Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica – SBOC, completa 40 anos e registra grandes avanços no tratamento contra o câncer

Nenhuma outra especialidade da medicina evoluiu tanto quanto a oncologia nos últimos 40 anos, é o que afirma a presidente da SBOC

Foto: Acervo SBOC – Diretoria eleita para o biênio 2019/2021

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) representa mais de 2,5 mil especialistas em todo o território nacional. Existe deste 1981, e trabalha para fortalecer a prática médica da Oncologia Clínica. A entidade que está presente nos 26 estados e no DF é presidida pela médica Dra. Clarissa Mathias, eleita para a gestão do triênio 2019/2021.

Curiosamente a Sociedade Brasileira de Quimioterapia Antineoplásica nasceu no ano de 1963 em Belo Horizonte (MG). Era a primeira entidade médica voltada ao tratamento do câncer no país. Com a morte de seu primeiro presidente, o médico baiano Dr. Dalmo Carvalho Rodrigues as atividades foram interrompidas por 16 anos.

Mas a semente havia sido plantada e durante um simpósio sobre o assunto em Porto Alegre (RS), a entidade ressurgiu com novo nome, Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), para, em 1981 ser oficialmente fundada e a partir daí ganhar representatividade em todo o país.

Foto: Acervo SBOC – Presidente Dra.Clarissa Mathias

“Estávamos vindo de um enorme congresso sobre cancerologia, pois na época nem usávamos muito o termo oncologia, e percebemos que havia interesse amplo da classe médica no assunto: cirurgiões, radioterapeutas, clínicos…”, lembra Dr. Gilberto Luis Santos Salgado, membro-fundador da SBOC.

A história de fundação da SBOC se confunde com a da própria prática sistematizada da oncologia clínica no país – isto é, do cuidado mais amplo para o diagnóstico e tratamento das diferentes neoplasias. Até então, a oncologia clínica era uma área ainda pouco difundida no país, mas com a atuação da SBOC, foi se tornando uma das especialidades mais fortes da medicina nacional. “Hoje é quase impossível pensar em praticar oncologia clínica no país sem ter vínculos com a SBOC”, avalia Dr. Roberto de Almeida Gil, membro da entidade desde 1981.

Foto: Acervo Dr. Roberto de Almeida Gil – Oncologista e um dos fundadores da SBOC

Criada com o propósito principal de gerar conhecimento para os médicos que tratavam pacientes com câncer, a SBOC passou a aturar em diversas outras frentes, como incentivo à pesquisa, políticas de saúde, defesa profissional, relações nacionais e internacionais. “Era difícil imaginar que conheceríamos tanto sobre câncer como hoje, e ainda mais inimagináveis as tantas inovações no tratamento e no diagnóstico, permitindo cada vez mais a cura em muitos casos e mesmo lidar com a doença como uma condição crônica”, avalia a presidente da Sociedade, Dra. Clarissa Mathias.

AVANÇOS CONTRA O CÂNCER E A PARTICIPAÇÃO DA SBOC

A quimioterapia foi descoberta no final dos anos 50 e é considerado o primeiro grande marco da oncologia. Naquela época os diferentes tipos de cânceres eram pouco conhecidos. Os avanços ocorreram com o lançamento do primeiro anticorpo monoclonal quimérico, em 1997, iniciando uma nova fase nos tratamentos. Mas foi só em 2001 que o genoma humano foi sequenciado pela primeira vez e o primeiro quimioterápico via oral foi lançado – medicamento que revolucionou o tratamento de pacientes com leucemia, uma vez que agia para alterar a genética que causa a doença.

Foto montagem: SBOC – Campanha de prevenção Outubro Rosa

De acordo com a presidente da SBOC, “a especialidade estava mudando muito e a entidade passou a atuar como facilitadora do conhecimento permitindo que oncologistas e pacientes estivessem a par dos avanços científicos que não param de acontecer”, relata. Ela lembra anda que a imunoterapia para câncer foi aprovada somente em 2011, o que serviu para potencializar o sistema imunológico para que ele combata os tumores. .

Foi a partir de 2017, que SBOC passou a representar oficialmente a classe na Associação Médica Brasileira (AMB) em assuntos relacionados à oncologia. Um passo importantíssimo consolidação das melhores práticas na atuação oncológica no Brasil, salientou a presidente, Dra. Clarissa Mathias.

O câncer não é mais o fantasma que já foi há 30 anos

As conquistas não param por aqui, e ela lembra de outras importantes que merecem destaque: Terapias-alvo (quimioterápicos orais): trastuzumabe (2017) e pertuzumabe (2018) para tratamento de câncer de mama; Trapias-alvo (quimioterápicos orais): pazopanibe e sunitinibe (2018) para tratamento de câncer renal; e Imunoterápicos: nivolumabe e pembrolizumabe (2020) para tratamento de câncer de pele do tipo melanoma.

