RES: Respeite os ciclistas

Caríssimo Samuel Boechat

Começando pelo final, vivo em BH e observo o que os ciclistas, em grande parte, não conseguem enxergar. A cidade não oferece nenhum apelo para a prática do ciclismo como meio de transporte, mas pode oferecer todos para a prática do ciclismo como lazer, se bem organizada.

Exemplos a serem seguidos por nós CIDADÃOS DE BH não estão em Bogotá, Seul, Medellim e nem tampouco em Amsterdam, cidades cuja temperatura média é abaixo de 20 graus, durante a maior parte do ano. Eles estão bem mais próximos: Campinas é um deles. (Se você não conhece a experiência de Campinas, eu mesmo posso te contar pessoalmente).

Os motivos são vários e não devem ser reduzidos ao que o senso comum entende: topografia, clima de 27 graus em média durante 9 meses do ano, e risco ALTISSIMO de acidentes em vias estreitas e saturadas, entupidas de carros.

Mas não vamos entrar no mérito aqui. VOCE DISSE QUE "A CADA DIA NÓS SOMOS MAIS", APRESENTEM-SE ENTÃO, SE POSSIVEL NO MEIO DA TARDE DEBAIXO DO SOL ESCALDANTE DE 35 GRAUS, vestidos de terno ou com uniforme de trabalho, concorrendo com os carros que possuem ar-condicionado, e são dirigidos pela população mais individualista que se tem notícia no Brasil. Não sou eu quem estou dizendo que os ciclistas são inexistentes perto do numero de carros e motos, é a cidade inteira.

Estou à sua disposição para uma conversa pessoalmente. Isto é, se você quiser usar a razão para o debate, e não o fígado.

Você talvez não perceba, pois está envolvido emocional e obstinadamente pela idéia de que a bicicleta é o melhor meio de transporte, mas defendo muito mais os ciclistas do que possa parecer. E acho até que muito mais do que você.

Quanto a respeitá-lo, eu devolvo o pedido… Primeiro como cidadão, depois como ciclista que sou e em ultimo como estudioso do tema mobilidade. Sugiro que você e os nossos colegas mais inflamados respeitem a si mesmos e ao conjunto da sociedade, pois ela clama por MOBILIDADE. Explico:

Veja os números e repare que 46% da população optou pelo carro e tem o direito de faze-lo, pois vivemos em uma Democracia. PELO MENOS EM TESE. Repare também que 54% dos que usam o precário transporte coletivo que nos é IMPOSTO, goela abaixo, o faz por que não pode ter um carro. Lembro também que a taxa de motorização do Brasil é de 16%, e está longe da Europa com 30% e dos EUA que é de 90%, acredite.

Com efeito meu caro, o problema não é o carro, que representa 23% do PIB Brasileiro e 15% da mãos de obra economicamente ativa, é da INCOMPETENCIA dos nossos governantes para fazer as obras que as cidades precisam para receber carros, bicicletas, caminhões de carga, transporte coletivo decente, gente a pé e até carroceiros.

Você gosta de bicicleta, eu também adoro bicicleta para o lazer, há quem goste de carro, outros de moto, e há quem defenda que o transporte mais adequado para a cidade é o par de tênis…

Repare que nenhuma das categorias citadas se acha mais importante do que as outras. Todos são CIDADÃOS, sedentos por serviços públicos que nos permitam deslocar com o menor tempo possível e sem estresse.

Ao defender cegamente a "sua" ou a "nossa" categoria, corremos o risco de dizer em outras palavras que os nossos "brilhantes" governantes não são os responsáveis pelo caos que tomou conta da cidade e que o problema da FALTA DE MOBILIDADE é nossa, por que escolhemos o carro como modal de transporte. Ora, que conversa é essa? O carro é o escolhido por dezenas de fatores. Ele é meio e não fim…

Saiba ainda que a culpa dessa bagunça toda é EXCLUSIVAMENTE deles, os nossos GOVERNANTES MEDIOCRES que foram e continuam sendo omissos com a infra estrutura da cidade. Seguem apresentando desculpas esfarrapadas quando deveriam ter atitudes pró ativas.

