Por que o povo de BH não vai para a rua protestar, enquanto São Paulo leva mais de 1 milhão para a Av. Paulista?

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a população da cidade de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, é de 408.300 habitantes. O mesmo Instituto informa que a Capital de Minas Gerais, nossa Belo Horizonte, tem 2.491.000 habitantes. O que essas duas cidades, uma capital, e outra no interior do Estado vizinho, tiveram em comum neste domingo 16/08/2015? Dia em que o Brasil foi para as ruas, pela terceira vez, pedir decência na política e o afastamento do grupo que governa o país do poder. Ambas tiveram o mesmo numero de manifestantes: 6.000, nas contas da Polícia Militar, e 20.000 nas contas dos organizadores.

 

Será que o cidadão belo-horizontino está satisfeito com o governo da Presidente Dilma e com a política? Ou será que os organizadores do evento estão errando na escolha do local? Estive pessoalmente na Praça da Liberdade e posso afirmar que lá a presença de manifestantes ficou praticamente restrita a população da zona sul e daqueles que representam as elites da cidade. Não havia representantes da parte mais pobre da cidade e nem moradores da periferia. Quatro Trios Elétricos dividiram a Praça, e a palavra de ordem foi a mesma: Fora PT e fora Dilma. Parecia um dia de jogo da Seleção e um festival de “self´s”. Chamou atenção a dispersão.

 

Não acredito que a população da periferia e os menos privilegiados, moradores de BH e Região Metropolitana, cuja população é de 5.783.773, estejam satisfeitos com o governo da Presidente Dilma e com os mal feitos que permeiam o universo da política brasileira. Porém, a localização não é a mais apropriada para essas pessoas participarem de manifestações. Pela terceira vez, os números foram vergonhosos, pífios, e desanimadores, se comparados aos que assistimos em cidades como Vitória, Campinas, Fortaleza, Recife, Brasilia, Florianópolis, Porto Alegre e outras capitais do porte de BH.

 

Se quiserem realmente ter a adesão da cidade toda, e não apenas das elites, os organizadores de protestos precisam mudar de endereço, trocando a Praça da Liberdade pela Praça da Estação, Praça da Rodoviária ou Praça Sete. Outro detalhe, o domingo é sagrado para a maioria dos trabalhadores. Quem passa a semana toda fora de casa, tem o domingo como o dia do descanso, da cervejinha ou do churrasquinho, sem contar que o futebol também acontece nas tardes de domingo. Com efeito, ou muda o lugar dos protestos em Belo Horizonte, ou o Brasil vai achar que aqui é terra apenas de “coxinhas” da Zona Sul…

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos

Diretor da ACMinas

CRA-MG 08.0094/D

31-9953-7945

 

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