Um Estado e suas rodovias de 60 anos, ultrapassadas.

Minas Gerais vem sofrendo um apagão de investimentos necessários para tornar o estado mais competitivo no cenário nacional. No setor de transporte, com a precariedade da malha rodoviária, a situação é ainda pior. Dono da maior malha do país, corredor de passagem de quase tudo que é produzido no Brasil, Minas avança pouco no quesito infraestrutura rodoviária, tornando os produtos mais caros na mesa do cidadão devido aos custos indiretos que incidem sobre alimentos e bens produtos produzidos no Estado.

 

Manter uma frota de caminhões circulando pelas estradas de Minas custa caro. Não só pela precariedade das rodovias federais e estaduais, mas também pelo risco de acidentes devido a geometria das estradas, sinalização precária, pavimentação ruim e sobretudo o fato da maioria delas serem de pista simples, o que aumenta os riscos de acidente com morte. Algumas rodovias não servem somente a Minas Gerais, mas ao país e deveriam ser pelo menos parecidas com as rodovias que cruzam o estado de  São Paulo e os do Sul do Brasil.

 

Rodovias importantes como a BR 040, hoje privatizada, mas com suas obras presas na burocracia do meio ambiente que prefere preservar arvores do que vidas humanas, caminhando a passos de tartaruga, mesmo com o empenho da Concessionária, Via 040 que tem pela frente a duplicação de 550 km, dos seus 936 km. A BR 381, que é palco dos piores acidentes do Brasil, a famigerada “rodovia da morte”. A BR 262, sendo duplicada também a passos lentos. A BR 393, com pistas simples em toda a sua extensão, embora seja privatizada. E tantas outras com suas particularidades, mas todas tendo em comum o fato de terem sido construídas para um modelos de veículos, sejam eles de passeio ou de carga, que não existem mais, há mais de 50 anos. A indústria automobilística evoluiu, mas as rodovias de Minas continuam as mesmas.

 

De todas as rodovias que cortam o estado, uma em especial merece destaque pela gravidade e pela necessidade urgente de melhoria da sua infra estrutura. Sempre ouvi dizer que a BR 381 não era duplicada por causa da briga política entre o PT e o PSDB. Sua duplicação não seria concretizada enquanto o governo de Minas estivesse nas mãos do PSDB e o governo federal nas mãos do PT. Pois bem, o PT ganhou a eleição em 2014 para o governo, alinhando-se com Brasilia, as licitações foram feitas, os empenhos assinados e a obra continua arrastando, agora com o argumento de que não tem dinheiro. Os políticos não se entendem e quem paga a conta somos todos nós que somos obrigados a andar na 381.

 

R$4 bilhões que estavam empenhados para a conclusão da mais importante obra de infra estrutura do estado simplesmente evaporaram. Ninguém sabe dizer por que a obra da 381 norte continua praticamente parada, obrigando seus usuários a deslocar em pistas simples, construídas em rotas de burro há exatos 60 anos, matando como nunca, diante da incredulidade de milhares de famílias arrasadas, vitimas dos acidentes fatais provocados pelas colisões frontais na famigerada “rodovia da morte”. As obras paradas  estão, e paradas irão ficar, no que depender da bancada federal do Estado em Brasilia, que não consegue se mobilizar para virar o jogo e exigir respeito para o povo que espera há decadas.

 

Há poucos dias, em audiência publica convocada pelo Deputado Estadual, Wander Borges, um incansável parlamentar que defende há tempos a duplicação desta rodovia, o superintendente do DNIT, em declaração sincera e bombástica confessou que no ritmo atual, a 381 não tem data para ficar pronta. O órgão não tem recursos para tocar a obra e cumprir o cronograma prometido pela presidente afastada Dilma Rousseff. Atualmente, apenas os lote, o 7 A e o 7 B, executados pelo Consorcio Brasil, está em andamento. Um trecho de apenas 37 km, dos 320 que precisam ser reconstruídos, que vai do trevo de Caeté até o trevo de Barão de Cocais. O dirigente foi enfático e objetivo: “ou a população se mobiliza, através dos seus representantes legais em Brasília, deixando de lado as idiossincrasias, as cores partidárias, ou Minas continuará assistindo a cada feriado a já conhecida carnificina na 381”. Com a palavra o Governador de Minas e a Bancada Federal, incluindo os seus 3 Senadores.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos, Transito e Transporte

Membro da Comissão Técnica de Transporte da SME.

Sociedade Mineira dos Engenheiros – MG

Presidente da ONG SOS Rodovias Federais de Minas

CRA – MG 08.00094/D

31-99953-7945

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