Ciclovias a qualquer preço, será que vale a pena?

A BH Trans segue firme disposta a cumprir suas metas de instalação de 370km de Ciclovias em BH, a qualquer custo e sem a devida correção, se necessário. Projetos de ciclovias se aplicam com grande sucesso na maioria das cidades europeias, cuja topografia e o clima contribuem para a prática do ciclismo. Datavenia, não é na Europa que os modelos a serem seguidos por BH devem ser buscados, mas na América do Norte, incluindo o Canadá e especialmente os EUA. Querendo ou não, os que defendem o discurso “politicamente correto” contra o carro, ele é uma realidade, sonho de consumo e ironicamente o carro chefe da economia nacional. É assim desde JK. E permanecerá assim sabe Deus até quando. O trabalhador pode e tem o direito de ter o seu carro, usando ele da forma que lhe convier.

 

Isso nos remete a uma reflexão: Não será limitando o uso do carro que o problema da imobilidade será resolvido, mas adaptando as cidades, ao desejo dos cidadãos, mesmo que isso pareça “demodé”.Para que ciclovias tenham sucesso, é necessário topografia plana e clima ameno. Nenhuma cidade continental com temperatura média superior a 20 graus, e topografia acidentada conseguiu emplacar bicicleta como meio de transporte. O detalhe é que a BH Trans faz propaganda, tenta persuadir o cidadão, instala as ciclovias e não volta lá para ver se elas estão sendo pelo menos usadas. Com efeito, podemos contar nos dedos o número de ciclistas que usam as bikes para o trabalho. Dizem por aí, que elas servem a 6% dos deslocamentos. Será?

 

Sou capaz de apostar que nem 0,6% dos belo-horizontinos tem coragem e saúde para enfrentar as ladeiras da Capital nos seus deslocamentos para o trabalho. Equivoca-se quem pensa que usá-las para o trabalho é o mesmo que usa-las em horários alternativos, especialmente os noturnos quando os propagandistas das bikes pedalam pelas ladeiras da cidade em grupos. O exemplo do fracasso do projeto está na própria manutenção das ciclovias. A maioria obstruídas por árvores sem poda, pistas estreitas que facilitam acidentes, e praticamente vazias a maior parte do tempo. Portanto, insistir em algo que já está mais do que comprovado que não deu certo, é jogar dinheiro fora e piorar ainda mais o caos no trânsito, nas ruas estreitas de BH. 

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos

Membro da Comissão Técnica de Transporte da Sociedade Mineira dos Engenheiros

CRA/MG 0800094/D

31-99953-7945

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