Hotelaria de BH sob o efeito dos numeros divulgados…

Existem duas forças com interesses antagônicos brigando em Belo Horizonte pelo mesmo tema: Hotelaria. De um lado os representantes da hotelaria tradicional e familiar que domina o mercado ha décadas e que não querem concorrência. De outro, as construtoras e as grandes redes internacionais que chegam para mudar o cenário e profissionalizar o setor. Ambas sendo influenciadas por números que não representam a realidade e que deixa o assunto cada vez mais confuso. Belo Horizonte tem, segundo a principal e maior fonte de consulta de viajantes e agentes de viagens, (O GUIA 4 RODAS), 56 hotéis classificados. São 8,2 mil quartos, sendo metade de qualidade abaixo da critica. Os números divulgados pelo IBGE não representam o cenário real e consideram prostibulos motéis e hotéis de cidades vizinhas como integrantes do inventario da Capital, o que é um equívoco perigoso e desastroso para o setor. Imagine um hóspede hospedado em Caeté, tendo que se deslocar todos os dias pela BR 381, ou mesmo em Congonhas, tendo que trafegar pela BH 040 todos os dias para chegar em BH? Que imagem ele levará de Belo Horizonte? Quem vive no meio sabe que basta um evento de médio porte para a hotelaria da cidade entrar em colapso, obrigando executivos e turistas a um malabarismo pouco recomendável para uma cidade que pretende ter no turismo um dos seus carros chefes na geração de emprego e renda. Considerar motéis, prostíbulos e hotéis de cidades vizinhas como opções de hospedagem para hospedes a trabalho, lazer ou eventos em Belo Horizonte è desconhecer o assunto e subestimar a inteligência alheia. A cidade precisa de novos hotéis e eles estão vindo para revolucionar o mercado, já que 90% deles chegam chancelados por grandes redes internacionais. Com efeito, perguntar para ABIH(Associação Brasileira da Indústria de Hotéis) o que ela acha deste novo cenário é o mesmo que perguntar para a TAM e a GOL se elas querem a concorrência internacional na aviação nacional, chega a ser patético. Como executivo de hotelaria com 25 anos de atuação em hotéis locais e grandes redes internacionais, tendo sido presidente da ABIH MG por dois mandatos, atualmente atuando como consultor neste seguimento, posso afirmar que os números apresentados nos dois lados pela ABIH e pelo IBGE (novos empreendimentos e oferta de leitos atuais) estão completamente equivocados e não representam a realidade dos fatos. A cidade corre o risco de ter interrompido vários dos empreendimentos que dependem de investidores individuais, os chamados pool hoteleiros, em virtude de um movimento contra os novos empreendimentos. Movimento cuja a liderança se dá por quem não poderia jamais falar em nome da hotelaria, já que é parte interessada e teme pela concorrência qualificada. O fato é que haverá uma substituição natural do inventário hoteleiro da cidade, não só em números, mas sobretudo em qualidade e profissionalismo, o que é extremamente positivo para a Capital. Reafirmo que as forças que militam contra a nova hotelaria, apesar de legítimas, militam também contra o desenvolvimento da cidade, o que sugere reflexão e clareza nas informações veiculadas pela imprensa local.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor Especializado em Hotelaria

Ex-Presidente da ABIH MG e Membro Fundador do BHCVB.

31 9953 7945

CRA MG 0094 94

 

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