Rua Fernandes Tourinho, soma de insensatez e teimosia.

Embora esteja mais do que comprovado que o projeto de ciclovias não emplacou nas ladeiras quase intransponíveis da quente e montanhosa BH, a teimosia da BHTrans em manter a ciclovia da rua Fernandes Tourinho entre av. Getúlio Vargas e rua da Bahia é algo que foge à compreensão e ao princípio da razoabilidade. Sobram teimosia e insensatez, falta bom senso.

Além da ciclovia que passa a maior parte do tempo às moscas, a rua foi dividida em 6 partes: uma faixa para estacionamento a esquerda; duas faixas de rolamento estreitas que mal cabem um fusca; (embora exista mais SWV’s do que fuscas atualmente); outra faixa de estacionamento à direita que tem a largura de um Karmanguia; e para encerrar, inacreditavelmente, ainda tem a ciclovia. Não é por acaso que  o trânsito ali não flui.

Na rua Fernandes Tourinho, bem no coração da Savassi, a física e o bom senso foram jogados na lata do lixo, por capricho e em defesa do politicamente correto, apenas para agradar os xiitas da mobilidade urbana e metas estapafúrdias, imexíveis.

Se não bastasse, foi inaugurada, recentemente, a filial de uma das maiores redes de supermercados da cidade. (Verdemar), cujo acesso se dá apenas pela rua Fernandes Tourinho.

Ironicamente, contrariando a boa engenharia, o estacionamento deste supermercado tem acesso estreito, não por que seus arquitetos sejam maldosos ou incompetentes, mas por causa da legislação restritiva, que desconsidera a realidade em benefício da ideologia romântica de quem criou o código de postura da cidade. Rampas que dificultam o acesso e exigem manobras mirabolantes. Tudo contribuindo para piorar o trânsito que já é o caos. Se você duvida, convido para uma visita ao local.

Se vc acha que encerrou, engana-se, contrariando a crise que afeta os setores  de entretenimento e gastronomia, na Fernandes Tourinho os bares e restaurantes continuam abertos a noite inteira, sobrevivendo bravamente aos efeitos da lei seca e da cruzada a favor do silêncio.

Com efeito, se o seu nível de exigência não for tão alto e você for paciente para encontrar vaga, na esquina de ruas Sergipe com Fernandes Tourinho é possível ainda, depois da meia noite, matar a fome e tomar  uma boa cerveja na cidade que se orgulhava de ser a “Capital dos Butecos”.

José Aparecido Ribeiro
Consultor em Assuntos Urbanos
Autor do Blog SOS mobilidade urbana do portal UAI.
31-99953-7945

23 thoughts on “Rua Fernandes Tourinho, soma de insensatez e teimosia.

  1. Eu gostaria de viver na BH cheia de ciclovias que os comentaristas e o colunista divulgam. Com cerca de 4700km de ruas (fonte pág 58 http://www.pbh.gov.br/smpl/PUB_P016/VIURBS.pdf), BH tem apenas 80km de ciclovias e ciclofaixas. As principais avenidas não possuem ciclovias. Ainda assim, somos cerca de 50mil viagens de bicicleta por dia. Quem, em sã consciência, consegue ver que a cidade é “cheia de ciclovias?”.
    Temos é muita desordem incentivando o uso dos carros: estacionamento rotativo quase gratuito, poucas vias exclusivas para ônibus, calçadas em péssimo estado, tempos de sinais horríveis para pedestres, poucas ciclovias. Assim não tem alternativa mesmo, a PBH e BHtrans só incentivam quem usa o carro nessa cidade.

  2. Moro em frente a esta ciclovia. Sempre que vou entrar ou sair da garagem, embora haja carros estacionados no proibido o dia inteiro atrapalhando a visão, tomo o cuidado de olhar para os dois lados da ciclovia e dar a devida preferência aos ciclistas que eventualmente estejam próximos. Gostaria que os ciclistas que se aproximassem quando já estivesse nesta manobra, esperando o fluxo do trânsito, também tivessem a mesma educação e respeito. Como são constantes os xingamentos de quem se acha o dono da rua e não pode esperar a vez do outro… Ou então me dessem outra solução para entrar e sair da garagem sem passar pela ciclovia (túnel? viaduto? teletransporte?). Lembrando que meu prédio tem uns 20 anos a mais que a ciclovia. Falar pra deixar o carro em casa não serve, pois 90% dos meus deslocamentos já são sem ele. Eu que também sou usuário da ciclovia, já começo a questionar se como morador não era melhor antes dela. O respeito deve ser uma via de mão dupla, sob pena de só angariarem antipatia, mesmo de quem um dia foi simpatizante da causa. Sem respeito mútuo não há convivência pacífica nem segurança, perdem todos.

