Obra da 381 não avança por culpa dos “ecoxiitas”

Quando o assunto é infraestrutura, o Brasil precisa muito mais do que apenas dinheiro para atualizar suas rodovias que matam mais do que guerras. É preciso antes de recursos financeiros, botar um freio na vaidade dos “ecoxiitas” que não deixam as obras avançarem. Os projetos não andam por causa de licenças ambientais, a maioria delas exigindo coisas absurdas e desnecessárias.

Em nome da ecologia e da natureza – causas justas – permite-se parar projetos importantes e urgentes, que já deveriam ter sido executados há décadas, evitando mortes de pessoas inocentes. Não existe uma única obra de asfaltamento e duplicação de rodovias em andamento no Estado de Minas Gerais que não tenha impasses com o meio ambiente.

A BR 381 vem sofrendo a interferência negativa, algumas inclusive patéticas e inaceitáveis dos órgãos ambientais desde que iniciou suas obras de duplicação. Foram décadas de espera pelos recursos. Quando eles chegam, corre-se o risco de serem devolvidos por que a turma do meio ambiente não deixa a obra andar em paz. Cada dia uma novidade e uma exigência nova. Caprichos incoerentes que servem apenas para agravar a carnificina na rodovia da morte.

Se não bastassem os erros em licitações, muitas delas sem projetos executivos, quando são vencidas as etapas de recursos, entram em cena os pedidos de vista, os embargos, os “autos de infração”. É um festival de interferências em todos os níveis vindos de duas dezenas de órgãos ambientais estaduais, federais, ONG´s, paróquias, sindicatos e até do Ministério Publico que dá palpite em quase tudo. A ladainha é a mesma. A defesa do meio ambiente.

É um “lenga lenga” que não deixa em paz as empresas que precisam cumprir prazos e realizar as obras. Tem um monte de gente tentando mostrar serviço e muito poucas pessoas trabalhando para as obras avançarem na velocidade que elas precisam para evitar mortes nas rodovias ultrapassadas que cortam MG.

Com efeito, a titulo de exemplo, há 3 três meses um fiscal da Secretaria do Meio Ambiente de MG lavrou um auto de infração contra a empreiteira responsável pelos lotes 7a e 7b, os únicos que estão em andamento, dos 12 lotes que a BR 381 precisa para ser duplicada entre BH e Governador Valadares, nos 320 km que viraram roleta russa.

Acredite, a causa do auto de infração seria o corte de 19 árvores necessário para a construção de uma importante usina de concreto que vai alimentar uma mega maquina de pavimentação capaz de produzir 120M3 de concreto por hora. E que foi importada da Europa a peso de ouro, para cumprir prazos estabelecidos em contrato com o DNIT. Lembro que o DNIT representa o poder publico, e portanto, tem equipe técnica altamente qualificada para acompanhar os projetos.

Porém, pasmem, a empresa não foi notificada, e nenhuma árvores havia sido cortada. Ou seja, erro do fiscal que atrasou a obra em pelo menos 3 meses. Entre a licitação e a burocracia já se passaram mais de 4 anos. Quando não é a ameaça de falta de recurso financeiro são as ameaças de um exército de fiscais que se apropriou da causa do meio ambiente e não deixam as obras seguirem seus cursos.

Não se pode confiar em prazos para execução de obras no Brasil e há argumento para impedir o avanço delas, a maioria, pífios. Falta, no entanto, ações e argumentos para justificar milhares de mortes por colisões frontais em rodovias ultrapassadas que foram construídas na década de 50 do século passado. Para proteger árvore não faltam fiscais, para proteger a vida, falta agilidade, dinheiro e sossego para os que executam as obras.

Portanto muito mais do que o dinheiro para fazer as obras que já deveriam ter sido feitas há 30 anos atendendo a evolução da indústria automobilísticas nacional, MG e o Brasil precisam vencer a burocracia dos órgãos ambientais, simplificando a execução dessas obras e dando menos poder para os “ecoxiitas”que parecem viver em outro planeta.

Há um descompasso entre a prática dos ambientalistas e a realidade da infraestrutura do país. Ou mudam-se as regras para elaboração e execução de projetos ou o país não avança. Não por acaso, há quem diga que a Concessionária da BR 040, que tinha a missão de construir 550 km de rodovias duplicadas em 7 anos conseguiu fazer apenas 70 e está devolvendo a concessão. Por que será, e quem pagará por isso?

José Aparecido Ribeiro

Consultor em Assuntos Urbanos

Presidente da ONG SOS Rodovias Federais

Autor do BLOG SOS Mobilidade Urbana – Portal UAI.COM

31-99953-7945

13 thoughts on “Obra da 381 não avança por culpa dos “ecoxiitas”

  1. Perfeito a matéria.
    O que existe hoje radicalismo ambiental, aliado a cunho ideológico, uma tragédia para a população ao país..

