As mentiras politicamente corretas propostas pelos candidatos a prefeito de BH.

Peço vênia ao leitor eleitor para emitir opinião sobre o quadro sucessório em curso nas eleições de BH, convidando para uma reflexão. Acompanhei os debates na TV, entrevistas em rádios, jornais e não precisa ser gênio, nem tampouco sociólogo para tirar algumas tristes conclusões:

 

O modelo eleitoral faliu, não tem mais a capacidade de barrar os que aproveitam-se do processo para tornarem-se conhecidos ou mesmo para vender legendas partidárias e garantir mandatos eletivos futuros, especialmente para os cargos de deputado federal e estadual.

 

O nível dos candidatos que se apresentaram está abaixo da crítica, salvo raras e honrosas exceções. É provável que boa parte deles não passariam em um simples teste psicotécnico. Outro detalhe que salta aos olhos e deveria servir de alerta para o eleitor mais atento é que a maioria dos candidatos não conhecem a cidade que pretendem governar.

 

Usam jargões conhecidos, surfam no politicamente correto, mesmo que o “correto” não sirva para ser aplicado à realidade de Belo Horizonte. Os exemplos são fartos. A tese de que o caminho para a solução da mobilidade urbana passa por ciclovias não se sustenta. Um olhar mais atento ao dia a dia é fácil constatar que elas não receberam a adesão da população, embora sejam uma tendência mundial.

 

As razões são objetivas. A topografia e o clima de BH não contribuem para a prática do ciclismo como meio de transporte.  Imagine um trabalhador que reside no bairro Buritis, o mais populoso de BH, usando sua bike para trabalhar na Savassi ou no Centro da Capital? Pouco provável que ele consiga vencer o trajeto diariamente com a segurança necessária.  

 

A maioria da população não anda e jamais usará bicicleta como meio de transporte. Outra declaração politicamente correta diz que “a cidade é para as pessoas”. De fato é, mas esquecem de dizer quais pessoas. Deveria ser para as que circulam a pé, de ônibus, e para as que optaram pelo transporte individual. Nada menos que 1,7 milhões de cidadãos.

 

Na leitura de todos os candidatos, assim como os gestores atuais, o transporte público é o único meio que um cidadão consciente deve ter como opção para se deslocar por BH. Ignora-se o direito ao individual. Tem até candidato defendendo MOVE na Av. Amazonas.

 

Com efeito, se implantado, o move suprimirá duas das 6 pistas existentes, transformado um dos mais importantes corredores da cidade em um verdadeiro caos, assim como ocorreu na Av. Pedro II, quebrando todo o seu comercio. Lembro que as pistas exclusivas para ônibus da Av. Pedro II passam a maior parte do tempo vazias.

 

Os candidatos esqueceram do passivo de obras de 40 anos que a cidade possui. não lembraram que a frota de veículos cresceu nos últimos 10 anos 138%. Teve candidato defendendo a construção de metro sem se dar conta de que o km de metro custa R$700 milhões, em condições normais… 

 

Outros estufam o peito para falar de VLT ligando o Centro de BH a Cidade Administrativa. Desconhecem que VLT, assim como o MOVE, concorre com carro em uma cidade que não tem mais espaço em suas vias já saturadas pelo volume de carros. Confundem VLT com Monotrilho (metrô aéreo).

 

Nenhum deles dignou-se a falar do descrédito da BHTrans, e da necessidade de recuperação da sua credibilidade e do seu direito de usar a caneta, como método pedagógico. Sem credibilidade o gestor do transito perde sua eficiência.

 

Nenhum deles trouxe a publico o tema “Comitê de Crises”, necessário e urgente para atuar nos congestionamentos cada vez mais recorrentes em varias partes de BH. O transito está a deriva de sinais que não conseguem mais dar vazão ao fluxo de veículos.

 

Não mencionaram a necessidade de um plano de recuperação do piso asfáltico completamente destruído pelo uso constante e pela falta de fiscalização e protocolo nas intervenções subterrâneas feitas a bancarrota, transformando as intervenções nas ruas em buracos ou “murundus”.

 

Não fizeram qualquer menção as práticas salutares da carona solidária, escalonamento de turnos,  rotas alternativas bem sinalizadas e asfaltadas, rodízio de pais, corredores que atravessam a cidade e necessitam de obras de arte da engenharia para existirem, dando fluidez ao transito.

 

Quase todos, assim como os atuais gestores da cidade, exorcizaram o carro como se eles fossem conduzidos por ETs, numa prova inequívoca de que não andam e não conhecem os hábitos do povo de BH. Uma lástima!

 

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos

Membro da Comissão Técnica de Transporte da SME

Fundador da ONG SOS Mobilidade Urbana

CRA MG 08.0094/D

31-99953-7945

 

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