  3. Fico impressionado com o espaço que as SUV’s e Pick-Up’s tomam no transito de BH. Na maioria das vezes estão ocupados por apenas uma pessoa. Não há incentivo para as pessoas tomarem transporte público ou se deslocarem de bike/a pé. E as madames indo buscar os rebentos na escola? Ninguém fala disso. A cidade é de todos!

  4. comparando a visão de cidade doDória e do Hadad o PHA
    colocou umas cenas da 6 avenida em NY, achei leagl:

    Numa outra escala, este tipo de polêmica pode ser visto recentemente
    em SP onde visões antagônicas de cidade se sucederam na prefeitura.
    Neste contetxo, um bom ex. para o debate é trazido pelo jornalista PHA que em seu blog, comenta o caso de NY defendendo o uso da cidade com menos prioridade para os carros:
    https://www.conversaafiada.com.br/brasil/doria-pensa-que-e-chicmaur

  5. Só li coisas absurdas como por exemplo incentivar a pessoa a ir de carro tomar cerveja ! Francamente! Um cidadão que se diz especialista em temas urbanos pelo menos devia usar o lado jornalístico para falar de questões mais preocupantes como o número de atropelamentos de pedestres por motoristas na cidade.

  6. A insensibilidade da PBH e BHtrans é notória. Não apenas para os cidadãos motorizados como eu li em comentários anteriores. Meu ex companheiro ciclista há mais de 10 anos, adepto e apaixonado por bicicleta para prática de esporte, e meio de transporte, já participou de protestos contra o péssimo planejamento das ciclovias, inadequadas, que comprometem a integridade dos próprios ciclistas!
    Participei de vários encontros com grupos de ciclistas, onde as críticas as ciclovias era assunto recorrente.

  7. Falou tudo! Parabéns!
    Encheram a cidade de ciclovias, aparentemente, sem realizar algum estudo de viabilidade, utilização e planejamento de tráfego. Assim fazem também com a instalação de semáforos, que “brotam” aos montes pela cidade e, é claro, não são sincronizados para dar fluxo ao trafego!

    É importante que os ciclistas tenham seu espaço, porém, os mesmos deveriam reconhecer a inutilidade de grande parte das ciclovias, sendo que a maioria destas fica espremida entre a faixa de estacionamento e a de rodagem, o que aumenta os riscos de acidentes. Além disso, grande parte destas ciclovias é estreita, o que permite o trânsito apenas em um sentido.

  8. Esse é meu caminho de casa, pois moro no Santo Antônio e trabalho na região hospitalar. É fato. Aqueles quarteirões da Fernandes Tourinho ficaram insuportáveis. Nada contra ciclovias, mas o trânsito daquela região é muito grande e se alguém se der ao trabalho de ficar alí durante algumas horas, com certeza verificará que se pode contar nos dedos o número de bikes que utilizam da referida ciclovia (o mais comum é ver motocicletas cortando caminho por alí). Infelizmente a BHTrans, depois que lhe foi suprimido o poder de polícia e de órgão arrecadador de multas, simplesmente virou uma entidade figurativa. Alguém já viu algum agente da BHTrans fiscalizando cruzamentos quando há semáforos apagados? Simplesmente sumiram. A quem devemos recorrer? pois o atual Prefeito diz que sua prioridade é a periferia e os menos favorecidos. Sinceramente eu não sei qual órgão atualmente é o responsável pela engenharia de tráfego da Capital.

  9. Um pouco de lucidez, finalmente, vindo do nobre colunista. Basta retirar o estacionamento de um dos lados da via, que a situação melhorará- e muito no trecho da Fernandes Tourinho.

