Vizinhos não se matam por acaso – Crime em São Paulo.

O Brasil assistiu atônito o assassinato de um casal, por um vizinho, dentro do seu próprio apto, por causa de barulho. O crime aconteceu em São Paulo e trás uma mensagem para povo brasileiro. Até onde vai a paciência? Este crime passional poderia ter sido evitado? Quem está sujeito a ser vítima ou autor de uma tragédia como essa? Deixando de lado as emoções, e as leituras superficiais, comuns a parte da imprensa nacional, vamos a exemplos: Você esta deitado na sua cama, dormindo e de repente acorda com uma fumaça de cigarro no seu nariz como se alguém estivesse fumando dentro do seu quarto? Assustado você levanta e constata que sua visinha, uma Sra. Idosa de 75 anos, que perdeu o sono no meio da madrugada, resolveu fumar na janela, sem se preocupar com o destino da fumaça que pela física, segue a corrente de ar e vai ao encontro do seu nariz; Imagine agora, um apartamento cuja acústica permite ouvir o zíper do vizinho de cima quando ele vai ao banheiro. Ou quando a esposa dele caminha de salto alto, batendo no chão como um martelo na sua cabeça das 6H da manha até a madrugada seguinte, de segunda a domingo?

 

Você pede a ele colaboração, explica que o som do tamanco está incomodando e ele te responde que está dentro da casa dele e que você deve ser um chato de galocha? Te manda cuidar da sua vida e bate o interfone. Para encerrar, imagine você indo deitar às 22H para uma entrevista de emprego na manha seguinte, marcada para as 8H e ao deitar, seu vizinho de cima resolve comemorar o aniversario com um time de garotas, todas com sandálias socando no chão com força, como se fossem marteladas em uma caixa de ressonância, prontas para se divertirem até 4H da manha? Depois te tentar dormir e não conseguir, constrangido, pisando em ovos, e com todo cuidado, você pega o interfone e liga para ele, pedindo solidariedade, e ele diz que é só hoje e que não vai abrir mão da sua festinha que acontece uma vez por ano. Todos esses exemplos e mais um monte piores eu já vivi e algumas vezes pensei em usar a minha arma como única alternativa para ter sossego e não morrer de raiva.

 

Em todas as ocasiões, procurei conversar com as pessoas, com síndicos, liguei para o 190, para o disque sossego, que nunca atendeu na madrugada, e em nenhum das ocasiões fui atendido.  Algumas vezes saí de casa e fui dormir na casa de um parente ou em um hotel. O tema, tratado pela mídia na superficialidade, revela entre outras coisas, a impotência do poder publico para lidar com o problema. Revela falhas graves nas Leis que permitem construções frágeis, incapazes de garantir a acústica e o sossego de quem vai morar ao seu lado, encima ou embaixo. Isso sem falar de cachorros de vizinhos que latem a noite inteira. Revela também que a maioria das pessoas desconhecem a Lei 1277, que diz que o mau uso da propriedade é crime e que mesmo dentro de casa, somos obrigados a respeitar o espaço alheio, evitando usar descargas, festas, som alto, obras, arrastar cadeiras, e sobretudo, andar com sapatos que provocam ruídos irritantes para quem mora embaixo. A maioria das pessoas, para evitar confusão e tragédias como a de São Paulo, sucumbem, ficam doentes e tocam a vida…

 

A modernidade trouxe bônus, mas esqueceu de tratar os ônus. Somado a isso as pessoas estão sem paciência, estressadas e não é por acaso que tragédias estão ficando recorrentes. A propósito, você já perguntou ao seu vizinhos debaixo se os seus hábitos o incomodam? Se não, vale pena, pois ao ter o mesmo endereço, você adquire direitos, mas também tem deveres, especialmente o de respeitar o sossego de quem compartilha com você o mesmo espaço, que é dividido na maioria dos prédios, por uma capa de concreto que costuma ter 10 centímetros de espessura, e não garante privacidade. Um gesto de CIDADANIA que pode evitar tragédias.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Mobilidade e Assuntos Urbanos

Presidente do CEPU-ACMinas

CRA MG 0094 94

31 9953 7945

 

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