Batem palma pra você quando vc diz o que eles querem ouvir, ao invés de dizer o que eles precisariam ouvir.

Aguardo o seu contato para uma conversa pessoalmente, de bicicleta, se possível.

Um abraço

José Aparecido Ribeiro

SOS Mobilidade Urbana

31-9953-7945

—–Mensagem original—–

De: Samuel Boechat [mailto:boechat017@gmail.com]

Enviada em: quinta-feira, 21 de novembro de 2013 21:12

Para: jaribeirobh@gmail.com

Assunto: Respeite os ciclistas

Caro José, em nome de todos os ciclistas de BH, eu peço que você nos respeite. Não tem a menor condição de você ser contra o uso das bicicletas como meio de transporte alternativo e interligado com o transporte público.

É um absurdo você falar que não vê perspectivas dos ciclistas aumentarem na nossa cidade… em qual planeta você vive? A cada dia somos mais.

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5 thoughts on “RES: Respeite os ciclistas

  1. Cada um de nós deve deixar de ser pedestre, as calçadas não oferecem condições de uso, devemos deixar de usar os transportes coletivos, não oferecem condições de uso. Essa questão de topografia é balela, bicicleta tem marcha para isso em terrenos com maior dificuldade, coloque na mais leve. BH não é a única cidade do mundo com topografia acidentada, assim como não é a única que em alguns dias do ano tem temperaturas muito elevadas, mas não faz 35º o ano inteiro, mesmo nos meses mais quentes a temperatura fica bem abaixo dos 35º. Seguindo sua lógica de pensamentos, a bike deveria ser proibida em praticamente todo o país! Realmente pode ser que não seja a sua praia andar de bike, assim como não é a minha andar de carro, mas ainda sim te convido para realmente conhecer o que é a bike e o ciclismo na cidade, vai muito além de pedalar para o lazer ou esporte.

  2. 2 minutos de bicicleta. Esse é o tempo que eu demoro para chegar a um dos meus trabalhos. A pé, são 7 minutos. A bicicleta não é necessária nesse caso. Por outro lado, vários clientes e outros funcionários moram ainda mais perto do que eu e vão de carro. Obviamente, demoram mais do que eu, tem problema com estacionamento, arrombamento de carro, etc.

    E em dois minutos, perceba o tanto de acontecimentos que presenciei:
    encontrei a Avenida Uruguai totalmente congestionada, com um quase acidente ocasionado por um motoboy que ia furar o sinal;
    100 metros a frente, cruzamento fechado por motoristas educados na Nossa Senhora do Carmo;
    mais 30 metros e sou fechado por um motorista apressado em chegar primeiro do que todo mundo no próximo semáforo vermelho.

    E olhe que eu saí na frente de todos, justamente para que eles possam me ver com antecedência e não ocorrer nenhum acidente.

    E vamos culpar quem? O governo? Os engenheiros de trânsito? Ou os montros que os motoristas são transformados quando sentam atrás do volante?

    OBSERVAÇÃO:
    Para sair de dentro do meu bairro e chegar a primeira grande avenida, são apenas 650 metros de deslocamento de carro. Sabe quanto tempo meu carro 1.4 com 80 cavalos de potência, que chega a 160km/h na reta com facilidade demora para fazer isso as 14 horas em dia de semana? 20 minutos…

  3. Então, como ocorre todo santo dia fui trabalhar de bike, distância de 3,5km (de carro são 3,8km) utilizando toda o trecho de ciclovia da rua Fernandes Tourinho. Saí de casa as 18:15, hora do rush, cheguei as 18:27. Percorro 1km da Nossa Senhora do Carmo, pego Contorno, Fernandes Tourinho, Contorno novamente. Só pista engarrafada.