  10. Prezado José Aparecido, nunca vi uma expressão tão contraditória como a sua. Ao mesmo tempo que coloca a sua opinião de que a ciclovia é inútil neste trecho, critica o cidadão que vai de carro ao supermercado. Eu mesma sou usuária da ciclovia. Sugiro que passe mais tempo andando à pé pela cidade para fazer seus comentários, que por sinal será a última vez que leio.

  11. São sempre os mesmos argumentos de quem não conhece nada do assunto: “morros e clima de BH são inviáveis para se locomover de bicicleta”. Pois saibam que tem muita gente trocando o carro pela bicicleta e ganhando em qualidade de vida. Eu sou um deles e uso aquela ciclovia diariamente. Quanto ao incentivo à beber e dirigir: lamentável!

  12. há algum tempo a prefeitura tomou uma decisão correta. Eliminou a conversão a esquerda na Av do Contorno, para quem vai subir a Carangola. Melhorou sensivelmente o fluxo na Contorno. Fez isso desviando o fluxo para a Fernandes Tourinho e Rua da Bahia. Depois disso a rua foi só estreitando. E foram feitas várias obras em cima de obras nessa ciclovia. Sinceramente, uma rua estreita com ciclovia, vagas para estacionar dos dois lados e acesso a supermercado não dá. A VEJA BH, quando era veiculada, publicou uma matéria sobre esse absurdo ja fazem anos. Náo deu em nada, infelizmente.

  13. Sou morador há mais de 15 anos da região e concordo plenamente com o comentário. Tudo piorou depois da ciclovia. Não tenho nada contra as bicicletas. Mas certamente as condições operacionais da via foram mal planejadas. Agora mesmo fizeram uma outra bobagem na Rua Rio de Janeiro: ciclovia, estacionamento dos dois lados da rua e mão dupla no quarteirão acima da Rua Felipe dos Santos!

  14. Ao meu ver, a liberação do alvara do supermercado em questão com certeza esta relacionado aos moldes da tao famosa operação lava jato! A Sergipe que faz esquina com a Fernandes Tourino, virou um inferno com tantos caminhões esperando para descarregar e na maioria das vezes em fila dupla e com os seus motores ligados, causando todos os tipos de poluições possíveis. Dizem que o EIV ( Estudo de impacto da vizinhança) é publico então acho que deveriamos formar uma comissão e até mesmo convidar algum vereador, para juntos analisarmos como o mesmo foi aprovado sem restrição alguma!!

  15. Mas isso dever ser um exercício muito complicado para quem desenvolve sua visão sobre o urbano de dentro de um automóvel particular com ar condicionado e insufilm!

  16. Pensamento um pouco elitista, afinal, nem as SUV’s são maioria e sim carros populares. O Sr. já se prestou a andar de bicicleta na cidade? Existem muitos ciclistas que constantemente são desrespeitados e perdem suas vidas no trânsito de Belo Horizonte. Não sou, como você diz, alguém contra carros, mas todos devem ser respeitados pois o trânsito não é composto apenas de automóveis. Mas penso que medidas que protejam quem faz opção por meios de transporte menos exclusivos e mais coletivos, seja por necessidade seja por opção, devem ser incentivadas, por mais que causem algum transtorno na vida egoísta dos preguiçosos motoristas de carrões da Região Centro-Sul. Aliás ainda espero uma coluna sua que fale do trânsito em outras regionais.

  17. Realmente nos deparamos com diversas atitudes completamente insensatas!
    Mais triste é perceber que além da desqualificação de quem governa nos assusta muito mais a cegueira da população que me parece estar completamente apática e conformada!!
    Um governo acéfalo para um povo que se contenta com o descaso!!!

  18. Fato! Existe uma quantidade abusiva de ciclovias inúteis espalhadas em toda BH. São soluções totalmente desnecessárias que beneficiam poucas pessoas, em detrimento do trânsito, do comércio, de moradores e locais para estacionar. Como foi muito bem colocado no artigo, ciclovias às moscas.

    1. Concordo com o autor e com você, Machadão, em todos os aspectos abordados. Realmente um absurdo e não entendo a não intervenção pessoal do prefeito de Belo Horizonte nesse caso.

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