TRAFFIC DEADLOCK in BH – A cidade travou mais uma vez

O transito de Belo Horizonte parou nesta tarde e noite de terça feira dia 08.05.2012. Passava das 22H e a região sul, incluindo Av. Sra. do Carmo, Av. Raja Gabaglia, BR 356 e Anel estavam completamente travadas. O fenômeno tem nome: “TRAFFIC DEADLOCK”. O conceito foi tirado da linguagem da computação para qualificar o colapso no trânsito. Milhares de pessoas ficaram presas em carros, ônibus, motos e a cidade viveu uma experiência traumática, pois há relatos de pessoas que ficaram até 3 horas dentro de ônibus e veículos. As autoridades não sabem o que dizer e acabam fazendo deduções superficiais, apenas para dar justificativas e ficarem livres das cobranças. Para uns a causa foi a chuva. Há os que dão conta de que foi o acidente com uma carreta que fechou o Anel Rodoviário. E tem os que são mais simplistas, e dizem que a causa foi as obras da Av. Cristiano Machado e Boulevard Arrudas. Tem os que acreditam que o problema foi a soma de tudo isso. O fato é que a cidade parou e os prejuízos são incalculáveis. Se as justificativas são verdadeiras, e até aceitáveis, o problema se torna ainda maior, pois uma cidade de 2,5 milhões de pessoas não pode parar por causa de motivos que fazem parte do seu cotidiano. Acidentes no Anel acontecem todos os dias, chuvas caem periodicamente e obras terão que ser feitas por muitos e muitos anos, pois a cidade ficou sem elas por 30 anos e hoje precisa de mais de 150. Portanto, não há outro meio de enfrentar o problema se não estando preparados para lidar com emergências, definindo papéis, dando respostas rápidas que minimizem os impactos das contingências. A cidade não conta com um gabinete de crises e isso ficou evidente mais uma vez. É importante lembrar que a BH Trans retirou-se das ruas e está deixando o transito a deriva de sinais, na tentativa de recuperar o direito de fazer uso da caneta como se esse fosse o único método capaz de trazer melhorias para o trânsito, o que é um equivoco. A cidade possui mais de 150 gargalos e funis que esperam por obras (trincheiras, viadutos, túneis, mergulhões, passarelas, estreitamento de passeios, eliminação de cruzamentos etc.). Enquanto isso não acontece, todo o contingente disponível das 3 instituições que atuam do trânsito (BH Trans, Guarda Municipal e BPTRAN) precisam agir nos gargalos, com inteligência, rapidez, planos definidos e presença humana. Não adianta lavar as mãos, colocar a culpa no excesso de veículos e dizer que o motorista é mal educado. Nem tampouco pedir as pessoas para trocar o transporte privado pelo publico. Este modelo de transporte feito hoje exclusivamente sob carrocerias de ônibus não tem apelo suficiente para mudar hábitos. Isso por que ele é desconfortável, insalubre, inadequado para o clima e para a topografia da cidade. BRT vai melhorar a vida de quem já usa o transporte publico na região norte da cidade, mas não é suficiente para resolver o problema nas outras 4 regiões e nem é apelo para tirar carros das ruas. As soluções passam pela soma de vários modais, incluindo metrô, monorail, ônibus confortáveis e até teleféricos. Há medidas educativas e campanhas capazes de ajudar: incentivo a carona solidária,  escalonamento de entrada e saída de turnos de trabalho, rodízio de pais, rotas alternativas, e uso da bicicleta nas partes baixas da cidade onde a topografia permite. As autoridades, cuja tarefa é encontrar soluções, limitam-se a dizer que o problema tem causa no excesso de carros e nas obras que estão sendo realizadas, sem se dar conta dos prejuízos para a população e para o comércio. A industria brasileira está recebendo incentivos para produzir e vender mais carros, e isso torna as perspectivas ainda mais sombrias. O tema merece ser aprofundado e não pode sair da pauta do Prefeito, pois o ato de deslocar está ficando impraticável por toda a cidade e os “especialistas” que se dizem portadores da verdade, não estão conseguindo apresentar soluções para o caos.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos

Presidente do Conselho Empresarial de Política Urbana da ACMinas

Belo Horizonte – MG

31-9953-7945

CRA – MG 0094/94

 

 

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