Passeios mais largos, e ruas mais estreitas: o resultado é caos no trânsito da cidade inteira.

É provável que o amigo leitor nunca tenha ouvido falar em congestionamento de pedestres na cidade de Belo Horizonte, mesmo na região central onde circulam 1,5 milhões de pessoas todos os dias. Não entendeu? Eu explico: Não há nada que justifique alargamento de passeios, em detrimento de ruas mais estreitas, se não uma leitura equivocada da realidade.

Ao contrario, BH precisa urgentemente de ruas que deem fluidez ao tráfego e corredores capazes de atravessar a cidade sem cruzamentos em níveis. A inversão da lógica que alarga passeios e estreita ruas não muda o comportamento das pessoas, pois a cada dia mais carros são incorporados a paisagem urbana. Isso não é suposição, é fato comprovado.

Lembro que carros não são conduzidos por et´s, mas por cidadãos que tem o direito de comprá-los e usá-los como bem entenderem. Essa tentativa velada de exorcizar o carro, diminuindo a largura das ruas, estreitando cruzamentos é uma ação desastrosa que não considera o desejo da população e que vai custar caro aos cofres públicos no longo prazo.

A ideia é importada da Europa por urbanistas que insistem em achar que são portadores da verdade. Eles desconsideram a realidade e tentam dizer o que é o melhor para o conjunto da sociedade. Comportamento típico de esquerdistas que acham que o povo não tem capacidade para fazer escolhas e precisa de um pai chamado governo.

Enquanto passeios ficam mais largos e as ruas mais estreitas, motoristas seguem cada vez mais estressados no pior trânsito do Brasil, segundo pesquisa da Im Traff, empresa especialista em engenharia de tráfego e transportes, sediada aqui mesmo na capital. Hoje são 165 km de engarrafamentos nos horários de pico, em breve, se não houver investimento em infraestrutura e transporte de qualidade, serão 265 km.

Os exemplos que ilustram esta inversão despropositada começam pelo projeto MOBICENTRO, da BHTRANS, na região central da capital que esta sendo praticamente fechada para carros, a força. Todas as entradas do hipercentro foram afuniladas em duas ou três pistas de 2,8m de largura, ainda que importantes corredores atravessem a região e o motorista não tenha alternativas de rotas. O Boulevard Arrudas tem passeios de 8m vazios, e pistas de 3,6m entupidas.

No Belvedere os passeios tem 6m de largura e as pistas 3,6m, um funil impraticável. Em frente ao BH Shopping, tem uma praça com 23m e uma via estreita recebendo fluxo dos condomínios de Nova Lima. Caos a qualquer hora do dia. No Buritis, na Av. Mário Werneck, reduto da BHTRANS, os passeios tem o dobro de largura das pistas e o trânsito é desesperador a qualquer hora do dia ou da noite.

Na Av. Pedro II continuando na Tancredo Neves o canteiro central tem 15m e as pistas laterais não suportam mais o volume de veículos que passam ali em direção a mais de 20 bairros. Na Av. José Cândido da Silveira, tem um canteiro central com o triplo da largura das pistas laterais sempre abarrotadas de veículos. A Savassi virou território vazio, comércio quebrado, ruas e avenidas impraticáveis.

Tudo isso para atender caprichos de servidores que ignoram o desejo da população, e copiam modelos. Não de sacrifica espaço de ruas estreitas em uma cidade que emplaca 180 carros por dia. Elas deveriam ser alargadas onde passeios servem de enfeites. A cidade tem mais de 200 GARGALOS esperando por obras.

Portanto, mais do que desrespeitar o direito de ir e vir da população que optou pelo transporte individual a PBH, a BHTRANS e a SUDECAP praticam crime de DISCRIMINAÇÃO. Cidadão a pé, de ônibus, de bicicleta ou de carro, deveriam receber o mesmo tratamento.

