O que está acontecendo no País do Futebol às vésperas da abertura da Copa do Mundo?

Nunca dei muita importância para o futebol, sempre achei uma perda de tempo, mas tenho que admitir que a maioria das pessoas gostam e é quase impossível ficar alheio, sobretudo em períodos como esse, quando a paixão é coletiva e o grito de Brasil é uníssono. No lugar do futebol e da televisão, coloquei livros, internet, rádio e até trabalhos voluntários. Porém, sendo brasileiro, sempre acompanhei a torcida de longe, assisti o sofrimento, e por vezes as comemorações entusiasmadas que inúmeras vezes levaram o Brasil às finais de Copas do Mundo e a uma explosão de alegria contagiante.

 

O Brasil parava uma semana antes dos jogos e sair pelas ruas depois de vitórias da seleção era um espetáculo de euforia e comemoração. Lembro da cidade toda enfeitada de verde e amarelo e dos carnavais que aconteciam na Savassi, no Alto da Afonso Pena e pelas ruas de praticamente todos os bairros de Belo Horizonte. No interior, a festa era ainda maior. O futebol tem o poder de juntar pobres, ricos, brancos e negros, sem distinções, era uma festa democrática, onde todos os convidados se sentiam parte dela. O sensação de pertença era absoluta.

 

Com efeito, este ano, quando acontece no Brasil, o "país do futebol", às vésperas da abertura oficial dos jogos, o verde e amarelo foi substituído por tapumes, barricadas de metal e até containers empilhados nas portas de empresas, transformando o sentimento de alegria e euforia, em uma sensação de medo e incertezas. O cenário é de uma guerra de verdade. Fica claro que além dos milhões desviados, roubaram também a festa verde amarela. “Nunca antes na história deste país”, uma nuvem pesada de duvidas e medos pairou sob o céu da Nação, por tanto tempo.

 

Plagiando um amigo, também filósofo: “não satisfeitos com o mar de lama que conseguiram transformar a política nacional, construíram uma versão piorada do Coliseu com heróis de chuteiras, pois existia há época o famoso jargão: "ao povo pão e circo"…” Aos Brasileiros, globo e futebol. Hoje conseguiram roubar até o circo. E não adianta o eufemismo embalado por sorrisos congelados de animadores doutrinados, o povo, ao que parece, está começando a acordar para a farsa política e a irresponsabilidade midiática hegemônica que aliena milhões.

Antes tarde do que nunca…

 

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos

CRA MG – 08.0094/D

31-9953-7945

 

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