Aristóteles o belo-horizontino, advogado, jurista e cidadão, partiu deixando legado e saudades

No futuro, quando avaliarmos os estragos e dores provocadas pela pandemia do Covid-19, as pessoas importantes que ela nos tirou, sem duvida que a data de hoje será mencionada com tristeza, e um nome será lembrado como perda irreparável. A vítima não é só amigo, marido, pai ou profissional exemplar do direito, mas um cidadão diferenciado que honrou o nome do personagem imortalizado que lhe emprestou inspiração, Aristóteles Dutra de Araújo Atheniense.

Embora o filósofo não tenha nascido em Atenas, mas em Estagira em 385 a.C, foi na Pólis Grega (Atenas) que ficou conhecido e virou filósofo, discípulo de Platão. Já, Aristóteles, o advogado, jurista e exemplo de cidadão, nasceu em 1936 na cidade de Rio Novo na Zona da Mata mineira, mas foi em BH que estudou, trabalhou, constituiu família, fez amigos e construiu sua reputação, irretocável. Eu vou guardar a lembrança do amigo menos o profissional que sustentou títulos e admiração por onde passou.

Ele foi unânime para clientes, alunos, professores, juristas e sobretudo para quem teve a honra da convivência e o admirava como ser humano no sentido mais profundo da palavra. Tive o privilégio de participar na diretoria que Aristóteles compôs na ACMinas por 10 anos consecutivos, e sentar ao lado dele em dezenas de reuniões plenárias, ombreando com o colega assuntos variados que sempre terminavam em aprendizado para quem o assistia na condição de orador brilhante que sempre foi.

Foto: Dr. Aristóteles e Sra Elizabeth Atheniense – Esposa

Aristóteles cumpriu sua missão com louvor, exerceu vários papéis. Em todos conquistou admiração, respeito e legiões de seguidores. Foi marido dedicado e presente; pai diligente; amigo generoso; cidadão exemplar; advogado competente; companheiro de primeira hora em empreitadas coletivas; militante de boas causas; professor inspirador; orador sedutor; defensor do direito e da Constituição; patriota e luz para justiça; homem de caráter, um democrata de carteirinha. Participou ativamente de dezenas de entidades e em todas elas fez diferença na condição de cidadão atuante.

O vazio que Alexandre Atheniense, filho de Aristóteles mencionou em seu perfil do Facebook atinge a família com força avassaladora e os amigos com tristeza profunda. Alexandre declarou em sua página: “Eu tenho muito para falar sobre ele, páginas e páginas. Mas não poderia haver um dia mais difícil, hoje estou devastado, pois ele foi meu inspirador, amigo, meu companheiro de viagem, meu pai, doutor Aristoteles Atheniense partiu hoje pela manhã e fará uma enorme falta para mim”, relatou.

Aristóteles se graduou em Direito na UFMG, teve atuação marcante e uma carreira de sucesso. Presidiu a Seccional mineira da OAB por dois períodos (1979 a 1983), foi Secretário Geral do Conselho Federal (1993/1995); Vice-Presidente Nacional da OAB (Jan./2004 a Jan./2007); Presidente da Comissão de Relações Internacionais do Conselho Federal da OAB (2007/2010); Membro da Federação Interamericana dos Advogados, do American Bar Association, da Federação Internacional dos Advogados, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (Cadeira nº 6 – Rodolpho Jacob).

Ele também presidiu a Academia Mineira de Letras Jurídicas (2013/2017), onde ocupou a Cadeira nº 37, que tem como patrono o jurista Lincoln Prates. Foi Cidadão Honorário das cidades de Belo Horizonte, Uberaba, Salinas e Pitangui. Conselheiro Federal da OAB/MG em quatro mandatos (1991/1993; 1993/1995; 2004/2007; 2007/2010). Membro do Conselho Superior do Instituto dos Advogados de Minas Gerais e do Instituto dos Advogados Brasileiros (2015/2017; 2014/2016). Diretor da Associação Comercial e Empresarial de Minas (BH).

Sua biografia e exemplos serão eternizados na memória de amigos, familiares, alunos através do seu legado, registrado em livros que são bússolas para quem navega nas águas do Direito: “A boa-fé como princípio e maneira de ser” in Advocacia & Ética , Editora Del Rey, 2017. “Sobral Pinto, O Advogado”, Editora Del Rey, 2003 e “A Suspensão da Liminar no Mandado de Segurança” in Mandados de Segurança e de Injunção, Editora Saraiva, 1990. Aristóteles, o belo-horizontino de coração deixa saudades e exemplos que devem ser seguidos por quem compreende o significado de Cidadania. Em uma palavra, Aristóteles foi a tradução de ternura!

José Aparecido Ribeiro é Jornalista e Diretor da ACMinas.

e-mail: jaribeirobh@gmail.com – WhatsApp: 31-99953-7945

6 thoughts on “Aristóteles o belo-horizontino, advogado, jurista e cidadão, partiu deixando legado e saudades

  1. Fui aluna do professor Aristóteles na PUC, que postura, inteligência, elegância, humildade e carinho com todos. Uma pena ter partido assim… Fica aqui minha singela homenagem a esse grande operador do direito!

  2. Um exemplo ,uma referencia para nos humanos que sofremos muito .Conheci em um evento e fiquei feliz em conhecer.

  3. No Brasil é muito difícil um cidadão honesto conseguir deixar uma boa imagem sendo advogado.
    Vivemos numa época que Rui Barbosa profetizou, o homem terá vergonha de ser honesto.
    Ser honesto é ser bobo, tolo, ingênuo.
    Tudo politicamente correto e ou incorreto se justificar.
    Os governantes gregos mandavam para o interior do país pessoas em busca de pessoas com o qi elevado e assim apareceram os sofistas.
    Entre eles surgiu Aristóteles, e em Bh alguém de gde valor humano para perpetuar este nome gigante consagrado em todo mundo.
    Não o conheci mas pela foto percebemos um semblante de um homem justo, sem receios , sem medos, homem de fé e destemido.
    Professor respeitado por colegas e alunos.
    Isto é que deve ser o final de vida de cada um de nós, este modelo de homem de caráter e idoneidade.
    A nossa certeza de que Deus justo Juiz celestial poderá te lo em seu escritório para retratar com zelo os nossos julgamentos.
    Vai com Deus.

  4. É meu Grande amigo não o conheci mas só de as suas informações senti é uma personagem e uma grande.Deixou Saudades.

  5. Eu não sei como está o açunto da contaminação e do tipo de precaução que o Brasil está usando pra poder reduzir ao mínimo o arisco do contágio. Uma coisa é certa, até quando uma terapia médica não é eficaz pra reduzir pessoas qui precisa de terapia intensiva, é inteligente adotar muita limpeza, sanificazione e ter menos contato e asembramento de pessoas e ficar atento até na mesma casa. Não faz a bobagem de ter ideal política eschesendo da prioridade qui é a saúde.

  6. Eu não sei como está o açunto da contaminação e do tipo de precaução que o Brasil está usando pra poder reduzir ao mínimo o arisco do contágio. Uma coisa é certa, até quando uma terapia médica não é eficaz pra reduzir pessoas qui precisa de terapia intensiva, é inteligente adotar muita limpeza, sanificazione e ter menos contato e asembramento de pessoas e ficar atento até na mesma casa.

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