  2. O ideal ambientalista se transformou em briga política e jurídica. Há muitos profissionais confundindo consultoria ambiental com ambientalismo. Se quer ser ambientalista nato, trabalhe numa ONG. O consultor ambiental deve trabalhar estritamente dentro da lei, sem maiores ideologias.
    Quanto aos processos em MG, a burocracia chegou ao ponto de se ter que pegar senha pra tentar protocolar um mero ofício pedindo uma prorrogação de prazo ou um cumprimento de condicionante.
    Ao mesmo tempo em q técnicos da Supram sofrem com a falta de infraestrutura e pessoal para atender a um estado do tamanho da França, os empreendedores ficam 2, 3 anos aguardando licenças, tamanha a burocracia do poder público.
    Em paralelo o MP continua a judicializar um assunto que é técnico. Já citei aqui mesmo nesse blog – já recebi justificativa de promotor q pediu vistas a um processo por considerar (com essas palavras) q todos são desonestos até segunda ordem.
    É brincadeira?
    Na medida em q empreendedores começarem a solicitar mandados de segurança, exigindo resposta dos órgãos públicos, as coisas podem ser q avancem. Mas as próprias instituições q representam tais empreendedores, vide FIEMG, não fazem nada para dar suporte.
    Quanto à 381, enquanto o povo de BH a Valadares não processarem o Estado e a União por tentativa de assassinato, a coisa não vai andar. Não são só motoristas irresponsáveis – é um Estado/União que represa investimentos e não contribui com a sociedade.

  3. Prezado colunista,

    Este assunto daria um sem números de artigos e discussões, dentre estes assuntos é o projeto e traçado da rodovia, datado se não me engano da década de 50, onde os carros e caminhões trafegavam numa velocidade e transportavam cargas bem menores que as de hoje. A nossa malha viária não acompanhou o desenvolvimento, ou não se preparou para tal, da industria automobilística. Caminhões mais potentes e carros mais velozes demandam traçados específicos para suas características (leis da física). Basta um pequena pesquisa sobre os carros e caminhões produzidos nas décadas de 50 ou 60 (quando foi efetivamente inaugurado o trecho até João Monlevade) para se ter ideia da discrepância. Junte-se a isto uma conservação/sinalização precária, o resultado é “Rodovia da Morte”.
    Espero que as autoridades se conscientizem que muita gente morre por estes problemas.
    Um evento pode ter negado seu alvará de funcionamento por não apresentar as condições minimas de segurança, por que isto não ocorre nas nossas rodovias????

  4. Se os “ecoxiitas” tivessem sido ouvidos, e os responsáveis pela fiscalização e execução tivessem trabalhado em vez de fazer vista grossa pra empreiteira que financia campanha de político, viadutos da Pedro I talvez nem tivessem sido construídos, sendo um pra cair e outro ficar com a estrutura abalada. Há excesso de burocracia, sem dúvida, mas os embargos acontecem porque os responsáveis (públicos e privados) pelas obras não apresentam nem cumprem as suas obrigações. Mas como o “estudioso” também gosta de fazer vista grossa a isso… Ah! Continuo aguardando suas respostas.

  5. Te parabenizo pelo texto !
    Conheço faz tempo em função de ter familiares que moram naquela região.
    A estrada é perigosa. Só mesmo a irresponsabilidade e o descaso justificam o histórico de tragedias secundárias aos acidentes bizarros que também já presenciei ali.
    Mais absurdo seria defender o que não tem defesa, em nome de interesses que não podem ser maiores que a segurança e a preservação de vidas de inocentes que precisam transitar em pânico. Não vejo nada que justifique tal descaso.
    Quem faz o que pode e o que não pode em nome de outras causas ,com certeza, não se importam com vidas perdidas.Se contentam com a sustentação dessa política acéfala e alienada.

  6. Reconheço a necessidade de duplicação da 381 . Mas tb acredito no trabalho dos ambientalistas. O Brasil sofre com leis ambientais fracas e falta de fiscalização suficiente. Vejamos a Amazônia e o Pantanal , estão pedindo socorro . A mata Atlântica tb sofre com queimadas e desmatamento. Acredito que no caso da 381 é muito mais a falta de investimentos e desvios para enriquecimento de alguns .

