A Arte do faz de conta.

Rosto maquiado, um sorriso largo, pose de mocinho, frases de efeito, popularidade, algum carisma, um batalhão de cabos eleitorais, marqueteiros e a sorte esta lançada. A sorte dos incautos que definem as eleições, os que trocam o voto por favores ou alguns trocados, e a dos que pensam e conseguem enxergar a farsa e sua consequências no conjunto da obra, cujo resultado afeta a minha e a sua vida. Tem candidatos para todos os gostos: Há os que realizaram atividades coletivas profissionais, representando sindicados, associações, líderes comunitários, pastores de igrejas, jogadores de futebol, professores e até palhaços. Há os que querem fazer disso uma profissão ou simplesmente tirar alguns meses de férias do serviço publico. Quase tudo, menos conhecimento de causa e idealismo. De cabos, sargentos, motoristas, passando por açougueiros, locadores de vídeo, brancos, pretos, pobres e burgueses, paraplégicos, desportistas,  radialistas vibrantes e até chapeleiros, a democracia permite a `qualquer um`, o que não deveria ser para “qualquer um”. Bertolt Brecht em seu texto celebre – “O Analfabeto Político” – fala que o pior analfabeto é aquele que não quer ver que praticamente tudo na vida de uma cidade, estado ou país, depende de decisões políticas. Segundo o autor, o preço do fubá, do feijão, da farinha e até do caviar depende de decisões políticas. Porém o Dramaturgo Alemão esqueceu de dizer que a política depende de algo muito maior do que apenas desejo e popularidade, ou mesmo capacidade de dar tapinhas nas costas e ter dinheiro para comprar votos. Depende também de um modelo eleitoral que permita selecionar previamente, candidatos com aptidões comprovadas, cidadãos capazes e com um mínimo de condição para o exercício do ofício. Candidatos cuja trajetória de vida tenha sido marcada por ações que comprovem sua vocação. Isso por que nas democracias é dado ao povo um poder maior do que a maioria é capaz de compreender, ao fazer uso do voto como juiz. Portanto, não basta um rosto maquiado, uma lista de promessas, popularidade e carisma, é preciso que o candidato tenha história, seja vocacionado e desempenhe sua missão de legislar ou de ser Prefeito de uma Cidade com zelo, dedicação e conhecimento de causa.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos e Moblidade

CRA MG 0094/94

3-9953-7945

One thought on “A Arte do faz de conta.

  1. Maravilhoso texto, é o retrato do que acontece em varias cidades, onde a prioridade nunca é a população, e sim interesse próprio, e garantia de permanência no poder.

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