Durante a pandemia a SBOC conseguiu engajar médicos e hospitais para entender e reduzir os impactos no cuidado oncológico, por meio de pesquisa nacional sobre as relações entre a COVID-19 e câncer. A SBOC atendendo a solicitação da Organização Mundial de Saúde (OMS),reuniu-se com outras sociedades médicas, incluindo o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde para planejar ações no combate ao câncer no colo do útero no Brasil e no mundo.

Foto: Dr. Renato Nogueira – fundador do Instituto de Oncologia do Hospital Felício Rocho

Para 2022, a SBOC segue focada em diagnósticos e tratamento que possam eliminar ou diminuir o drama desta doença que mexe com a estrutura psíquica das pessoas, mas que já não é o fantasma que foi há 30 anos.

Foto: Dr. André Márcio Murad – do Personal – Oncologia de Precisão

Dedico esta matéria a dois amigos que ao longo da vida emprestaram seu tempo ao tratamento do câncer, com competência, ética e desenvoltura que lhes renderam reconhecimento internacional:

Dr. Renato Nogueira, um dos fundadores do Instituto de Oncologia do Hospital Felício Rocho, hoje aposentado, compondo poesias e morando em Portugal.

E ao Dr. André Márcio Murad, ainda na ativa salvando vidas no Personal – Oncologia de Precisão Personalizada em Belo Horizonte, ambos, Dr. André e Dr. Renato são médicos com reconhecimento internacional, pós-doutores.

www.oncologiadeprecisao.com.br

José Aparecido Ribeiro é jornalista

www.zeaparecido.com.br – 31-99953-7945

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8 thoughts on “Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica – SBOC, completa 40 anos e registra grandes avanços no tratamento contra o câncer

  1. Conheci o Dr. Renato aqui em Chicago na Conferência da Associação Americana de Oncologia. Como membro dedicado da Associação, ele participa ativamente todos os anos. Sempre me encantou ver a dedicação do Dr. Renato ao conhecimento e aprimoramento dessa enfermidade tão devastadora. Seu nível de conhecimento e dedicação é algo a ser copiado. Seu amor pelos pacientes também. Abençoados aqueles que foram tratados por ele. Uma pessoa que se preocupa com o paciente em todos os aspectos. Imagino a falta que ele deve estar fazendo no Brasil.

  2. Dr.Renato Nogueira me acompanhou no tratamento de câncer de mama em 2005,demonstrando ética segurança e precisão que me deixaram muito segura e agradecida.
    Hoje é um grande amigo e sua falta em Belo Horizonte é muita sentida por nós.
    Não só por sua competência ,mas por sua humanidade e carinho inigualáveis.
    Muito obrigada Renato!

  3. Homenagem mais que merecida ao meu querido Dr. Renato Nogueira. Em 2016, ao ser diagnosticada com um linfoma no pescoço, devolveu-me, com muito carinho, dedicação e respeito, no momento mais frágil da minha existência, a esperança de uma nova vida saudável e feliz! ❤️Eternamente agradecida a esse excelente Médico.🙏🙌

  4. Fico feliz que estão caminhando rumo à mais e mais evolução para o tratamento do câncer em geral… O que interesses é uma junta de médicos que se julgam peritos banalizar sequelas que tal tratamento traz. esquece pós problema é suspende benéfico alegando, sermos queixosos e novos, logo temos que voltar a laborar, deixando assim a mercê de nossos pós câncer. estou vivendo isso. acreditem, não é nada fácil.

  5. Sou testemunha do trabalho do Dr. Renato Nogueira no Hospital Felício Rocho que cuidou da minha tia e além de bom médico é uma figura humana raríssima. Se está descansando é merecido. Parabéns Dr. Renato pelos serviços prestados a sociedade mineira. Que Deus lhe proteja. Dirce Sampaio

  6. Há mais de cem anos a ciência procura evoluir na cura desta doença. Perdi um sobrinho de 5 anos em 5 meses de luta e uma grande amiga com uma sobreviva dolorosa de 1 ano e sete meses. Que Deus dê muita sabedoria aos médicos para saber tratar a doença, os pacientes e a família nesta via dolorosa. Graças a Deus muitos casos de cura.

  7. Meu pai morreu tem mais de 50 anos, com câncer de pulmão devido uso de exagerado de tabagismo.
    Morávamos no interior com poucos recursos aí teve que ficar em BH por 2 anos.
    Com a situação dificil, 9 filhos pequenos e minha mãe Diretora Escolar teve que ficar em casa.
    Após 2 anos foi pra BH buscar meu pai pra passar seus últimos dias.
    Eu fico pensando como evoluiu o tratamento, hoje Patos de Minas tem 2 hospitais que fazem tratamento de câncer.
    Já a cidade de Patrocínio bem perto está construindo um enorme hospital de câncer sendo uma filial de Barretos.
    Com isso diminui muito o sofrimento de uma enorme quantidade de pessoas.
    Que grandes descorbertas em estudo do genoma humano e até de animais estamos evoluindo o tratamento.
    Deus acima de tudo.

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