José Aparecido Ribeiro
Jornalista – DRT 17.076 – MG – Blogueiro nos portais: uai.com.br – osnovosinconfidentes.com.br
Colunista nas Revistas: Exclusive, Mercado Comum, Minas em Cena e Entrevias
31-99953-7945 – jaribeirobh@gmail.com

28 thoughts on “Passeios mais largos, e ruas mais estreitas: o resultado é caos no trânsito da cidade inteira.

    1. Márcio,

      já não acredito em metrô aqui em BH, muito pelo alto custo, mas VLT (veículos leves sobre trilhos) seria uma boa alternativa para incentivar mais o uso do transporte coletivo em detrimento ao transporte individual. Sabemos que esse é um direito de todos, mas os recursos viários são finitos e por mais viadutos e ruas que se abra, sempre haverá mais carros que o suportável nas ruas.

      Eu acredito muito nos VLT’s, uma melhor educação no trânsito por parte da população em si e mais incentivo para trasporte de massa. Infelizmente, em BH temos um transporte público de péssima qualidade e caro, isso é um fator desmotivador para sua utilização.

      Acredito também na possibilidade de transporte ativo, seja por bike elétrica ou não, bem como uma junção de modalidades. Porém, isso é um tema muito complexo e as nossas políticas públicas são voltadas apenas para tumultuar ainda mais as ruas e aqueles que se aventuram de forma diferente, de bike por exemplo, são vistos como estorvos e muitas vezes sofrem agressão dos péssimos motoristas que temos em BH que não usam setas, avançam sinais vermelhos, não respeitam faixas de pedestres, não respeitam paradas proibidas e etc.

      Temos que assumir um pouco a nossa culpa também e não jogar tudo para os órgãos públicos.

  1. Exatamente!
    Os “novos ricos” construíram prédios e condomínios enormes em Nova Lima para sair do centro da cidade. Compraram suas SUVS de 120 mil reais, mas não pensaram no crescimento desordenado.
    Agora estão em apuros.

  2. Se todos os dias, ao vir trabalhar no horário de pico, eu visse carros com seus lugares plenamente ocupados até concordaria com seus argumentos. Mas o que vejo diariamente são carros cada vez maiores (a modinha dos SUVs), ocupados apenas pelo motorista e enchendo cada vez mais nossas vias com menos pessoas sendo transportadas.

    1. Leandro,

      outro fato que me chama a atenção diariamente nas ruas de BH é a quantidade de veículos parados em fila dupla, estacionados em locais proibidos (ponto de ônibus forçando o ônibus a não fazer o recuo necessário), avanços de sinais, cruzamentos fechados por motoristas que não podem ver um sinal amarelo, etc, etc. etc, etc.

      Se as leis de trânsito fossem respeitadas, o caos do trânsito em BH seria menor. Óbvio que tem questões incompreensíveis como conversões à esquerda (que são pensados em economizar o tempo do motorista) que só atrapalham ainda mais a situação.

      Lembrando que só se fecha um cruzamento por que o motorista não quer esperar 30 segundos e acha que atrapalhando a vida de muitos, a sua estará bem. O famoso “farinha pouca, meu pirão primeiro”

      O egoísmo no trânsito só traz consequências para os próprios motoristas.

  3. o problema das pessoas é que querem que o poder público resolva os problemas criados por elas mesmo.
    O cara mora na PQP, onde não tem ônibus, não tem metrô, nem ciclovia. Aí o cara tem que pegar um carro. Ajuda a entupir as vias e vai reclamar do poder público que não resolve o problema dela.
    O cara mora em um local sem estrutura alguma, geralmente uma invasão, aí quer que o poder público coloque rua asfaltada, luz, água etc, porque a culpa não é dela que invadiu, mas do poder público.
    Eu moro perto do meu serviço. Meus filhos estudam perto da minha casa. Resultado: vamos a pé para os principais compromissos do dia-a-dia. Agora, nego quer morar no bairro A, trabalhar no B e colocar os filhos no C. Parabéns! Agora reclame que o poder público não melhora as vias para o seu carro trafegar.

