Erros primários cometidos pelo gestor do trânsito.

O maior erro que um agente público, seja ele político ou técnico pode cometer é o erro de interpretação da realidade. Achar que seu pensamento é o certo e pautar suas ações baseado em modelos que ele presume ser o ideal. Um certo conforto ilusório que beira a arrogância, e que em BH é marca do grupo que comanda a BHTrans há 25 anos.

Quando esses modelos são importados, em se tratando de mobilidade urbana é necessário que o clima, a topografia, os costumes, a história e as referencias ideológica sejam consideradas. O que não pode é pensar que se deu certo em alguma cidade europeia, ou mesmo lá em Bogotá, (no Altiplano Andino) terá que dar certo aqui também. As razões são óbvias, e de natureza geoclimaticas.

Os modelos de cidades que convém aos gestores públicos, diga-se de passagem, nem sempre são os mais apropriados para a realidade de Belo Horizonte. Se há exemplos a serem seguidos, eles não estão no Velho Continente, mas talvez nos EUA. (Miami, San Diego, Detroit, Los Angeles, Woshington)

Decisões desastrosas e equivocadas estão aí nas ciclovias inúteis; nos passeios largos e vazios; no excessivo número de sinais;  na falta de sincronia deles que não permite fluidez do tráfego propositadamente, e até  na propria escolha do BRT, como principal modal de transporte de massa, ao invés do monotrilho, recomendado por unanimidade pela engenharia.

O fato é que o cidadão belo-horizontino assiste passivo o caos tomar conta do trânsito da cidade e nao encontra respostas convincentes. Ouvindo o rádio, parado no trânsito é comum frases do tipo: “trânsito parado por causa do excesso de veículo aqui e acolá”. “130 km de engarrafamentos”. “Anel parado, com repercussões por todas a cidade”.

Mas o correto é: trânsito parado por falta de infra estrutura, sempre nos mesmos lugares.  até por que a tendência é que o número de carros aumente a cada dia, e não o contrário. Ouço de técnicos da SUDECAP e da BHtrans que não é a cidade que deve se adaptar aos carros, mas os carros a ela. E sou capaz de apostar que esses mesmos engenheiros seriam contra a construção do Tunel da Lagoinha se ele não existisse hoje. São explicitamente contra o desenvolvimento, míopes em relação a realidade que se apresenta ali fora. Sonham com uma cidade sem carros.

Presos ao preconceito e livres para continuar errando sistematicamente eles seguem alimentando-se de um modelo ideológico romântico, politicamente correto, incompatível com a realidade de BH e que está levando a cidade para o caos.

Com efeito, mais do que quebrar paradigmas, a cidade precisa de projetos, aproveitando se da sua topografia para construir trincheiras, túneis, viadutos modernos e obras de arte da engenharia que permitam fluidez, progresso e menos mediocridade.

Jose Aparecido Ribeiro

autor do Blog SOS MOBILIDADE URBANA

31-99953-7945

10 thoughts on “Erros primários cometidos pelo gestor do trânsito.

  1. Até que enfim alguém que tem percebeu as desastrosas conseguências da construção de ciclovias em toda a cidade de Belo Horizonte! Ainda não vi em nenhum trecho em que ela foi implantada que trouxesse benefício para a comunidade. As ciclovias só trouxeram transtornos para o transito e para o comércio, não trazendo nenhum benefício em contrapartida. A topografia da cidade não permite viabilidade do transito para bibicletas que justifique a sua existência. Para beneficiar quase ninguém, ela prejudica quase todo mundo que precisa transitar diariamente, seja de carro, ônibus, ou até mesmo de moto. Dinheiro mal investido, recurso mal gerido, planejamento mal elaborado.

  2. O grande problema do transito em BH são os caminhões e carretas que circulam nos horários de pico na avenida Cristiano Machado fazendo com que o transito não se desenvolva gerando um caos no local.

  3. Trabalho na BHTRANS e assino embaixo o que vc escreveu. Um dos exemplos é a Av. Dom Pedro I. No pico da manhã os ônibus que vem dos bairros demoram cerca de 40 minutos para acessarem a Estação Pampulha, em um pequeno trecho de 1,5 km! No processo de alargamento da avenida subestimaram o número de veículos, enquanto isso os passageiros dessas linhas ( 617, 717, etc) sofrem lá dentro. Sem contar em outras regiões..

  4. O BHTRANS sempre foi um cabide de empregos. Os ditos engenheiros de transito devem ter feito o curso por correspondência…É impossivel ver tantas burrices em um lugar só…..

  5. O que mais me incomoda no trânsito de BH é a falta de sicronização dos semáforos. Na Antônio Carlos, por exemplo os veículos para em um sinal após o outro, resultando em perda de tempo, imobilidade, consumo de combustível elevado e aumento da poluição.

  6. E as faixas de pedestres a cada esquina, se por ventura o motorista resolve parar (o que é muito difícil em BH), para também a via principal…

  7. Cada vez aumenta mais os engarrafamentos urbanos. Falta de estrutura e trânsito caótico é um de seus aspectos, colocar agentes de trânsito em um trânsito assim é insano pois adoece o agente e diminui a fluidez do trânsito . Precisamos repensar essa prática e buscar alternativas mais plausíveis

  8. Prezado José Aparecido, já comentei em outra matéria sua aqui que sem obras efetivas não teremos solução. Muito bem colocado por você quando diz que devemos aproveitar nossa topografia para obras viárias eficazes.

  9. Como sempre seus artigos esclarecem essa vergonha pública!
    Sou médica psiquiatra e vejo sequelas graves com piora crescente no diz respeito ao estresse de trânsito ,atrasos para chegar ao local da consulta e consequentes agravamentos dos quadros psiquiátricos .
    A imobilidade não é só mental
    Passou a ser motivo de absenteísmo e atrasos crônicos!!!!!
    Como cidadã acho vergonhosa a política da Bh trans e considero essa indústria um manicômio gerador de patologias diversas,principalmente agravamento de doenças mentais!!!
    Risco de vida para todos!
    A Bh trans e o Sr Prefeito mereciam um atendimento médico na periferia de Bh marcado para as 18 horas!!!
    Sem atraso !

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