    De acordo com o Google, se eu sair agora de carro (são 21h) com a mesma origem e o mesmo destino, demoro 10 minutos. Agora que o trânsito tá super tranquilo, o carro com 80 cavalos de potência chega apenas 2 minutos mais rápido do que a bicicleta com um ser humano de potência.

    Bem, descer a Nossa Senhora do Carmo é bem tranquilo. Afinal, o trânsito não anda. Há também a escolha de utilizar a via dos ônibus. Como são vários pontos, eles não conseguem manter uma velocidade alta e a bicicleta vai tranquila até a Contorno. E aí começa o transtorno… Não para mim, mas para quem eu deixei para trás: cruzamento das duas avenidas fechado por um monte de motorista sem educação. Já viu ciclista fechar trânsito por falta de educação e puro egoísmo? Nem eu.

    Passa Contorno rapidinho, pega Fernandes Tourinho e a ciclovia está logo ali na frente. Já passou por ela nos horários de ida e volta do trabalho? Muitos ciclistas indo e vindo, cumprimentando, dando boa noite e tudo mais. Nada de buzina, raiva e desrespeito.

    Primeira subida do caminho, um quarteirão apenas da Fernandes Tourinho. Aquele que termina na Rua da Bahia e o coitado do ciclista sofre porque quer seguir mas o motorista quer virar a direita. O que fazer? Eu aperto o pedal, fico na frente do motorista de forma que ele consiga me enxergar (cada um na sua pista), estendo a mão direita e sigo. Mais uma subida, a segunda e última num percurso de 3,5km. Chego a avenida Olegário Maciel e uma ambulância precisa passar logo. Mas nem todos os carros se movimentam rapidamente. Um, porque não há espaço suficiente para tanto carro (nem nunca haverá, a não ser que a era Jetsons chegue); dois, porque alguns estão como você, vestidos com suas armaduras de quatro rodas com vidro fechado para o resto do mundo e não ouvem a sirene.

    Você tem costume de passar pela região da área hospitalar? É um desespero sem comparação ver as ambulâncias diariamente presas no trânsito sem conseguirem passar. Mas, o que podemos fazer? É direito de todos utilizarem seus carros. Ação e reação. Carros, carros, carros = trânsito, congestionamento, caos, atraso.

    Bem, doze minutos depois de sair de casa, estou no meu destino. Sem ter que procurar vaga, mais rápido, mais barato, mais divertido, menos estressante, mais saudável. Sim, mais saudável. Falar que o ciclista sofre mais com a poluição vinda dos carros é um erro enorme. Você já olhou para o lado, José? Você já percebeu que não são todos os veículos que possuem ar condicionado? E que muita gente fica ali presa no trânsito por um bom tempo recebendo gases e gases dos ônibus e caminhões desregulados sem manutenção e fiscalização do governo?

    Você já viu motorista melhorar a saúde dirigindo? Melhorar o condicionamento cardiorrespiratório, diminuir os níveis de colesterol, triglicérides e glicose, aumentar a resistência muscular de membros inferiores melhorando o retorno venoso, aumentar o gasto calórico diário e, consequentemente, emagrecer? E nesses pontos, prevenir uma série de doenças como obesidade, hipertensão, diabetes, aterosclerose? Eu fiz isso tudo hoje, enquanto ia para o trabalho.

    E na volta ainda passei no Pátio Savassi, estacionei a bicicleta tranquilamente na vaga para tal, não paguei o estacionamento, fiz o que tinha que fazer e voltei para casa. Voltei sim mais devagar que a ida, afinal era subida. Que bom que as bicicletas são modernas, leves, possuem marchas, um local para colocar uma garrafinha de água. E para que a pressa de chegar em casa logo? Quem tem pressa vai de helicóptero.

    E durante todo esse tempo, meu carro ficou na garagem. Além de preferir a bicicleta ao carro, toda vez que saio de casa como motorista eu chego atrasado aos meus compromissos. Então, carro só no fim de semana, e olhe lá.

