O exemplo do Buritis serve para toda cidade de BH. É a cara dos políticos.

Os cidadãos de BH precisam compreender que não há nada errado com o bairro Buritis. O exemplo, estampado na matéria de capa do EM deste domingo 24.08, serve também para a mobilidade urbana como um todo. Temos o que merecemos. O caos no Buritis e na maior parte da cidade, fazendo de Belo Horizonte a terceira pior do Brasil em mobilidade não é por acaso. Com uma pequena, mas significativa diferença: no Rio são 5 milhões de veículos, em São Paulo quase 9 milhões, e a Capital Mineira tem apenas 1,5 milhões de automóveis. Digo apenas, por que a frota vai aumentar muito nos próximos anos, com ou sem transporte coletivo decente.

 

O retrato da mobilidade é a cara dos políticos que nos governam, do tamanho e do nível de sua compreensão da realidade. Como não conhecem o tema e nem a cidade, são obrigados a confiar em técnicos medianos, com visão tacanha e provincianismo explicito. São os mesmos que decidem o futuro da cidade ha 30 anos. Ha quem diga que jogam em dois times. São teimosos, vaidosos e limitados em sua leitura dos problemas, sem falar que via de regra, são preconceituosos, apegados e avessos às mudanças. Copiam modelos que não servem para o clima e para a topografia de BH. Faltam-lhes criatividade, ousadia e sobretudo amor pela cidade.

 

A administração de um hospital exige conhecimento de causa, isso vale para uma escola, um comércio, um hotel, um laboratório e deveria valer também para uma cidade, um estado e um país. A questão é que o critério de escolha dos administradores Públicos em BH, segue outra lógica. Aqui é o capricho de um líder político e de sua irmã que servem de balizadores. Sem passar pelo crivo deles, ninguém entra. Eles decidem em quem devemos votar para governar a nossa Pólis.

 

Nas cidades onde a mobilidade virou exemplos mundiais a serem seguidos, foi a história de seus gestores o fator decisivo, suas vocações e o compromisso com a causa. Bogotá, Medelín, Curitiba, Guayaquil, Santiago, Seul, Montreal, Toronto, Amsterdam, na década de 70, e outras estão ai para endossar a tese. Com efeito, é aqui que eu moro; é aqui que eu quero ficar; é aqui que eu amo; pois não há, lugar melhor que BH… Até que os políticos acordem e entendam que a cidade precisa de obras e que as soluções exigem uma dose de ousadia, o que está ruim, pode piorar. Quem viver, verá!

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Mobilidade e Assuntos Urbanos

Presidente do CEPU ACMinas

CRA MG 0094 94

31 9953 7945

 

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