Cidadão a pé em BH não é o mesmo de carro…

Até onde se sabe, nunca ouviu-se dizer que exista congestionamento de pedestres em qualquer parte da cidade de Belo Horizonte. Mesmo na região central onde circulam 1,5 milhões de pessoas diariamente, não há trombadas de pedestres e nem filas significativas nos passeios por falta de espaço, que justifique aumento de passeios, em detrimento de ruas mais estreitas e entupidas de carro. Ao contrário, BH tem centenas de passeios muito mais largos do que ruas que já não cabem mais veículos. A maioria destes passeios servem apenas para enfeite, enchendo os olhos de urbanistas habituados a importar ideias prontas da Europa. Os famosos moderninhos que insistem em não enxergar a realidade como ela é. Defendem a existência de passeios largos onde não há trânsito de pedestres por pura vaidade.

 

Espaços vazios e motoristas enfartando dentro dos seus carros é cada vez mais comum em BH. Exemplos não faltam, basta um olhar atento no Boulevard Arrudas, Belvedere, em frente ao BH Shopping, Buritis na Av. Mário Werneck, Av. Tancredo Neves, Via Expressa, Av. José Candido da Silveira, vários pontos na Pampulha ou até mesmo na região central da cidade. Com efeito, o mesmo indivíduo que é considerado Cidadão a pé, de bicicleta no meio dos carros, ou como sardinha dentro dos ônibus, de carro, perde a Cidadania e é obrigado a conviver com a pressão do órgão gestor do trânsito que agora deu para dificultar a vida de quem tem veículo. Alargar passeios e estreitar ruas, só aumenta os congestionamentos de veículos, trazendo estresse e transtorno inclusive para quem usa o transporte público. Isso só não vê, quem não quer.

 

Ao afirmar que as mudanças realizadas em vários pontos da cidade, são para “ampliar espaço para os pedestres e atender ao Move”, a direção da BH Trans perdeu completamente o senso de razoabilidade. Desconsidera o desejo de metade da população que optou pelo transporte individual, para atender a caprichos de técnicos medíocres que não sabem o que estão fazendo. Não se sacrifica espaço para veículos em uma cidade que emplaca 280 carros por dia. Ao contrário, as ruas deveriam ser ampliadas onde passeios são meros enfeites. A cidade tem mais de 100 GARGALOS esperando por obras, e não mais puxadinhos como os que estão sendo feitos, de novo.

 

Comprar carro é um direito que todo cidadão adquire ao ter sua renda aumentada. Usá-lo como melhor lhe convier em uma cidade que não oferece transporte coletivo de boa qualidade torna-se quase um dever, por desejo ou por falta de alternativas. Portanto, mais do que desrespeitar o direito de ir e vir da população que optou pelo carro, a BH Trans pratica crime de DISCRIMINAÇÃO, debaixo do queixo do MP e da CMBH, que dorme o sono dos justos, fritando coxinhas e oferecendo cidadania honorária em troca de patrocínio para as campanhas. Sorte dos incompetentes que governam essa cidade é que neste universo de aparências e de políticos sem vocação, (verdadeiros postes), vale mais o “politicamente correto” do que os fatos mostram explicitamente. Falta-lhes, especialmente o entendimento do significado de lógica e bom senso…

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos e Mobilidade

Presidente do Conselho de Política Urbana da ACMinas

Presidente da ONG SOS Mobilidade Urbana

CRA MG 08.00094/D

31-9953-7945

2 thoughts on “Cidadão a pé em BH não é o mesmo de carro…

  1. Nós mineiros devemos encarar nossos problemas ambientais de forma apenas técnica e sem paixões e vaidades. A cidade precisa de Re-planejamento urbano amplo, em todos os sentidos e áreas e de longo prazo. Precisa de alguém que planeje e que não venda este planejamento para os políticos e as próximas eleições a troco de cargos de confiança, pós eleições.As obras necessárias não são necessariamente caras. Mas mesmo assim não temos o dinheiro suficiente para tal ,e se vamos pedir financiamentos ao banco mundial ou governo federal , aí entra a corrupção de lobistas e empreiteiras(Politicos mineiros).Aí entra a politicagem mineira de sempre. Só para reflexão dos especialistas. Vander Eustaquio.

  2. Caro José, fico muito triste ao ler o seu posicionamento. Na sua opinião a cidade é apenas um meio onde as pessoas tem que ficar incessantemente em movimento. Que felicidade seria que BH tivesse mais "engarrafamentos" de pessoas aproveitando dos seus poucos espaços de passeios, praças e parques! Só que elas não fazem isso porque estão presas em seus automóveis e em pensamentos tristes como que o senhor expôs no texto… Melhoras!

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