    1. Isso é fácil de resolver meu caro Gil.É só o governo declarar sua incompetência como administrador,demitir esses funcionários públicos incompetentes,travestidos de “técnicos”,que só sabem receber altíssimos salários pelos grandes serviços prestados à população nesse cabideiro de empregos que virou o serviço público.Vamos ser mais humildes.Vamos escutar mais o povo,que ao fim e ao cabo,é quem sofre com as decisões desses tais gestores de meia tigela e pior,ainda paga a conta.

    2. Gil, é verdade também que a prefeitura é conivente com a criação de loteamentos clandestinos, irregulares ou mal planejados. Medidas populistas e lobby de empreiteiras e empreendimentos imobiliários fazem proliferar bairros sem qualquer contrapartida em infraestrutura (pavimentação, iluminação, rede de esgoto, etc.). Já contando com a fiscalização deficiente e transferindo para o poder público a obrigação de soluções que seriam de responsabilidade dos empreendedores, esses empreendimentos faturam uma fortuna mas rateiam os custos com toda a população. Exemplos na capital não faltam: desde a “doação” de lotes pela prefeitura no Taquaril pelo ex-prefeito Sérgio Ferrara até bairros nobres como o Buritis e Castelo. Diferentes economicamente, iguais nos problemas. Outro exemplo, a revisão do plano diretor de BH, uma obrigatoriedade prevista no Estatuto das Cidades e no próprio plano diretor, aguarda aprovação da Câmara há 4 anos. A revisão foi aprovada pela Conferência Municipal de Política Urbana e está empoeirando nas gavetas dos nobres vereadores. Há dúvida da atuação do lobby do setor imobiliário? Não parece nem é evidente para todos, mas a cidade perde muito ao atender a setores e classes específicos. Sempre que se age assim na gestão pública amplia-se ou reforça-se privilégios de grupos, quase sempre os economicamente melhores.

  4. Pois eu adoro o trânsito de BH.
    Paradinho, aquela buzinação infernal, parecendo cidade grande.
    Só parecendo, ok?
    Se a cidade fosse propriedade minha, o que – infelizmente – não é, pois seria uma metrópole infinitamente, absolutamente e superlativamente desenvolvida e dinâmica, sem essas “frescurices” e “antipatizites” da BHTranstorno, eu MANDARIA, na extensão mais completa da palavra, construir um conjunto de viadutos e transposições na altura da Via Expressa, no Coração Eucarístico, CorEu para os íntimos.
    Um jogo de binário de túneis e viadutos ligando perfeitamente a Avenida Dom Pedro II, debaixo da Rua Pará de Minas vindo alcançar a Avenida Tereza Cristina.
    Mais um jogo de viadutos e passagens inferiores ligando a Avenida Tereza Cristina e a própria Via Expressa.
    E mais um jogo de viadutos interligando a Rua Conde Pereira Carneiro ao Coração Eucarístico, CorEu para os íntimos.
    Depois, eu ORDENARIA interligar a Avenida Presidente Carlos Luz (aquele presidente da República intransigente e infeliz de três dias, que horror!) com a Avenida Tereza Cristina, por meio de um binário de túneis e viadutos perfeitamente encaixados e dinâmicos, acessando à Pampulha e à Avenida Dom Pedro II, evitando cruzamentos desnecessários com a roceira Rua Padre Eustáquio, aquela rua em que você sai de uma loja qualquer e um ônibus passa alisando o seu nariz.
    Gostaram das minhas primeiras providências?
    Gostou Aparecido?
    Pois é.
    Como isso não é possível, pois a cidade não é minha e o povinho dela só pensa do seu exato tamanho – pequeno, a única coisa mais provável que eu posso recomendar para vocês, pobres belo-horizontinos anormais e mortais é: ATURA OU SURTA!

