Pesquisa da ANFAVEA desenha o futuro das metropoles Brasileiras e sugere ações urgentes de infra-estrutura. (4 mil caractéres)

A pesquisa que a ANFAVEA (Associação de Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou durante o Salão do Automóvel em São Paulo, no inicio de novembro é um documento que deveria servir para balizar as ações de governos responsáveis, comprometidos com a qualidade de vida da população. Neste documento histórico o futuro das cidades brasileiras pode ser previsto e devidamente planejado. É fato incontestável que na pior das hipóteses, o Brasil terá 85 milhões de veículos. Se a indústria, no entanto, crescer como se espera, este número pode ultrapassar 106 milhões de veículos nas ruas. Ou seja, o que esta ruim em termos de imobilidade urbana, pode piorar, se obras de infra estrutura não forem feitas urgentemente. É certo que a frota aumentará pelo menos 140%, atingindo 95 milhões.

 

Estamos falando de obras e não puxadinhos como nos acostumamos a ver desde que o regime militar deu lugar a democracia. As cidades precisam de trincheiras, túneis, viadutos, elevados e a redução drásticas de sinais de transito, que devem ser substituídos por passarelas seguras, limpas, bem iluminadas e com acessibilidade. Sempre ouço das autoridades municipais, no caso de BH, que a Prefeitura nada fará nada para facilitar a vida de quem tem carro. Fica a sensação de que o governo é apenas para os que não possuem condições de adquirir transporte individual. Discurso que vem sendo cumprido à risca se observarmos as ações dos gestores do trânsito da Capital (BH Trans e SUDECAP): Estreitamento de pistas, instalação de radares, sinais em cada esquina e tudo que presumem ser motivo de desmotivação para o carro, em benefício do transporte coletivo. Ações, que diga-se de passagem, não estão servindo ao que se propõe, já que a frota só aumenta.

 

Não há duvidas de que este erro vai custar caro para BH. Não obstante aos equívocos, vale lembrar que 1,6 milhões de veículos que circulam por BH não são autônomos, exigem um condutor. Por trás de cada carro ou moto, há um Cidadão que fez uma escolha e ela precisa ser respeitada. Calçada em apenas um modal de transporte, o BRT, a aposta da PBH para tirar carro da rua já deu sinais de fracasso inequivoco. Dispensa dizer que foi um tiro no escuro, que não acertou o alvo. Com efeito, ninguém garante que se o transporte coletivo melhorar, através de metrô, monotrilho, VLT e meios alternativos, o povo passe a deixar carro em casa. O que é bom para cidades europeias, nem sempre é o mais recomendável para uma cidade de clima quente e topografia acidentada como Belo Horizonte.

 

Outro equivoco que o PLANMOB cometeu e que terá consequências negativas sobre a imobilidade urbana na Capital é acreditar que a experiência de Bogotá é aplicável em BH. Bogotá é uma cidade no Altiplano Andino, a 2.7 mil metros de altitude, com clima temperado a maior parte do ano. Não serve de modelo para BH. Enquanto isso, as obras que a cidade necessita então sendo postergadas, por capricho e por acreditarem que a pressão sobre os proprietários de carro terá efeito a médio e longo prazo. Ambos erros crassos e imperdoáveis. A cidade espera por intervenções em mais de 150 gargalos que permitam fluidez no tráfego. A tese de que obras não resolvem o problema só atrasa as soluções.

 

No entendimento dos gestores municipais, as obras transferem congestionamentos de um sinal para o outro. Quando o correto seria eliminar os gargalos aqui e acolá. Embora a cidade não tenha os 15 bilhões necessários para a solução definitiva, ela terá que eleger os principais gargalos, que somam mais de 50 pontos onde não é mais possível os puxadinhos. Enquanto os paradigmas não são quebrados, os DETRANS de BH e das cidades do colar metropolitano continuam emplacando carros e alimentando a cadeia da indústria automobilística que não pode parar. Negar isso é irresponsabilidade. Navegar contra, é desconhecimento de causa e negligência de quem comanda as ações da PBH. Ou a cidade encara seu passivo de 40 anos sem obras, ou o caos será inevitável. Quem viver, verá.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos e Mobilidade

Presidente do Conselho de Política Urbana da ACMinas

CRA – MG 08.0094/D

31-9953-7945

 

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