Ter como vizinho um hotel 5 estrelas é um privilégio e não um problema.

Como profissional de hotelaria interessado no futuro da nossa cidade e na garantia de empregos para milhares de profissionais que trabalham na cadeia produtiva deste setor, tenho acompanhado o desenvolvimento de novos projetos na capital com atenção. Recentemente tomei conhecimento da justa preocupação dos moradores da Rua Musas no Alto Santa Lucia por uma vizinhança qualificada que irá ocupar a belíssima vista que hoje é um privilegio de poucas famílias que moram próximo ao BH Shopping, um dos locais mais nobres de BH. A polêmica gira em torno da construção de um hotel 5 estrelas no terreno que margeia a Rua Musas, a Av. Raja Gabaglia e a BR 356. Os moradores estão temerosos em receber como vizinho um hotel que a principio teria a bandeira Hyatt Internacional de alto padrão, mas pelo que se lê, agora vai ser um Caesar Park, também 5 estrelas, do Grupo Mexicano Posadas, em parceria com empresas mineiras. A preocupação dos moradores é legitima, já que a qualidade de vida depende também de uma boa vizinhança, mesmo sendo o logradouro de todos os cidadãos, e não apenas os daquela rua. A Prefeitura cancelou o edital que permitiria a desafetação da rua e o assunto já foi parar na Câmara e na Assembléia Legislativa, transformando-se em bandeira política. É preciso que o tema seja posto no plano da razão, e não no da emoção, como parece acontecer. Os moradores que serão vizinhos de um dos poucos hotéis 5 estrelas da cidade tem relativa razão em especular sobre a possibilidade do empreendimento trazer-lhes perturbações. Eles não conhecem o dia a dia de um hotel desta categoria e a principio parece que é um péssimo negócio recebê-lo como vizinho, o que é um equivoco. Como Profissional de hotelaria a 25 anos, tendo inclusive ocupado por dois mandatos a presidência da entidade maior do setor, a ABIH/MG, posso afirmar que na prática um hotel desta categoria não causa tantos impactos quanto dizem, especialmente no que hoje é um problema crônico da cidade de Belo Horizonte, o cada dia mais caótico transito. O imbróglio já tem até políticos a favor e outros contra. Discursos a parte a questão precisa ser avaliada pelo lado prático. Se a preocupação é o transito, ser vizinho de um hotel 5 estrelas, é melhor até do que ser vizinho de uma igreja que tem missas e grandes movimentações de veículos. Hóspedes de hotéis 5 estrelas não causam problemas, ao contrário, só trazem benefícios e valorização imobiliária para a região onde estão localizados. Quem acha que um hotel de categoria superior gera incômodos, não sabe o que é o dia a dia de um hotel, isso por que são poucos os hóspedes que utilizam-se de carros. A maioria chega de taxi ou de motoristas particulares e não fazem barulho pois em via de regra passam o dia em suas reuniões ou eventos e chegam ao hotel apenas para jantar e dormir. Hóspedes que gostam de agitação, o fazem longe de onde estão hospedados (na Savassi, Lourdes ou outros locais de intensa vida noturna). Se não bastasse, há regras quanto a barulho nas áreas internas e externas. A tranqüilidade e sobriedade do ambiente é uma das características de um empreendimento deste porte, e a tarefa dos gestores do hotel é também zelar por ela, e especialmente pela boa vizinhança. Portanto, convido os que são contra para conhecer a rotina de um hotel para que possam fazer julgamento com conhecimento de causa e perceber as vantagens de se ter como vizinho um hotel deste porte, permitindo assim que milhares de empregos sejam criados e que possa haver uma boa convivência entre quem mora e quem está chegando.

 

José Aparecido Ribeiro

Administrador, Bacharel em Turismo

Ex-Presidente da ABIH-MG  – Asset Manager

Consultor em Assuntos Urbanos e Hotelaria

CRA – MG 0094-94

31-9953-7945

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