      1. Olha, sabe que não…
        Congestionamentos é o que temos, na lerdeza da “sua” Prefeitura.
        Mas, como eu disse em meu comentário, a cidade não é minha e o povinho dela só pensa do seu exato tamanho – pequeno, então, a única coisa mais provável que eu posso recomendar para vocês, pobres belo-horizontinos anormais e mortais é: ATURA OU SURTA!

  5. Vou tentar não me estender. Por achar desnecessário, diante do artigo em questão que relata a realidade nua e crua no que diz respeito a (i)mobilidade que somos obrigados a conviver, enfrentar e sobreviver todos os dias em nossa Cidade!
    Lendo comentários anteriores eu pergunto: Estas pessoas moram ou ao menos transitam por BH? !!
    Elas não possuem carro (eu particularmente, dúvido)!!
    Ou há interesse de ordem pessoal ao contradizer o óbvio!!!!
    Apenas consigo entender o apelo do senhor que com bravura se desloca de bicicleta pela cidade. Uma exceção. E ele mesmo cita as inconveniências da sua escolha. Além da topografia e clima desfavoráveis, pontos inquestionáveis sempre citados por você José Aparecido. As ciclovias malllllll planejadas, ou melhor dizendo , em sua maioria realizadas sem responsabilidade, sem comprometimento e sem a mínima competência, logicamente não agregam em nada para a possibilidade de escolha deste meio de transporte.
    Mais uma vez “obrigada”, por ser porta voz da população!!
    Não digo isso em meu nome. Não sejamos hipócritas… Você apresenta dados técnicos; soluções viáveis que só apenas quem estuda e domina o assunto pode fazê-lo. Mas não precisa ser nenhum especialista para estar de acordo com todos os seus artigos relacionados ao tema.

    1. Ana Maglioni,

      não que eu queria colocar lenha (a gasolina está muito cara) na fogueira, mas te garanto que a topografia não incomoda tanto após 2 meses pedalando e até mesmo o clima ajuda muito, pois temos mais período de sol que de chuva. Suar faz bem, coloca impurezas para fora e nos refresca nos dias mais quentes.

      Eu te garanto que, atualmente, chego mais suado para trabalhar quando venho de ônibus que quando venho de bicicleta, o carro pra mim deixou de ser uma opção quando percebi o quanto eu era infeliz dirigindo.

      Quando na empresa que eu trabalho não havia um vestiário, eu tomava um famoso “banho de gato”, com dizemos no interior, e mesmo assim trabalhava mais cheiroso que muitos que vinham de ônibus. Nada que uma toalhinha molhada pelo corpo, um desodorante, um perfume e roupa extra não resolva.

      Acredite em mim, se dê a oportunidade e em poucos meses você verá que passamos muita raiva ao volante que pode-se evitar facilmente.

      Ao contrário do que se prega, não é necessário ser atleta para pedalar em BH. Vejo, diariamente, muitos ciclistas barrigudos e eu mesmo quando comecei a pedalar estava com quase 110 kg. Com a saúde bem debilitada e tomava muito remédio para estresse. Atualmente tenho 14% de gordura corporal e não tomo remédio algum.

      Permita-se!

  6. Os comentários aí acima refletem a opinião de quem critica o colunista por estar ultrapassado nas idéias, esquecendo de que, quando as cidades mais importantes da Europa (e eu conheço a maioria, porque vivi lá), optam pela restrição das áreas centrais ao trânsito de veículos, elas primeiro resolvem o problema viário, por meio de obras que desviam o tráfego, e FACILITAM a vida do motorista. Tomar uma filosofia válida, que é priorizar o pedestre, sem contudo lhe dar alternativas de locomoção, obrigando-o a andar em ônibus que são um atentado aos que necessitam se locomover por esta cidade despreparada, fingindo ter um metrô que não atende 10% da população e construindo ciclovias numa cidade sem a topografia adequada, limitando seu uso a jovens atletas e esquecendo que a população é constituída de pessoas que não tem fôlego para subir morros sob um sol de 35 graus (desafio a me dizerem qual capital da Europa com a nossa topografia prioriza ciclovias), é tapar o sol com a peneira, e fazer o que todo órgão público dominado por político, princialmente de esquerda, sabe fazer: jogar para a plateia!

