia um tratamento mais cuidadoso e urgente. Conversando com o médico, o Sr. Paulo Boechat descobriu que se o tratamento tivesse começado no dia em que sua esposa deu entrada no hospital, não teria progredido e piorado a ponto de colocar a vida dela em risco. A paciente continua internada no Hospital Felício Rocho até hoje e sem previsão de alta, em tratamento e ainda corre riscos. Estamos falando de um dos maiores e mais importantes hospitais da capital de Minas Gerais, cidade cuja a fama é de ser referencia em saúde e que vai sediar em breve uma copa do mundo. Isso mostra que os problemas da cidade não se reduzem a questão da mobilidade urbana, da falta de hotéis, da baixa qualidade dos taxis, pavimento destruído e dos serviços precários de transporte coletivo. O buraco é bem mais embaixo e o cidadão de BH precisa avaliar se vale ou não a pena continuar sendo sede de eventos tão importantes como os anunciados. Se é proibido ficar doente nos finais de semana em Belo Horizonte, será que a cidade tem capacidade para receber cidadãos acostumados com serviços de saúde de alto nível e em grande volume? Fica a pergunta para as autoridades, vale a pena correr o risco ou ainda há tempo de corrigi-los?

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos

CRA MG 0094/94

31-9953-7945

 

Segue telefone do Sr. Paulo Boechat para confirmação do relato acima. 31-9970-1818

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