Na Pampulha, usam bala de canhão para matar pardais: Imbróglio dos hotéis.

Os moradores da Pampulha estão usando bala de canhão para matar dois pardais, e tiro de chumbinho, para eliminar um elefante. Belo Horizonte é uma cidade surpreendente em todos os sentidos e não é por acaso. Vale mais a altura do grito do que a causa em si. A alegação de que a construção de dois hotéis abriria precedente para a verticalização da Pampulha é desprovida de fundamentação. A Lei que permitia a edificação de hotéis era específica e não vale para empreendimentos que não fossem hospitais ou hotéis. Tinha prazo para terminar e não serve mais. Mesmo com a insistência do MP, que age motivado por influencias ou por falta de informação, o Tribunal de Justiça reafirmou a decisão de primeira instancia e ratificando que os hotéis podem ser erguidos, mesmo sem clima e sem a credibilidade de investidores amedrontados que correram do negócio. Com efeito, o imbróglio em si vale menos do as suas motivações. O que deveria ser motivo de passeatas e mobilizações de cidadãos de toda a capital, inclusive e principalmente os da Pampulha, incluindo as Associações de Bairro e os vereadores é a FEDENTINA que toma conta da lagoa, e não a construção de dois prédios de hotéis que causariam pouco ou nenhum impacto. Quem acha que um hotel gera transito ou qualquer impacto ambiental, não conhece o dia a dia de um e deveria conversar com quem é vizinho de hotéis em outras regiões da cidade. Neste episódio, mais uma vez valeram as especulações, as emoções e menos a razão. Se existe um local em que os hotéis seriam recomendáveis, é exatamente onde eles estão sendo preteridos, a Pampulha, que é local de turismo e cartão postal da cidade. Isso só acontece em uma cidade onde o poder público finge de morto, quando deveria usar o poder que lhe foi conferido pelo voto. O medo da exposição e a mediocridade mais uma vez ficaram evidentes em um tema controverso. Não é por acaso que a “metrópole” anda a passos de tartaruga e está prestes a entrar em colapso. Os interesses políticos são maiores do que os da cidade e seu desenvolvimento. Políticos e lideres comunitários que agem pela emoção e não pela razão, só trazem prejuízos para o conjunto da sociedade. Lamentável a dimensão que este  imbróglio tomou sem necessidade. Está faltando razoabilidade e sobrando passionalidade, por todos os lados.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos

Ex Presidente da ABIH/MG

31-9953-7945

CRA MG 0094/94

 

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