Mudanças no Trânsito de BH revelando intenções e um futuro sombrio.

Inacreditável. A BH Trans abre 2014 declarando em alto e bom tom, para todo mundo ouvir, que não quer saber de carros nas ruas de BH. Carro é bom, desde que seja na garagem. As declarações dadas pela direção da entidade não deixam dúvidas: “As mudanças de circulação em mais de 50 pontos dentro da Av. Contorno visa privilegiar os pedestres e o BRT/MOVE”. PT saudações para quem não concordar com elas, estão aí e deverão ser cumpridas, custe o que custar. (Declarações da direção da BH Trans).

 

Mesmo que sejam feitas a toque de caixa e sem a estrutura necessária para minimizar o caos, lançam-se algumas faixas, cavaletes, panfletos, meia dúzia de agentes aqui e acolá e salve-se quem puder. Na lógica de quem aplica a “terapia de choque no trânsito”, com o tempo o povo acostuma. Os fins, neste caso, justificam os meios, sejam quais forem. Vale tudo quando o desespero é maior do que a razão. Prova inequívoca de que estão todos perdidos, só não vê quem não quer ou não pode, por razões diversas…

 

Ninguém é contra mudanças que beneficie o conjunto da sociedade, desde que os desejos dessa sociedade sejam respeitados proporcionalmente, inclusive os que optaram pelo meio individual de locomoção 54% da população que desloca. Privilegiar uns, em detrimento de outros não é razoável e deveria ser motivo de questionamentos do Legislativo Municipal, se esse fosse minimamente comprometido com os problemas da cidade. O mesmo serve para a Imprensa livre (COM HONROSAS EXCEÇÕES) e o MP.

 

Não adianta pressionar quem tem carro a mudar hábitos fechando ruas, estreitando vias, afunilando cruzamentos, alargando passeios inutilmente, instalar radares e dificultar o deslocamento, sem oferecer transporte coletivo e outros meios que não apenas o BRT/MOVE e o ônibus tradicional, comprovadamente desqualificado para o clima e a topografia de BH. Quem tem carro e precisa deixá-lo na garagem, por livre e espontânea vontade, espera mais: Metrô, monotrilho, trens suburbanos, ônibus confortáveis e obras para eliminar os mais de 100 gargalos que não deixam o trânsito fluir. Não será uma ação, mas um conjunto de ações cada vez mais urgentes.

 

Lembro ainda que o BRT desloca em vias confinadas, limitando-o a eixos específicos. A cidade possui vários eixos de deslocamentos e não apenas 2 (Cristiano Machado e Antonio Carlos), todos  convergindo para a Região Centro Sul, que ainda sofre por ser a mais densamente povoada por quem tem carros. Enxergar isso e propor urgente a construção de outros modais capazes de democratizar a oferta de transporte publico, seria prova de maturidade e progresso que não faz parte do PLANMOB. Fica a sugestão para quem tem a missão de pensar em soluções para BH, sem esquecer que vivemos aqui e agora e que o “politicamente correto” nem sempre é o recomendável.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Mobilidade e Assuntos Urbanos

Presidente do Conselho Empresarial de Política Urbana da ACMinas

CRA MG 08.0094/D

31-9953-7945

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