    1. Obrigado por me chamar de jovem e atleta….rs… Tenho 40 anos, 90 kg e pedalo 18 quilômetros diariamente para ir e vir do trabalho.

      Acredito que a crítica ao uso da bicicleta está mais alinhada à preguiça de fazer atividade física que as dificuldades das ladeiras realmente. Mas é apenas minha opinião.

      1. Concordo com vc. Tenho 42 anos e pedalo regularmente. Meu sonho é uma ciclovia que ligue minha residência ao trabalho (15kms) pois acho muito inseguro enfrentar a Av. Antônio Carlos de bicicleta no meio dos carros e ônibus. Quem reclama de subida pra bicicleta ou é preguiçoso ou tem uma barraforte sem marchas até hoje.

  7. Priorizar as máquinas em detrimento ao ser humano é , sem dúvida, insensatez. As empresas automobilísticas têm que , se quer vender seus carros, particitarem de investimentos nas construções de trincheiras e viadutos. Não é sacrificando o pedestres que o problema terá uma solução. Outro caminho é a proibição de veículos nos centros das cidades, com exceção de ambulâncias, ônibus, polícia e táxis. Caso contrário, é enxugar gelo.

  8. Blogueiro, você está se superando a cada dia! Você viajou pelos Estados Unidos, deve ter viajado pela Europa também, mas recusa-se a perceber o óbvio: os exemplos de países do primeiro mundo, status ao qual os brasileiros sonham um dia viver, estão exatamente na contramão (desculpe o trocadilho!) de tudo que você diz em relação à mobilidade urbana e, em particular, o uso do automóvel.
    Nas faculdades de Administração, fato comum é afirmar que o Brasil está dez anos atrás do mundo desenvolvido. Nada poderia ser mais verdadeiro! E você, blogueiro, é um genuíno exemplo! A Europa há anos está revendo toda sua política de uso do automóvel e implementando cada vez mais medidas restritivas, por diversos motivos. Nós, ao contrário, agora que podemos comprar carros em suaves prestações, estamos seguindo a cartilha do mundo desenvolvido mesmo conhecendo as consequências, já que a Europa já passou (e ainda passa!) por todo o caos que vivenciamos diariamente. Parece piada: vemos a casca de banana no chão e conscientemente sabemos que vamos escorregar nela! Poderíamos desviar, mas é inevitável, não é?
    Já disse em posts anteriores que só você não entendeu até agora (na verdade, você entendeu, mas faz lobby para cadeia automotiva, né?) que a PBH deixou claro em seu projeto estratégico que vai investir numa cidade para pessoas, antes dos carros. Talvez, tenha cansado ou entendido que de nada adianta gastar milhões em obras de alargamento de ruas cuja repercussão dura minutos, pois logo já está entupida de carros novamente. Seu pensamento está cristalizado! Não vai mudar nem vendo a realidade. Como pensador que se autointitula especialista em mobilidade, você já deveria estar com ideias à frente do seu tempo. Ao contrário, apenas olha para o passado! Paciência, quem sabe os leitores tenham as mentes mais abertas e estejam dispostos a pensarem fora do óbvio.
    PS: A Imtraff já trabalhou para a BHTRANS.

