Ciclovias para quem e pra que?

Não é a insegurança e o risco de atropelamentos os principais entraves para as bikes não caírem no gosto do Belo-horizontino. A topografia da cidade aliada ao clima quente a maior parte do ano são os empecilhos para que apenas uma parcela mínima da população queira aderir às magrelas. A maioria desportistas convictos de fato e de direito. Alguns com a vaidade maior do que o bom senso e a razão. 

 

Embora a PBH insista em manter ciclovias em locais inadequados como Rua Fernandes Tourinho, Rua São Paulo, Av Olegário Maciel  e outras que vivem as moscas, só os praticantes apaixonados usam essas vias, em número insignificante perto do volume de carros. Na maior parte do tempo elas servem a pedestres, motoqueiros imprudentes, um ou outro ciclista de ocasião. Regra geral, depois das 21H quando o calor é suportável. 

 

Ser ciclista em uma cidade como BH não é para qualquer um. É preciso ter fôlego, hábito, dinheiro para comprar uma bicicleta adequada (que custam em média R$3 mil) e sobretudo coragem para enfrentar as ladeiras entupidas de veículos. Isso quando ladrões não agem com violência, colocando a vida de ciclistas na berlinda. Na medida que a crise piora, cresce o número de roubos de bicicletas. 

 

O argumento das autoridades de trânsito e dos xiitas defensores das magrelas é de que trata se de uma  tendência mundial, moderna e politicamente correta. De fato é, onde a prática do esporte é possível. Como meio de transporte só em cidades frias de topografias planas. O fato da maioria das cidades europeias aderirem a bicicleta, não quer dizer que ela possa ser meio de transporte na capital de MG. 

 

Seu uso no meio do transito caótico da cidade expõe o ciclista ao monóxido de carbono produzido pelos automóveis, o que é no mínimo insensatez e risco de vida. Salvo algumas poucas vias largas onde carro e bicicleta não concorrerem por espaço escasso, a cidade precisa urgentemente rever suas metas de instalação de ciclovias. Sob pena de estar contribuindo para os acidentes e jogando dinheiro do contribuinte fora em ciclovias que passam a maior parte do tempo, vazias. 

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos e Transito

Membro da Comissão Técnica de Transporte da SME – Sociedade Mineira dos Engenheiros

Diretor da ACMINAS 

Presidente da ONG SOS Mobilidade Urbana 

CRA MG 08.0094/D

31-99953-7945 

 

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