Intervenções na Praça ABC revelam o tamanho dos homens que nos governam.

Se o cruzamento de Av. Getulio Vargas com Rua Cláudio Manoel e Av. Afonso Pena, (Praça ABC) no bairro funcionários, fosse em SP é muito provável que a solução para a falta de fluidez crônica e diária do tráfego fosse a construção de uma trincheira na Av. Getulio Vargas e um Viaduto em curva na Rua Cláudio Manoel distribuindo o trafego na Av. Getulio Vargas e na Av. Afonso Pena. Já se o mesmo cruzamento fosse no Rio de Janeiro, a solução seria um túnel ou uma trincheira, e o problema estaria solucionado definitivamente, devolvendo a fluidez do transito naquele gargalo, que é um, dos 150 que a cidade possui.

 

Em BH, no entanto, a solução apresentada é um puxadinho feito a toque de caixa, que irá piorar o que por si só já é o caos. Todo o fluxo que desce a Rua Cláudio Manoel vindo da Serra, proveniente da Rua Estevão Pinto é interrompido neste cruzamento. A proposta da BH Trans, pasmem, é interromper o tráfego da Rua Cláudio Manoel no cruzamento com Rua Piauí e desvia-lo à direita para a Av. Getulio Vargas, já hiper saturada, praticamente o dia todo, entre Rua Bernardo Guimaraes e Av. Afonso Penas. Inacreditável a capacidade que a BH Trans tem de intervir negativamente através de ações que primam pelo improviso.

 

Não é a primeira e nem será a última intervenção medíocre e inconsequente da empresa responsável pela mobilidade da capital, que sempre opta pelos puxadinhos no lugar de obras de arte da engenharia. Veja o exemplo em epígrafe e o próprio bairro Buritis, que ironicamente abriga a sede desta autarquia. Com efeito, esta é apenas mais uma do conjunto de paliativos do projeto “mobi-centro” que revela, entre outras coisas, o provincianismo dos técnicos da PBH que atestam na prática, incontestavelmente, não conhecer nada de engenharia de cidades além do que fica dentro dos muros da Serra do Curral.

 

É provável que o povo grite no início, mas com o tempo acostuma e fica por isso mesmo. Fato é que o belo-horizontino está se acostumando fácil com as soluções tacanhas de gestores engessados, vaidosos e limitados. Já não enxergamos mais anomalias no fato de ficarmos presos horas no transito, sempre nos mesmos lugares. Aceitamos passivamente o discurso “politicamente correto” e importado da Europa de que o carro está “fora de moda”, embora os emplacamentos prossigam a cada dia somando mais de 1,7 milhões de veículos. Vale para a PBH o paradigma que sustenta a tese de que obras não resolvem. Se elas não resolvem, o que resolverá o caos do transito de BH? Serão as bikes? Ou a gestão ousada de homens visionários e competentes?

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos

Membro da Comissão Técnica de Transporte da SME – MG

CRA MG 080094/D 

31-99953-7945

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.