Efeitos do transito é assunto de saúde pública

Os efeitos do trânsito na saúde dos cidadãos de BH está sem controle. O assunto saiu da esfera técnica de gestão e de engenharia, ou de falta delas, e passa a ser de saúde publica. Condutores de ônibus surtando, agressões mutuas entre motoristas, irritação generalizada, intolerância, dedos em riste que podem levar a morte e estresse. Esses são os efeitos de um problema que todo mundo aponta causas, mas quem deveria, não apresenta soluções. Continuam nas desculpas e na superficialidade do tema, importando ideias que não se aplicam a uma cidade que tem clima quente,  traçado ortogonal de ruas paralelas e topografia acidentada, com um passivo de 30 anos sem grandes intervenções viárias.

 

Usam modelos errados e tentam justificar planos inconsistentes como os das ciclo vias, ou das elevações de travessias e represamento de fluxo que servem apenas para deixar o transito ainda mais lento. A situação está fora de controle. Imagine gastar 5 horas para percorrer um trecho de 17 KM entre o Bairro Santa Cruz e o BH Shopping? Relatos de pessoas que ficam presas nos engarrafamentos gigantes é cada vez mais comum. Recorrentes também são os nós que fazem a cidade parar. Basta uma chuva, um acidente no Anel Rodoviário ou mesmo uma coincidência de veículos em um mesmo ponto da cidade, como na quarta feita que antecedeu a semana santa, para o transito entrar em colapso e afetar a vida de milhões de pessoas.

 

As autoridades municipais seguem tratando o problema com uma régua menor do que a verdadeira medida. Exorcizar o carro não adianta, o que está errado não é o numero cada vez maior de veículos, mas a estrutura da cidade que não acompanhou o crescimento da frota, que já era previsto. Os incentivos do governo federal, o credito fácil, o gosto do brasileiro pelo carro apontam um futuro sombrio para a cidade se algo não for feito urgente. Prefeito, secretários e presidentes de empresas responsáveis pela gestão da cidade, políticos e agentes públicos, parecem distantes do problema seguem transferindo responsabilidades para quem é vitima e tentando sempre mudar o foco.

 

Os números de afastamentos de condutores de ônibus, (mais de 3 mil, em um universo de 10 mil), a triplicação do numero de multas aplicadas injustamente em quem vive no estresse do trânsito, mostram que algo esta errado com o modelo de transporte coletivo da cidade. Revela também que a escolha do modal BRT é uma aposta de horizontes limitados, já que BRT é um ônibus, com poucas diferenças dos que existem e estão saturados. A cidade precisa de outros modais de transportes que sejam capazes de incentivar a população que usa carro, passar a usar o transporte coletivo. Sem qualidade no transporte público, o carro torna-se indispensável e quem pode, jamais abrirá mão de utiliza-lo, mesmo que isso signifique horas perdidas no transito que não flui.

 

As recomendações de engenheiros e especialistas (CREA, SME, SICEPOT, TODAS AS FACULDADES DE ENGENHARIA DA CIDADE) apontam para o monotrilho como alternativa de modal mais apropriado, mas a PBH continua ignorando as recomendações e segue apostando no BRT. Ou o Prefeito encara o problema e convida o empresariado dos ônibus para composições em outros modais como Monotrilho, VLT e Metrô, ou BH pode se preparar para dias de fúria do trânsito, cada vez mais recorrentes.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Mobilidade e Assuntos Urbanos

Presidente do Conselho Empresarial de Política Urbana da ACMinas

ONG SOS Mobilidade Urbana

CRA MG 0094 94

31 9953 7945

 

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