Hipercentro de BH um território sem lei, e o Plano Diretor, o que ambos tem em comum?

A desordem tomou conta do hipercentro de Belo Horizonte. Poucas vezes na história a Praça Sete foi tão maltratada. Camelôs, toreros, lixo, passeios esburacados, desocupados vivendo de forma indigna, marginalidade, iluminação precária, contrabando e insegurança. Um olhar atento é suficiente para constatar a ineficiência do poder público sobre o espaço urbano que é da população, e não de alguns oportunistas que tomaram posse de marquises e passeios do hipercentro, na marra. Boa parte deles moradores de outras cidades.

O local tem importância histórica e merece respeito. O entorno do Obelisco (Pirulito) é o retrato do abandono, virou mictório a céu aberto, cheirando a urina e fezes. A porta do Cine Brasil Vallourec – importante centro cultural – tem postes de luz sem manutenção há mais de 2 anos. Hotéis tradicionais do centro convivem em suas portas com ameaças, comércio de cigarros falsos, engraxates, vendedores ambulantes e pontos de ônibus, obrigando hóspedes e visitantes a uma ginástica inimaginável.

O quarteirão fechado da Rua Carijós tornou-se local insalubre infestado de ratos, batedores de carteira, pedintes, desocupados vendendo de tudo, sem qualquer fiscalização, e a reboque da lei. O centro virou terra de ninguém com a autorização da prefeitura. Mas o que isso tem a ver com o plano diretor da capital que tramita na câmara municipal e pode ser votado a qualquer momento?

A secretaria de políticas urbanas, responsável pela “organização” do centro e que tem super poderes, depois de ter caído nas graças do prefeito Alexandre Kalil, é também autora da proposta de confisco de coeficiente de aproveitamento de terrenos e venda de outorga onerosa para construções. Este projeto, se aprovado, enterra definitivamente a construção civil, encerrando a possibilidade de edificações verticalizadas na capital, levando à economia de quebra a bancarrota e a possibilidade de uma crise sem precedentes.

Ironicamente, as mesmas pessoas que em nome da prefeitura autorizam a atividade ilegal de comércio nos passeios do centro, impedindo o direito de ir e vir da população e prejudicando frontalmente o comercio formal, admitem que existem mais de 130 mil desempregados provenientes da crise da construção civil. Dados da própria secretaria dão conta de que no hipercentro tem mais 3 mil ambulantes desempregados do setor construtivo.

Defendem camelos sob o argumento de que não podem pagar pela crise, e por outro lado criam leis que joga a construção civil na berlinda, aniquilando sua sobrevivência. A proposta de confisco de coeficiente e outorga cria mais um imposto para quem compra apartamento. Incoerência maior não há. Recusam a lógica do mercado, não com outra, mas com apelos ideológicos.

Enquanto isso, no mundo inteiro gestores públicos caminham lado a lado com a iniciativa privada, incentivando o comércio, os prestadores de serviços formais e a construção civil, que gera IPTU, ITBI, empregos, renda, impostos, e o progresso da cidade. Aqui, ao contrário impera a burocracia intervencionista e a insensatez. O recado é para os vereadores e para o prefeito, já que não existe diálogo na secretaria de políticas urbanas.

José Aparecido Ribeiro
Jornalista – DRT 17.076-MG
Blogueiro nos portais: uai.com.br – osnovosinconfidentes.com.br
Colunista nas revistas: Exclusive, Mercado Comum e Minas em Cena
31-99953-7945 – jaribeirobh@gmail.com

4 thoughts on “Hipercentro de BH um território sem lei, e o Plano Diretor, o que ambos tem em comum?

  1. Eu não irei dizer aqui nestas entrelinhas, que “fujam para as montanhas”, pois infelizmente, mas muito infelizmente mesmo, estamos nelas.
    É simples: quem tem amor por Belo Horizonte, que deixe-a. Em caráter urgente!
    Pois não há outra alternativa.
    Eu disse na eleição passada (minoritária) que votaria em Alexandre Kalil para que ele fizesse o favor de ENTERRAR BELO HORIZONTE. Eu tinha razão!
    Foi uma ótima escolha, ele está cumprindo com louvor, a temida profecia.
    E não precisa nem de Bonfim, Consolação, Saudade ou Paz.
    A cidade se enterra por si mesma.
    Era uma roça iluminada. Hoje, uma defunta apresentada.
    Eu diria também que enquanto aquela desprovida de sensatez, temerária, estroina, chamada Maria Caldas estivesse literalmente aboletada em algum gabinete “prefeitural” (desculpe a palavra estranha, mas ela é menos estranha que a própria Belo Horizonte) nós veríamos a decadência pairar constante na Cidade de Minas. Então…
    É isso o que acontece. Ela continua, não é mesmo?
    Belo Horizonte em essência, não existe mais.
    O que existe é um não-lugar ocupado por rudes, vândalos, selvagens, silvícolas, violentos, toscos, bárbaros, aborígines, incivis, etc…
    Pobre Silva Ortiz.
    Pobre Aarão Reis.
    Pobre Bernardo Monteiro.
    Pobre Juscelino Kubitschek.
    Pobre…
    Pobre…

  2. Fácil: é só os vereadores votarem pela reprovação da proposta! Ah não, “peraí”… tem quatro anos que o plano diretor está pra ser votado e nada! Será porque as propostas foram aprovadas pelo COMPUR? Ihh, falei demais, né?!
    PS: estou com tanta dó do “setor construtivo”. Ah não, “peraí” de novo: mas, o prefeito não é dono da ERKAL, aquela construtora do “setor produtivo”? Por acaso, isso é o mesmo que cuspir contra o vento?

  3. É muito triste em ver este caos em que nossa capital esta passando,pior ainda na pç. da Savassi cartão postal de BH vou cedo ao trabalho vejo tanto lixo nos passeios, morador de rua, já aconteceu em pisar em fezes. Nossa cidade não merece isso.

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