Intervenção federal nos preços da cesta básica é a saída para evitar catástrofe alimentar no Brasil

Para evitar uma catástrofe sem precedentes que ronda os lares de milhões de brasileiros excluídos da economia e do mercado de trabalho depois do início da pandemia, gente que corre o risco de não ter o que comer em virtude da disparada dos preços da cesta básica, as fórmulas consagradas e as “verdades” da ciência econômica tradicional precisam ser revistas urgentemente.  O contingente de pessoas em risco é de 14,1 milhões, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua). São pessoas que não têm poder sobre o “onipotente” mercado, mas ao mesmo tempo estão a mercê dele.

A salvação para os desalentados no Brasil é intervenção do governo nos preços da cesta básica, fechamento ou fusão de milhares de lojas de supermercados, e a adoção dos alimentos genéricos, a exemplo do que foi feito na saúde, é o que afirma especialista ouvido pelo Blog. O país tem um dos maiores índices de supermercado por habitantes do mundo. São 89.906 lojas para uma população de 211,9 milhões de pessoas. O que não existe, por exemplo, nos EUA onde o domínio do setor é concentrado em seis conglomerados varejistas.

Foto: Américo Novaes

Dados da Associação Brasileira de Supermercados – Abras, mostram que no Brasil, para cada 2.382 pessoas, existe um supermercado e isso, ao contrário do que parece, não traz benefícios para a população, é o que afirma o paranaense radicado em São Paulo, formado pela USP, João Pereira Pinto que é perito contábil e advogado: “O custo fixo acaba impactando a macro economia em virtude da alta taxa de improdutividade dos supermercados”, relata. Ele lembra que em determinadas horas do dia a maioria dos supermercados ficam as moscas, e isso carrega os custos fixos que consequentemente são repassados para os produtos vendidos.

Com efeito, se houvesse menos lojas os preços dos produtos seriam impactados para baixo, pois o custo fixo é diluído. “Havendo mais produtividade no setor quem ganha é o consumidor”. João chama atenção ainda para o fato de que os gêneros de primeira necessidade precisam ser monitorados de perto pelo governo: “Itens como arroz, feijão, carne, ovo, farinha, óleo de soja etc. não podem ficar sujeitos às leis de mercado”, alerta.  “Os supermercados que quiserem aumentar faturamento para fazer frente aos custos fixos, que aumente os supérfluos, tirando da lista os 13 itens da cesta básica”, relata.

Preços dos alimentos impactados pela quantidade de supermercados e dos seus custos fixos

Quem mais lucra na lógica do de livre mercado neste caso é o atravessador. Outro caminho para o governo enfrentar o problema é dificultar a abertura de novas lojas e incentivar a fusões, diminuindo assim os atravessadores e os pequenos pontos de vendas que fazem os alimentos encarecerem na ponta.

Dados da Abras mostram que o faturamento do setor em 2019 foi de R$378,7 bilhões. Por incrível que pareça a população da periferia (os pobres) é a que mais sofre com a pulverização dos pontos de vendas, já que os mais favorecidos têm carro, internet e outros meios de pesquisar preços.

Foto: Tribuna de Minas

O chamado ticket médio no Brasil é de R$1.732 por ano por pessoa, ou R$ 148,80 por mês. Isso mostra que as famílias têm gasto médio mensal de R$ 595,37. O que para uma família que tem renda média liquida (quando tem) de R$2 mil por mês significa 30 % o gasto só com alimentação. Já para famílias que têm renda média de R$10 mil, os gastos representam 6 % do ganho. Se a renda for R$ 20mil (a dos políticos, juízes, funcionalismo público médio) o impacto é de 3 %. Já para os milionários, o gasto com alimento não representa absolutamente nada.

Portanto, os poucos homens que governam a população pobre do Brasil não fazem a menor ideia de como 1/3 da população, ou 72 milhões de pessoas sofrem para comer. Como não sentem na pele, é pouco provável que se sensibilizem, e por isso os mantras da economia seguem imexíveis. Se isso não é um genocídio anunciado, pergunto: O que será?

José Aparecido Ribeiro – Jornalista

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