Uma reflexão sobre a I-mobilidade urbana nossa de cada dia…

BH vive momentos delicados no tema mobilidade urbana. Há quem diga que a pronuncia correta seria: I-MOBILIDADE URBANA. O próximo prefeito terá uma missão difícil pela frente, se quiser devolver aos cidadãos o direito de deslocar pela cidade sem estresse e com a rapidez que a vida moderna exige. O transito virou um problema de saúde publica e de economia. Estresse e perda de tempo, com prejuízos incalculáveis é a rotina de quem desloca pelas ruas e avenidas de BH. O trabalhador belo-horizontino leva em media 125 minutos para chegar ao trabalho, fazendo de BH a quarta capital mais lenta do país.

 

A cidade está parando e quem deveria cuidar da fluidez do transito, trabalha para piorar as coisas, quando adota a multa como método pedagógico e  foco de atuação. Quebrar paradigmas, investir na infra estrutura e implantar um sistema de transporte publico eficiente para todos é missão para o próximo prefeito. A cidade tem um passivo de obras de mais de 40 anos. Sua frota de veículos cresceu 138% nos últimos 10 anos, enquanto a população cresceu apenas 10%. O governo atual esta focado em BRT, ciclovias e nas intervenções restritivas. Um equivoco que está custando caro.

 

Calçado em discurso politicamente correto, que se aplica a realidade Europeia, restringe, de forma velada a utilização do carro, sem oferecer transporte de boa qualidade. O resultado é o caos. A indisciplina e os engarrafamentos continuam reinando absolutos por toda a cidade. Deslocar do centro até a Pampulha nos horários de pico leva mais de uma hora. O que normalmente é feito em 15 minutos. Vencer os 45 sinais sem sincronia da Av. Amazonas, do Centro até a Cidade Industrial é um verdadeiro martírio. A Av. Cristiano Machado nos horários de pico é impraticável.

 

Portanto, a mobilidade urbana pede socorro e uma dose de ousadia para os gestores acostumados ao discurso importado de que obras não resolvem e de que o carro esta fora de moda e a cidade é para as pessoas. Um jeito fácil de não fazer nada e colocar a culpa em quem é vítima. Vale lembrar que as taxas de motorização do Brasil são extremamente baixas se comparadas as do Estados Unidos, que é de 92% e da Europa que está em 70%.

 

Aqui o índice chegou a 22% apenas. O que explica o tamanho do mercado e a instalação de nada menos do que 13  novas montadoras de veículos no Brasil, só nos últimos 12 anos. Sem contar que a industria automobilística movimenta 23% do PIB Nacional e emprega 15% da mão de obra economicamente ativa. (dados do IPEA). Ramo da economia que não pode e não vai parar se o governo federal tiver juízo. Com efeito, não será por decreto e nem estreitando vias que o povo deixará carro na garagem para entrar em BRT(MOVE).

 

Dificultar a vida de quem tem carro, estreitando vias como vem fazendo a BH Trans, não é o caminho para uma mobilidade urbana eficaz. A cidade precisa de homens visionários capazes de empreender e com a visão Juceliniana. A Capital precisa urgentemente de um novo JK. A pergunta que fica é: qual dos candidatos apresentam a melhor proposta para a mobilidade urbana de BH?

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos e Transito

Membro da Comissão Técnica de Transporte da SME

Diretor da ACMinas e da ONG SOS Mobilidade Urbana

CRA-MG 08.00094/D – 31-99953-7945

 

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