Carta de Eduardo Mello – Opiniao Estado de Minas 23/01 – Sacolinhas

Concordo com o Leitor Eduardo Mello que enviou carta dia 23/01 para o caderno opinião do EM. Quem não precisa, não imagina o tamanho do transtorno que é a falta das sacolas plásticas para carregar compras. Espantosa também é a passividade do povo em relação a imposição desta arbitrariedade, enfiada guela abaixo, sem critérios, sem dó nem piedade. A oferta de sacolas ecológicas para carregar mercadorias deveria ser obrigação dos supermercados e não do povo.  Transferir a responsabilidade para quem é vítima do problema é uma covardia e uma prova de incompetência dos nossos políticos cuja a tarefa é defender os interesses dos menos favorecidos. Eles inclusive são mestres em votar Leis, mas não acompanham a  aplicações delas na prática.

 

É importante defender o meio ambiente, mas para isso o pobre não deveria ser punido com mais um ônus. Os defensores do autor da proposta (Vereador Arnaldo Godoy do PT) ainda não perceberam que a Lei vai contra os interesses de quem não pode pagar por este capricho: O POBRE que usa o transporte coletivo e não tem outra alternativa. Esquecem que não saímos de casa com tudo programado como robôs. As vezes saímos correndo e nem lembramos de sacolas para carregar compras no final de um dia causticante de trabalho. Muitos nem sabem se terão dinheiro para comprar o pão do café do dia seguinte, quiçá para comprar sacolinhas ecológicas. Tal Lei beira o absurdo e fere o principio da razoabilidade. Alem de injusta ela também é uma Lei desproporcional.

 

Nas classes privilegiadas a compra costuma ser motivada por impulsos de ocasião, mas esses podem pagar por embalagens e não sofrem para carregar suas mercadorias no dia a dia.  Já para os pobres que ganham 620 reais, 0,19 centavos é valor a ser considerado. Com efeito, ninguém usa só uma sacolinha, mas várias. Como os autores da Lei não conhecem o que é viajar em ônibus lotados, acham que está tudo certo e que a população vai se adaptar. O que é um equívoco e uma prova de que vivem longe da realidade. Enquanto isso, os caixas de supermercados e o povão se descabela para encontrar meios e improvisar embalagens para as suas compras, enquanto o correto seria os supermercados assumirem esse ônus, que é da natureza do próprio negócio.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos

Belo Horizonte – MG

31 9953 7945

 

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