Números equivocados e perigosos sobre a hotelaria de BH…

Existem duas forças com interesses antagônicos brigando em Belo Horizonte pelo mesmo tema: Hotelaria. De um lado os representantes da hotelaria tradicional e familiar que domina o mercado ha décadas. De outro, as construtoras e as grandes redes internacionais que chegam para mudar o cenário e profissionalizar o setor. Ambas sendo influenciadas por números que não representam a realidade e que deixa o assunto cada vez mais confuso. Belo Horizonte tem, segundo a principal e maior fonte de consulta de viajantes e agentes de viagens, (O GUIA 4 RODAS), 56 hotéis classificados. São 8,2 mil quartos, sendo metade de qualidade abaixo da critica. Os números divulgados pelo IBGE não representam o cenário real e consideram prostibulos motéis e hotéis de cidades vizinhas como integrantes do inventario da Capital, o que é um equívoco perigoso e desastroso para o setor. Quem vive no meio sabe que basta um evento de médio porte para a cidade lotar, obrigando executivos e turistas a um malabarismo pouco recomendável para uma cidade que pretende ter no turismo um dos seus carros chefes na geração de emprego e renda. Considerar motéis, prostíbulos e hotéis de cidades vizinhas como opções de hospedagem para hospedes a trabalho, lazer ou eventos em Belo Horizonte è desconhecer o assunto e subestimar a inteligência alheia. A cidade precisa de novos hotéis e eles estão vindo para revolucionar o mercado, já que 90% deles chegam chancelados por grandes redes internacionais. Com efeito, perguntar para ABIH(Associação Brasileira da Indústria de Hotéis) o que ela acha deste novo cenário é o mesmo que perguntar para a TAM e a GOL se elas querem a concorrência internacional na aviação nacional, chega a ser patético. Como executivo de hotelaria com 25 anos de atuação em hotéis locais e grandes redes internacionais, tendo sido presidente da ABIH MG por dois mandatos, atualmente atuando como consultor neste seguimento, posso afirmar que os números apresentados nos dois lados pela ABIH e pelo IBGE (novos empreendimentos e oferta de leitos atuais) estão completamente equivocados e não representam a realidade dos fatos. A cidade corre o risco de ter interrompido vários dos empreendimentos que dependem de investidores individuais, os chamados pool hoteleiros, em virtude de um movimento contra os novos empreendimentos. Movimento cuja a liderança se dá por quem não poderia jamais falar em nome da hotelaria, já que é parte interessada e teme pela concorrência qualificada. O fato é que haverá uma substituição natural do inventário hoteleiro da cidade, não só em números, mas sobretudo em qualidade e profissionalismo, o que é extremamente positivo para a Capital. Reafirmo que as forças que militam contra a nova hotelaria, apesar de legítimas, militam também contra o desenvolvimento da cidade, o que sugere reflexão e clareza nas informações veiculadas pela imprensa local.

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor Especializado em Hotelaria

Ex-Presidente da ABIH MG e Membro Fundador do BHCVB.

31 9953 7945

CRA MG 0094 94

 

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