Falta Alguém em Nuremberg – Por: Uchoa de Mendonça

Vai faltar cadeira em Nuremberg para julgar os carrascos brasileiros, os da política e especialmente os do judiciário

Foto: Reprodução – Fachada do Tribunal de Nuremberg

Por: Uchoa de Mendonça – Jornalista e escritor

“Vai para 80 anos, que o combativo  jornalista David Nasser, dos “Diários Associados”, publicou os mais sombrios episódios da ditadura Vargas (1930 – 1945), quando passou a sofrer as piores perseguições, até que surgiram outros corajosos, também, pra denunciar os crimes praticados pelo sórdido capacho Filinto Müller, o Chefe da  Polícia Política e o diretor do DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda, que censurava e punia autores daquilo que  publicavam ou diziam, que não era submetido à censura pelos autores

Foi na década de 40 que um jornaleco (pelo minúsculo tamanho), editado na cidade de São Mateus, ES, noticiava o enforcamento do produtor rural Manoel Justino, que tinha sua roça num pedaço de terra na Serra do Oratório, e trazia, nos fins de semana, uma carga de bananas, no único cavalo que possuía, para vender sua mercadoria ao primeiro atravessador que surgisse à sua frente, no mercado da cidade, no porto. 

Justino teve a infelicidade de cair nas mãos do fiscal Archimimo Motta, que lhe tomou a carga de bananas e o cavalo, vendendo-os em hasta pública (leilão) para pagar o Imposto Territorial Rural.

Contrariado por ter perdido o animal e a mercadoria, chegando em casa de mãos vazia, diante da esposa e filhos curvou-se à sua impotência para poder reagir, seguir a porca vida. Apareceu na manhã seguinte pendurado numa árvore: cometera o suicídio.

Dois vizinhos de Justino vieram a São Mateus e relataram o episódio a meu pai, jornalista Mesquita Neto, que era o dono do Jornal “O NORTE”, editado na tipografia de sua propriedade, que relatou a morte do ruralista, afirmando no editorial de sua responsabilidade: “Manoel Justino fez muito bem em suicidar-se. Num país onde o governo central desconhece o que se passa no interior, onde o pobre come mamão com farinha! Mamão, porque o mamoeiro nasce a toa; farinha quando Deus dá!”

Um mês após a publicação do artigo, alguém bateu na porta da nossa casa, ao meio dia, hora do almoço. Meu pai mandou que eu fosse ver quem importunava àquela hora. Era o delegado de polícia, Iran Cardoso. Voltei, falei que era o senhor Iran. Meu pai passou o guardanapo na boca e foi à porta: “Boa tarde Iran. Ao que devo sua visita a esta hora?”

“Mesquita, a notícia não é agradável. Eu vim prendê-lo. Tem um pessoal da Polícia do Rio e Vitória, com a incumbência de levá-lo preso”. Meu pai pediu que ele esperasse um pouco, para encerrar o almoço, que iria acompanhá-lo”.

Era o secretário do senhor Filinto Müller, o secretário do Interior e Assuntos de Justiça do Governo Punaro Bley, Ciro Vieira da Cunha; e o delegado de Ordem Política Social, Amúlio Finamori.

O delegado  Amúlio Finamori  informou ao meu pai que ele estava sendo preso por três motivos: primeiro, porque publicara  uma informação que não era verdadeira,  que Manoel Justino tinha se enforcado, não citava testemunhas e muito menos dizia se viu o enforcamento;  segundo, estava ofendendo o Governo Federal, chamando-o de ignorante, ao afirmar que desconhecia o que se passava no interior do Brasil; e, terceiro, o jornalista era comunista, porque afirmava que Manoel Justino  fizera muito bem em suicidar-se.”

Devido a reação de pessoas influentes de São Mateus, a começar por Eleosipo Cunha, “rei da madeira”, filho do Barão de Aimorés, irmão de Constantino Cunha, pai de criação da minha mãe, que impediram a transferência do meu pai para as mãos pesadas so DIP, sob o comando de Filinto Müller.

Meu pai passou seis meses na cadeia. Foi solto por interferências políticas junto ao ministro da Guerra, que era de Alagoas, Góes Monteiro.

Passei até 1954, esperando ver Getúlio Vargas morto. Suicidou-se no dia 24 de agosto. Fizemos uma grande festa, em família, em comemoração. Tempos depois, 11 julho de 1973, em acidente aéreo no Aeroporto de Orly, França, morria Filito Müller, conhecido também como o “Carrasco de Vargas”. Maldito!!!

Com essa terrível lembrança da minha infância mateense, fico imaginando o que não vai  na cabeça  dessa pobre gente presa como “terrorista” num governo formado por terroristas de verdade, da pior qualidade, saqueadores de cofres da Pátria, ladrões contumazes e perversos assassinos, que provocaram o surgimento do Movimento Militar  de 1964, anistiados no governo militar de João Batista Figueiredo, em 1984,  voltaram depois de anistiados,  se apoderaram do governo brasileiro ;  mentem descaradamente, com fatos fabricados, que eles sabem que utilizam  propositadamente, para destruir a vida de 1800 pessoas por eles presas, foram denominadas  como terroristas, sem armas…

Quem vai salvar o Brasil?

Estamos sendo conduzidos por uma corja de bandidos, guiados por um bêbado, tendo como destino o precipício.  Triste fim!

 Leia mais Artigos de Uchôa de Mendonça em http://uchoademendonca.jor.br/

Obs.: Caro leitor, caso deseje transmitir o texto acima, de minha autoria, mantendo sua íntegra, está autorizado. A responsabilidade pelo mesmo será sempre minha. Agradece o Uchôa de Mendonça.”

José Aparecido Ribeiro é jornalista e editor

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Comentários
By zeaparecido

José Aparecido Ribeiro é Jornalista, Bacharel em Turismo, Licenciado em Filosofia e MBA em Marketing - Pós Graduado em Gestão de Recurso de Defesa

3 Comments

  • Maravilha de texto. Assim como esse, imagino a quantidade de fatos da nossa história política, que se assemelham aos dias que estamos vivendo sob mais esse governo criminoso e perdulário do molusco multicondenado.

  • Belíssimo artigo que retrata os fatos atuais no nosso país envolvendo o judiciário, executivo e legislativo.
    Como dizia Ruy Barbosa: “A pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer.” Rui Barbosa.
    Esta é a nossa triste e preocupante situação!

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