BH precisa de obras urgentes, não há o que discutir.

Em BH vários urbanistas e especialistas em trânsito são radicalmente contra obras de infraestrutura, muitos deles ocupando cargos públicos importantes, universidades e instituições que são responsáveis pelo planejamento e pelo futuro da cidade. O discurso de que obras transferem os engarrafamentos de um cruzamento para o outro não pode mais ser aceito, pois não resolve o problema. Ao contrario, os que defendem essa tese prestam um desserviço para a sociedade. Esse pensamento também deixa os governantes com a sensação do dever cumprido. Obras devem ser executadas para eliminar gargalos sejam eles quantos forem.

 

E em BH, não são poucos, pois o traçado é ortogonal e a cidade é como um tabuleiros de xadrez, com muitos cruzamentos que só podem ser eliminados com viadutos, trincheiras, passarelas, túneis, elevados, alargamento de  vias e especialmente vias expressas, que tirem carros de onde eles não deveriam transitar, deixando espaço para pedestres ciclistas e para o verde da cidade.  São mais de 100, os pontos que exigem intervenções. Repare que BH recebe por dia, 400 novos carros. E para piorar, O INOVAR AUTO, programa federal de incentivo a indústria automobilística já conseguiu parceria com 11 montadoras internacionais nos últimos anos, e a tendência é que outras virão produzir carros no país, pois o mercado tem espaço para crescimento e o país precisa exportar.

 

Números do IPEA mostram que a taxa de motorização do Brasil ainda é baixa, se comparada aos países europeus, asiáticos e especialmente aos EUA, que revelam números impressionantes: Lá, a taxa é de 92%. Ao contrário a taxa de motorização brasileira é de apenas 20%. O Problema é que mais de 90% da população aqui é apaixonada por carro e ninguém compra veículo pra deixar na garagem. Com efeito, mesmo com transporte de boa qualidade, o brasileiro não vai parar de desejar e nem tampouco de comprar carro. A Indústria automobilística representa 23% do PIB e 15% da mão de obra economicamente ativa, e não pode parar de produzir.

 

O uso racional do carro é considerado como alternativa para o enfrentamento do problema, mas os mecanismos para colocar isso em prática são meras especulações, já que trata-se de medidas restritivas no uso do carro, que são também impopulares. Ou seja, não há outro caminho se não o que os EUA e vários países europeus e asiáticos tomaram, que é investir em transporte de boa qualidade e adaptar as cidades a este novo cenário, fazendo obras de infraestrutura que permitam fluidez no trânsito com a eliminação de gargalos.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Mobilidade e Assuntos Urbanos

Presidente do Conselho Empresarial de Política Urbana da ACMinas

31-9953-7945

CRA MG 080094/D

 

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