    1. Adorei saber a proposta da Prefeitura de Belo Horizonte, de “investir numa cidade para pessoas, antes dos carros”.
      Interessante.
      Não faltou nem combinar com os “russos”.
      Só faltou combinar mesmo, é com os próprios belo-horizontinos, os luzienses, os nevenses, os contagenses, os novalimenses, os sabarenses, os vespasianenses, os lagoa-santenses, os confinenses, os setelagoanos, os betinenses, os esmeraldenses, e por aí vai…
      Faltou combinar imediatamente também com todo mundo que faz auto-escola e marca exame de legislação e direção, pra tirar habilitação de motorista, pra dirigir carro sabe?
      Ah, não.
      Não sabe… É pra enfeitar a carteira.
      E pra mostrar uma identificação com foto no dia de eleição.
      Não pra dirigir.
      E mais ainda, adorei saber que a Prefeitura de Belo Horizonte, no auge de sua lucidez, na sua imensa vontade de “investir numa cidade para pessoas, antes dos carros”, proporciona um transporte público perfeitamente integrado, eficiente, eficaz, moderno, seguro, pontual e módico.
      E mais – mais – ainda, adorei – adorei – saber que a Prefeitura de Belo Horizonte, no auge de sua lucidez lúcida, na sua imensa vontade voluntariosa e compromissada de “investir numa cidade para pessoas, antes dos carros”, proporcionará um futuro em que o município será todo plano, onde poderemos andar de uma forma livre e desimpedida, de modo que a Serra, não será Serra mais e o Alto das Mangabeiras, não será mais Alto das Mangabeiras mais, e eu não terei que “subir Bahia e descer Floresta”, tampouco ficar triste logo no princípio da Raja Gabáglia pois ela ficará tão plana que eu enxergarei o BH Shopping através dela, pois todas essas regiões citadas, elas estarão favoravelmente planificadas.
      Impressionante!

      1. Arnon, se você não votou no governo municipal anterior ou neste que está aí, suas críticas até fazem sentido, apesar de que a maioria que os elegeram assim ratificaram os planos de governo. Caso contrário, você endossou as propostas colocadas pela Prefeitura. Se não sabia foi porque se informou pouco. Fique atento!
        E se ainda não entendeu, esclareço: quando afirmo que se a administração decidiu investir numa cidade para pessoas antes dos carros significa que decidiu priorizar o planejamento urbano voltado para outros modos de deslocamento que não o do automóvel privado e individual. Repito: priorizar! Busque o significado no dicionário se ainda não entendeu. Isso não significa “endemonizar” o carro ou eliminá-lo, apenas que não será privilegiado com ações de governo em detrimento dos outros modos de deslocamento. Uma transformação desse tipo não se implementa do dia para noite. Ainda mais que a indústria automobilística é fortíssima, especialmente em alimentar a imagem do automóvel como sonho de consumo do brasileiro. De qualquer forma, a transformação começa na forma de pensar e em seguida se materializa no comportamento. Soluções diversas estão aí, aos poucos sendo implementadas: UBER, MOVE, ciclovias, bikes do Itaú, da Yellow…

    2. Então o projeto da BHTRANS é “investir numa cidade para pessoas, antes dos carros”????
      Será que os carros passaram a ser dirigidos por macacos e eu não percebi?

      Acorda Evaldo e pare de reproduzir besteiras. Estamos em BH, o transporte público é uma porcaria, nossa linha de metrô (que não é metrô) tem menos de 30 km de extensão e nenhum político ou planificador tem o direito de nos forçar a encarar essa situação terrível se temos uma opção mais confortável na garagem.

      1. De fato, Alex, obrigado ninguém é. Mas, a prefeitura também não é obrigada a trabalhar ou atender aos caprichos apenas de quem tem ou quer ter carro. Na cidade, há muito mais pedestres (aliás todos somos, mas condutores apenas uma parte) cujas condições de circulação são infinitamente mais precárias que as proporcionadas para os carros. Estes encontram vias mais planas e espaçosas que calçadas disponíveis para as pessoas (repare que há locais com viadutos somente para carros, e não tem travessias para pedestres). Se todos somos pedestres (se bem que parece haver pessoas que tomam banho de carro, né? não desce dele para nada!), por que as vias são melhor planejadas para os carros? (e não afirmo aqui que são vias ótimas, apenas proporcionalmente melhores para os carros que para as pessoas).
        E claro que o transporte público deveria ser melhor, mas se continuarmos com um modelo de desenvolvimento urbano que privilegia o automóvel como teremos transporte público de qualidade?

