O papel da imprensa neste momento de definição de nomes para a sucessão Municipal deveria ser de menos Holofotes…

A Imprensa tem desempenhado um papel importantíssimo neste momento histórico de expurgo das práticas anti democráticas no Brasil, ao não poupar ninguém de envolvimento em falcatruas e ilícitos, seja na política ou mesmo na sociedade. Não fosse ela, o que aparece e nos deixa estarrecidos, seria facilmente varrido para debaixo do tapete, por uma justiça omissa e muitas vezes leniente. Contudo, todas as vezes que abro os jornais, vejo fotos dos possíveis candidatos a Prefeito de Belo Horizonte, com destaque para o atual, anunciando o próximo pleito eleitoral e suas possíveis composições. Ele ou algum dos seus articuladores ganham destaque nas primeiras páginas dos 5 principais jornais da cidade, pelo menos 3 a 4 vezes por semana. Nenhum mal teria se o político “socialista” não fosse candidato no próximo pleito de outubro de 2012, daqui a 400 dias.

 

Percebo também que o cenário vai sendo desenhado como se tudo já estivesse decidido. Cabendo ao povo, apenas o endosso para ratificar o desejo de meia dúzia de "iluminados", inclusive líderes e donos de partidos. Tudo isso com o aval desta imprensa que defende a ética as boa práticas e deveria ser imparcial. Todas as vezes que se vê retrato de futuros prováveis candidatos, especialmente os que estão em pleno exercício do poder, como possíveis vencedores de um pleito que vai acontecer daqui a mais de um ano, é uma forma de manter o "status quo" e de dar um "tapinha nas costas" do eleitor dizendo para ele que não existe nada melhor do que o que está ai. Traduzindo, isto que está aí, é o que recomendamos, veladamente.

 

A 400 dias de uma eleição, o que e os políticos e seus assessores deveriam estar fazendo é trabalhando para melhorar a vida das pessoas e não participando de campanhas antecipadas com o aval da mídia. Se necessários, que isso fosse feito nos bastidores em horário oportuno e a boca miúda. Cabe a imprensa, zelar pela igualdade de condições, mantendo assim a possibilidade de novos Cidadãos se interessarem pela política. Ao dizer que a eleição de fulano de partido A ou B é dada como certa, da-se um banho de água fria naqueles que possuem vocação e gostariam de contribuir com a Cidade, que diga-se de passagem, está precisando de opções e se possível, de idealistas visionários. O último que passou por aqui foi JK…

 

O problema é que a maioria das pessoas de bem, que ainda tem interesse em fazer algo para melhorar a vida da Cidade através da política, não dispõem de recursos para um eleição, que todo mundo sabe, é decidida pelo montante de investimentos, e não por mérito de homens comprometidos com a nossa "Pólis". Sem querer entrar no mérito da liberdade de imprensa, especialmente por saber que temos homens responsáveis e competentes no comando dos jornais, e resguardando a autonomia que é inalienável e princípio de povos civilizados, sobretudo os Republicanos, acho que os editores de jornais, especialmente os 5 principais, deveriam ficar mais atentos com a propaganda que fazem antecipada e gratuita para muitos políticos que não merecem, reproduzido por vezes o que pretende alianças políticos que estão no poder com a máquina e o prestigio para influenciar a cabeça do eleitor, a tempos… Estão aí e não estão dando conta das demandas, basta andar pela cidade.

 

Se a propaganda é permitida somente 120 dias antes das eleições, o correto seria que as especulações e movimentações político partidários ocorressem também neste período, e não agora como estamos assistindo. Para a maioria do povo que decide as eleições e é pouco informado, jornal e pesquisas não erram, e isso faz valer a tese do voto útil, barrando a entrada de sangue novo capaz de arejar a política, que anda desacreditada. Com efeito, enquanto isso nossas ruas estão entupidas de carros em um transito que não flui, tornando o tema um problema de saúde publica. 

 

Nosso ônibus continuam os mesmos de 60 anos atrás e as obras que a cidade deveria ter feito a 20 anos, (mais de 150), continuam ai servindo de bandeira política para os que aproveitam da oportunidade e resolvem pouco, pois estão concentrados de 1 em 1 ano, em eleições. Trabalham um ano e fazem política no outro. As Gerais e as locais, já que o calendário eleitoral é de 2 em 2 anos. Recebem para trabalhar 4, mas de fato servem ao povo em 2 anos apenas. Mais cautela e menos especulações deveria ser a conduta de uma imprensa livre e responsável. Respeitosamente e humildemente, fica a sugestão para os editores dos 5 principais jornais de Belo Horizonte, que são canais que gozam da confiança dos eleitores, os autômatos e até mesmo os autônomos.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos e Transito

ONG SOS Mobilidade Urbana

CRA MG 0094 94

31-9953-7945

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