  7. Durante o governo Anastasia uma obra de pavimentaçao de uma estrada que já existe a séculos , ligando Caeté a Barao de Cocais foi barrada pelo MP porque tinha um resquício de Mata Atlantica no seu seu traçado! A obra tinha verba assegurada e a empresa vencedora da licitaçao já estava mobilizada para execuçao da obra! Quem perdeu? a populaçao porque MP nao sai do ar condicionado. Em tempo: poderia fazer uma reportagem esclarencendo sobre o SIT, aquele dinheiro que a BHTRANS gastou com consultoria e obras e deu em nada.

  8. O seu texto diz tudo.Essa máfia de “Ecoxiitas” e “Biodesagradaveis”quer que o mundo seja um presépio,intocável e imóvel. E o pior,tudo pago com o dinheiro de nossos impostos.Não bastasse a quantidade de mortes em nossas estradas causadas por vaidade e inepsia desse pessoal, eles ainda criam caso para a construção de Cemitérios e Fornos Crematórios. Não custa imaginar a questão por um angulo histórico: Alguém já imaginou se essa corporação ligada ao meio-ambiente existisse na época da construção do Cristo Redentor,no Rio de Janeiro ? E o Aterro do Flamengo então ? A extensão e alargamento da Praia de Copacabana,o que permitiu o aumento de faixas da Av. Atlântica ? E o Bondinho do Pão de Açúcar,já pensaram ? Aqui em Belo Horizonte também temos vários exemplos: Parque das Mangabeiras com seu complexo esportivo e Trilhas para caminhadas.O corte dos Ficus da av. Afonso Pena,que infestavam a cidade de uma espécie de inseto,na época conhecidos por “Amintinhas” em referência ao então Prefeito Aminthas de Barros,etc.etc. Não sou Psicóloga ou coisa que o valha,mas acredito que a esse pessoal tem uma Paranóia e uma fixação que mereceria a merecer uma avaliação médica séria.Abraços.

  9. Fácil acusar o órgão ambiental. Podia verificar melhor porque foi feita a autuação. Corrupção e falta de interesse por parte dos políticos nos cuidados com essa BR que sempre travaram as obras, e não os órgãos ambientais.

  10. Eu queria entender quando vamos perceber que antes de mobilidade, ou qualquer outra coisa, vivemos num planeta que nada mais é que um ser vivo, se já exigindo assim, desastres ambientais como Mariana ocorrem, o que precisa ser feito é fiscalização CORRETA e manuseamento correto dos recursos naturais, as duas coisas podem andar juntas, o problema é que não se quer gastar mais para beneficios a longo prazo. Na realidade em que vivemos, “ecoxiitas” um termo até irresponsável, levando em cosideração a origem dessa nova palavra.

  11. testo super bacana ..falou tudo . esta rodovia e uma vergonha mata silenciosamente eos orgao ambientais nem ai e complicado de mais ..maior vergonha e esta rodovia que paço lar de 3 em 3 meses ….terrivel

  12. Você faz aqui um deserviço a questão ambiental. Essa estrada não avança pq os políticos são todos uns lixo. E pq os eleitores continuam votando neles. Veja o exemplo de Ipatinga, Quintões e Ferramentas alternam o poder e só enriquecem. Como a matriz de negócio (aço) da região é toda transportada via ferovias, não sobre lobby dessas empresas pra pressionar verbas pro rodoviário. Nem um serviço ferroviário de passageiros de qualidade existe. Tem nada haver com licença ambiental não.

  13. Olá José Aparecido, muito coerente seu texto e este é um dos grandes problemas que enfrentamos. Sou profissional da construção civil e especialista em concreto e sei muito bem o custo dos equipamentos que comentou. Trabalho especificamente nesta área desde 2007 e eu, particularmente, já fiz vários trabalhos para especificar os concretos que devem ser utilizados nesta obra, mas não executamos praticamente nada. Várias empresas investiram nesta obra e desistiram. Mão de obra foi contratada e demitida porque não tem sequencia. E pessoalmente sou usuário ativo da rodovia pois tenho familiares em Ipatinga e o unico caminho é passar por esta rodovia. Fascinado por numero como sou, o trecho de BH a Monlevade consigo percorrer com uma média de 58 km/h, de Monlevade e até Ipatinga no máximo 70 km/h. Engano pensar que a baixa velocidade que o trecho propicia é sinal de segurança, já tive oportunidade de visualizar 4 acidentes em unica viagem e é raro uma viagem de visita a familiar onde não presencio acidente ou manobras que acontecem acidentes por pura sorte. Em feriados, não usamos a rodovia, já cheguei a gastar 7hs para percorrer o trecho de Ipatinga a BH. Qualquer frete é mais caro quando é necessário passar por esta rodovia. Não que sou contra aos impactos ambientais que as construções trazem, mas está claro que não há trade-off nesta rodovia e em outras quando o tema meio ambiente é apresentado.

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