  4. "e são dirigidos pela população mais individualista que se tem notícia no Brasil."
    – Concordo, em parte.

    "Não sou eu quem estou dizendo que os ciclistas são inexistentes perto do numero de carros e motos, é a cidade inteira."
    – É você sim senhor. A menos que você tenha algum dado ou pesquisa que reforce seu argumento.

    "Estou à sua disposição para uma conversa pessoalmente. Isto é, se você quiser usar a razão para o debate, e não o fígado.
    Você talvez não perceba, pois está envolvido emocional e obstinadamente pela idéia de que a bicicleta é o melhor meio de transporte, mas defendo muito mais os ciclistas do que possa parecer. E acho até que muito mais do que você."
    – Defender ou argumentar algo sem usar o "figado" é complicado, pois nos envolvemos emocionalmente com o que nos é querido, no caso, a bicicleta. Mas se você defende os ciclistas, eu te adianto uma novidade, você está fazendo um péssimo trabalho.

    "Quanto a respeitá-lo, eu devolvo o pedido… Primeiro como cidadão, depois como ciclista que sou e em ultimo como estudioso do tema mobilidade. Sugiro que você e os nossos colegas mais inflamados respeitem a si mesmos e ao conjunto da sociedade, pois ela clama por MOBILIDADE."
    – Vamos todos nos amar !

    "Explico: Veja os números e repare que 46% da população optou pelo carro e tem o direito de faze-lo, pois vivemos em uma Democracia. PELO MENOS EM TESE."
    – Obviamente, pois quem optou pelo carro o fez por total e livre expontanea vontade. Claro que não foi pelo conforto decorrente de um transporte publico sucateado ou inexistente, ou muito menos pela segurança decorrente de uma segurança publica sucateada, e muito menos por sentir e exercer um status quo social, decorrende de quase 1 século de promoção do carro como uma realização ou sucesso.
    E como vivemos em uma democracia, isso em tese significa…. Nada, pois isso não tem nada a ver com democracia, e sim com o modelo econômico vigente no Brasil.

    "Repare também que 54% dos que usam o precário transporte coletivo que nos é IMPOSTO, goela abaixo, o faz por que não pode ter um carro. Lembro também que a taxa de motorização do Brasil é de 16%, e está longe da Europa com 30% e dos EUA que é de 90%, acredite."
    – Então não existe uma só "vivalma" que utiliza o transporte público por opção ? Por ser mais prático ? Pois não quer pagar estacionamento, IPVA, gasolina ? Ou por que de metrô é mais rápido ? Ou por qualquer motivo que seja… Eles SÓ usam o transporte público pois não PODEM ter um carro ? OK…

    "Com efeito meu caro, o problema não é o carro, que representa 23% do PIB Brasileiro e 15% da mãos de obra economicamente ativa,"
    – Claro que não é do carro, é da carrocracia, que ja comecei a explicar ali em cima. E quanto ao PIB, e a mão de obra, eu acho importante salientar que, assim como a maioria dos produtos consumidos no Brasil, as empresas "fabricantes" de carros no Brasil são TODAS filiais de empresas que NÃO SÃO brasileiras, e em casos como por ex. a FIAT, o lucro destas no Brasil supera, EM MUITO, o lucro de todo resto do mundo. Ou seja, elas deveriam NOS IMPLORAR por poder usufruir de um governo tão prostituído, e de um povo tão mal informado.

  5. "Repare também que 54% dos que usam o precário transporte coletivo que nos é IMPOSTO, goela abaixo, o faz por que não pode ter um carro."

    Sério mesmo que eu li isso? Imagine se esses 54% compram um carro… Só como informação, eu tenho carro, desde que consegui habilitação. E nem por isso eu uso carro.

    Na verdade, eu uso bicicleta, mesmo que o sol seja de 35 graus.

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