Hotéis de BH reclamam da falta de fiscalização em áreas de embarque e desembarque

Hoteleiros reclamam da falta de fiscalização em áreas de embarque e desembarque de hospedes nas portas dos hotéis de Belo Horizonte, dificultando a chegada e saída de visitantes .

  Foto: Fachada do Hotel Encore na Rua Gentios, Luxemburgo – motos ocupando local proibido

Depois que perdeu o direito de multar, há mais de uma década, a BHTrans, empresa responsável pelo trânsito de Belo Horizonte, substituiu a caneta pelo arsenal eletrônico que lhe garante vultosas quantias advindas de multas de radares e detectores. Porém quando o assunto é fiscalização dos pontos de embarque e desembarque nos hotéis da capital, a empresa de trânsito parece ter lavado as mãos e comparece muito mais para dificultar do que para dar boas vindas a quem hospeda na cidade.

Foto: Hotel Finanial na Av. Afonso Pena – Praça Sete – Ponto de ônibus na porta

O drama dos hotéis ganha destaque na região centro sul, onde estão concentrados a maioria dos estabelecimentos de hospedagem. Pouco espaço, fiscalização padrão para hóspedes, conivência com taxistas e veículos que não respeitam o espaço destinado aos visitantes. Curioso observar que a empresa de trânsito tenta de todas as maneiras dificultar impondo restrições aos hotéis no rebaixamento de calçadas e áreas de desembarque. No entando, na região central tem pontos de ônibus na porta de um dos mais tradicionais hotéis da capital, o Hotel Financial, próximo à Praça Sete na Av. Afonso Pena.

Foto: Cesar Viana – Gerente Geral do Hotel Financial e ex-presidente da ABIH-MG

Cesar Viana, gerente geral do Hotel e ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, reclama que BH é a única cidade do mundo que a prefeitura não respeita o turista: “O espaço destinado a embarque e desembarque está sempre ocupado”. Na parte da manhã é por veículos de terceiros e à tarde entrando pela noite, vira ponto de taxi lotação, reclama o gerente.

Ele lembra ainda que o desrespeito ao espaço de parada dos hóspedes obriga os manobristas do hotel a fazerem o embarque e desembarque em fila dupla colocando em risco tanto a segurança do hóspede, quanto a organização do trânsito. O Financial ainda tem na sua porta além de um ponto de ônibus, fila para táxis lotação de outros municípios: “É território de ninguém, vale tudo e isso afeta a segurança e a hospitalidade, pois os infratores e a falta de fiscalização prejudicam as operações do nosso negócio”, conclui o gerente que diz nunca ter visto na cidade uma administração tão descompromissada  com o turismo e com a mobilidade.

Foto: Recepção do Hotel Royal Savassi ocupada por taxi no local destinado à embarque

A gerente geral do Hotel Royal Savassi relata que recentemente representantes da PBH estiveram no hotel e proibiram que os carros parassem no passeio para desembarque, mesmo sem prejudicar pedestres: Raquel Rodrigues lembra que o hotel tem apenas uma vaga para receber hóspedes, e que isso não é suficiente, sem contar que a manobra acaba atrapalhando o tráfego da Rua Alagoas cujo fluxo é intenso o dia inteiro: “Tivemos inclusive que ‘subir’ o meio fio, e a dificuldade agora são as filas de taxi que não respeitam o pouco espaço que nos restou”. A gerente já fez varias reclamações na BHTrans, mas eles só comparecem semanas depois, olham e não fazem nada”, conclui.

 

Foto: Maarten Van Sluys, da JPR Assessoria e Consultoria, especialista em hotelaria

Na opinião do Consultor em Hotelaria, Maarten Van Sluys, experiente profissional da área, a BHTrans parece ter como meta atrapalhar os hotéis: “Ao dificultarem o embarque e desembarque mandam uma mensagem subjacente de que o turismo não é prioridade do governo municipal”, observa o gestor hoteleiro. Sugere ainda que falta consciência por parte dos agentes da BHTrans e da Guarda Municipal sobre a importância do turismo para a economia da cidade, e que ao invés de atrapalhar, “os agentes públicos precisam ter o bom senso de tratar bem, facilitar as coisas para o turista, fazendo com que ele se torne um multiplicador”. Maarten conclui dizendo que ao melhorar o ambiente de negócios, todo mundo ganha.

Foto: Pollyana Mendes de Souza – Gerente Geral do Hotel Encore Luxemburgo

No bairro Luxemburgo, em frente ao Hotel Ramada Encore, Rua Gentios, a situação é ainda pior, relata a gerente Geral, Pollyana Mendes de Souza: “Estamos com a 99 taxi localizada ao lado e o dia todo centenas de motoqueiros param no estacionamento proibido e no embarque e desembarque do hotel”. A executiva relata que já fez várias reclamações na BHTrans, e nunca recebeu uma resposta. Mostra BO´s efetivados pela Polícia Militar dezenas de vezes: “Abrimos ocorrências através do 190 e eles falam que não podem fazer nada”. O jogo de empurra não tem fim, reclama a responsável por um dos hotéis de maior movimento da região.

Foto: Motociclistas ocupam local de embarque e desembarque do Hotel Encore Luxemburgo

Eugênio Fiuza é gerente comercial do Samba Hotel no centro da capital e disse que lá o problema são os taxistas que tomaram conta da porta do hotel: “Se não bastasse os taxi convencionais que não respeitam ninguém, ainda tem os taxi lotação”. O profissional chama atenção para o fato de que o setor hoteleiro passa por crise em virtude da falta de eventos, de uma economia que anda a passos lentos, e que “ao invés de tratar bem o hóspede, a prefeitura trabalha contra”, observa o hoteleiro que está no mercado há mais de 40 anos.

Procurada a BHTrans disse que apenas cumpre a Lei, embora na prática a Lei está sendo cumprida apenas em parte, já que a fiscalização não vem agindo para coibir abusos nos pontos de embarque e desembarque dos hotéis.

3 thoughts on “Hotéis de BH reclamam da falta de fiscalização em áreas de embarque e desembarque

  1. É lamentável que a BHTRANS se omita diante destes fatos que acontecem diariamente prejudicando os negócios hoteleiros e colocando em risco o embarque e desembarque de nossos ilustres visitantes.

  2. Desrespeito com o turista. Aliás voltando ao assunto prefeitura chegue de onde chegar infelizmente até o hotel ja foi impactado negativamente com a sujeira das ruas, mendigos e pichações.

  3. Que um dia, os orgãos publicos, realmente estejam a serviço da sociedade. Um absurdo que o desrespeito á lei seja tão ignorado!

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