O papel da imprensa e as mudanças no modelo eleitoral

Quanto mais escândalos são revelados pela imprensa brasileira, envolvendo políticos, mais fica claro que o modelo eleitoral do País está falido. Se não fosse o trabalho investigativo de jornalistas abnegados e de uma imprensa livre, muitas vezes cumprindo o papel que deveria ser o da justiça, o povo ia comprar gato por lebre e não tomaria conhecimento da real situação nos bastidores da política que anda recheado de maus exemplos. Sobram escândalos, faltam punições severas. No Brasil, quase tudo acaba em pizza, desmoralizando o judiciário e abrindo questionamentos sobre a sua autonomia.

 

A justiça que tem sido leniente, e que todo mundo sabe, recebe interferências do poder executivo e do legislativo, já a partir das varas de segunda instância, não dá conta da demanda de escândalos e denuncias. Falta instrumental, falta pessoal e sobretudo vontade para apurar escândalos e levar para cadeias os acusados de desvios e mal uso do dinheiro público. Com efeito, o modelo eleitoral vigente parece concebido para facilitar a entrada de indivíduos mal intencionados e afastar os bons da política. Mais do que isso, ele sugere revisões radicais e urgentes.

 

Fica evidente cada vez mais que os financiadores de campanha receberão no futuro os investimentos que fazem em candidatos no presente. A lógica do “toma lá dá cá” é que norteia o financiamento de campanhas eleitorais nos três níveis (câmaras municipais, legislativos estadual e federal e executivo, também nos três níveis). São poucos os candidatos que realmente vencem eleições por mérito e talento, pois na maioria das vezes os mandatos são comprados. Neste universo de águias, ninguém trabalha de graça e vale os interesses de quem pode pagar mais caro para garantir um mandato. O fato é que no fritar dos ovos quem acaba pagando a conta da barganha é o povo, pela via da corrupção ou da incompetência de gestores e legisladores públicos que lidam com projetos financiados pelo erário.

 

Embora qualquer um possa ser político em um regime democrático, bastando ter "ficha limpa", não é qualquer um que deveria se-lo. A vitória é do marketing e não dos pretensos políticos. Entre o poder e o dever, a justiça precisa atuar na busca de informações que leve aos eleitores as verdadeiras motivações dos candidatos. Como juiz da democracia, o povo infelizmente não tem sido feliz, pois os exemplos de maus políticos estão aí para qualquer um ver. Se não pelo nome envolvido em atos de corrupção, por desídia, negligência, prevaricação ou mesmo incompetência, falta de vocação para o ofício. Entra ano, sai ano e os problemas continuam os mesmos: educação de péssima qualidade, transporte público defasado, cidades sem infra estrutura, saúde precária, falta de habitação decente e favelas se multiplicando pelos quatro cantos do País, juntamente com a violência.

 

Os projetos dos políticos de um modo geral, com raríssimas exceções estão voltados para os próprios interesses, quando não de grupos financiadores de campanhas. Embora a democracia permita a liberdade de expressão, ela não tem sido suficiente para selecionar indivíduos realmente vocacionados e via de regra, entra na política os piores cidadãos, aqueles que conseguem financiamento privado e acabam ficando amarrados aos seus financiadores.O que importa é a perpetuação no poder. O modelo eleitoral precisa passar por correções que possibilite uma disputa mais justa onde o que vale é o talento, o espírito altruísta, o idealismo e a competência do candidato na lida com o recurso público, sabendo priorizar e sendo eficiente na sua aplicação.

 

José Aparecido Ribeiro

Filósofo e Bacharel em Turismo

MBA em Marketing – Consultor

Especialista em Assuntos Urbanos

CRA MG 0094 94 – 31 9953 7945

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.