Que saudade do guardinha e seu apito…

Sexta feira, 22 de março e mais uma vez BH parou. E parou por que? Parou por causa dos gargalos. Dizem que o caos é por conta do excesso de veículos. Mas isso, todo mundo já sabe, trata-se apenas de justificativa em vão. Se não for feito tratamento adequado nos cruzamentos e sinais, BH vai continuar parando. São pontos que esperam por  viadutos, trincheiras, túneis, elevados, passarelas, e eliminação de sinais há mais de 30 anos. Não dá mais para esperar.

 

A cidade precisa também de vias expressas. As ruas e avenidas não cabem mais veículos. Quem não enxerga isso, não anda pela cidade, ou anda sem perceber o que ela necessita. A desculpa de que o BRT vai resolver o problema não cola mais. A tentativa de importar modelos de países europeus, onde as cidades são planas e o clima é temperado, também não se mostrou eficiente. Se tivermos que importar, os modelos a serem copiados estão no EUA e não na Europa. Mais de 500 veículos são emplacados diariamente na cidade e isso não vai mudar.

 

Exorcizar o carro não resolve. Sem transporte coletivo decente, eles não saem de cena. Com transporte coletivo de boa qualidade, eles podem diminuir, mas não sair de cena, jamais. Ou as autoridades encaram a realidade, e fazem as obras que a cidade precisa, ou o ato de deslocar ficará cada dia pior. Até que a as haja consciência, quebra de paradigmas, e as obra aconteçam, os gargalos precisam de gestão com presença humana. E aí vale lembrar da figura dos guardinha do Batalhão de Trânsito.

 

Que saudades dos seus apitos. Lembro-me de um que atuava nas esquina de Av. Afonso Pena, Ruas dos Caetés e Rua Curitiba. Sozinho ele dava conta do recado, e não havia engarrafamento que desanimasse aquele guerreiro. Mesmo com sinais em flash em épocas de chuvas e trovões, a vontade de organizar o transito era maior do que as limitações tecnológicas e tudo fluía. Ele corria pra lá corria pra cá; apitava dali; assoviava de lá; e o trânsito andava sem grandes complicações. Em cada esquina de BH, com semáforos ou sem semáforos, eles estavam lá e resolviam. Hoje eles não existem mais.

 

Com eles ficou o bom exemplo da pro atividade.  O trânsito precisa de cérebro antes da tecnologia e atitudes. Tentam colocar a culpa nos mal educados, mas não assumem as rédeas do problemas. BH precisa recuperar a figura do “guardinha” e o seu apito. Mais do que cérebro, eles tem a credibilidade da população que ha muito foi perdida pelo órgão gestor do transito. A cidade cobra atitudes das autoridades antes que seja tarde e as pessoas comecem a enfartar dentro dos seus carros, se já não estão.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor e Transito, Mobilidade e Assuntos Urbanos

Presidente do Conselho Empresarial de Política Urbana da ACminas

CRA MG 0094 94

31 9953 7945

 

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