    3. Muito lindo, esse conceito de “uma cidade para mais pessoas e menos carros”. Os super competentes técnicos, nos devaneios de seus caprichos, como disse muito bem o autor, cometem erros bárbaros, de uma lógica de macacos. A primeira delas é discriminar o automóvel e dificultar sua circulação da maneira mais imbecil possivel: obstáculos físicos e sinais de transito a cada 50 metros ou mal posicionados, Pontos de paradas de ônibus justamente onde o corredor para os carros é mais estreito, retornos á esquerda com ilhas e calçadas que forçam os veiculos a interromperem o fluxo contrário, viadutos que não se justificam, pelo pouco movimento, etc etc etc. São centenas de exemplos de péssima engenharia ou teoria, cidade a fora. Tudo isso aliado a um péssimo serviço de transporte público e a uma geografia irregular. A cidade precisa privilegiar o fluxo rapido de pessoas e transito e não de um..em detrimento do outro e forçadamente.

  9. Quem dera o motorista de BH respeitasse quem optou por fazer o transporte ativo. Diariamente sou espremido, fechado, xingado, etc. por motoristas pelo simples fato de eu tentar chegar ao meu trabalho de bicicleta. Eu não tenho culpa se dos 8,9 quilômetros que eu faço diariamente, apenas 2,1 quilômetros ter ciclovia.

    E, assim como quaisquer veículos, eu sou obrigado por lei a andar nas ruas e no mesmo sentido de direção que os demais, sejam motorizados ou não. Lembro que, como eu tenho carro, eu poderia ser mais um a ocupar vagas, poluir o ar, causar acidentes, passar raiva, viver estressado, etc.

    1. a BH trans desrespeita um direito básico da nossa constituição, que é o direito de ir e vir, é um caso de policia ou de justiça?
      É incrível pensar que a BH trans restringe o nosso espaço de circulação e dúvida que o numero de veículos nas ruas e cada vez maior, protege descaradamente a sete familas que controlam o transporte coletivo a cada cem anos, permitiu que essas mesmas familias impediram a construção de um metrô subterrano alegando aquela época que iriam perder passageiros, Sugiro a criação de uma comissão para que sejam apuradas taís barbáries. e os responsáveis por isso não andam no solo mas andam no ar em helicópteros!!!!!!!!!

    2. O problema são essas idéias bonitinhas vendidas muito bem embaladinhas a preços astronômicos que muitas pessoas compram sem sequer saber o que estão comprando, acreditando é claro que a adesão dessas idéias as tornarão pessoas melhores, mais humanas e com uma vaguinha garantida no céu! Um dia ainda vamos pagar novamente por todas essa obras só que pera desfaze-las. Pra quem acha que andar de bicicleta ou fazer parte desse movimento de desurbanizacão é um bem para a humanidade certamente não pensa no mal que as pessoas passam por vêem o dinheiro de impostos serem mal utilizados, trânsito caótico diariamente inclusive aos finais de semana, brigas do trânsito e toda sorte resultante de processo. Afinal de contas o quê é mais grave, uma batida entre carros, entre ciclistas ou pedestres? Arrisco a dizer que esse movimento ideológico urbano já está produzindo uma vontade incontrolável das pessoas não frequentarem mais a cidade, e a médio/ longo prazo suspeito que será capaz de produzir um êxodo urbano. Talvez você esteja pensando que eu sou uma pessoa insensível ou algum quê só pensa em dinheiro, mas lhe afirmo, não sou. Andei de bicicleta 10 anos ininterruptos nunca sofri acidente, tão pouco me senti constrangido por motoristas aqui mesmo em B.H. Hoje não o faço mais devido ao meu tipo de trabalho, se pudesse ainda o faria com certeza porém jamais ficaria lamentando a ausência de ciclovias, ou falta de espaços no trânsito. Aliás o trânsito, assim como a vida exige respeito mas também uma disputa de espaço e ninguém vai ficar o tempo todo fazendo concessões ao próximo.

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